A pesquisa revela a estagnação do uso de software livre nas empresas. O instrutor do Grupo Impacta, José Maria Correa Lera, falou à TIC mercado sobre as principais questões que impedem a maior adoção desta tecnologia. “Na verdade, são vários fatores, talvez o principal seja a falta de uma referência nacional em software livre, isso tende a criar, na minha opinião, um fator psicológico de falta de confiança. Essa referência era a Conectiva, que colocava o Brasil no cenário mundial de software livre. Com ela, o Brasil ganhou vários prêmios internacionais, e ela era reconhecida e respeitada mundialmente, tivemos os primeiros cursos de Linux de âmbito nacional e em português, e com eles a primeira certificação brasileira de Linux. Quando uma referência como essa desaparece temos um reflexo no mercado, e esse reflexo aparece nas estatísticas”.

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“Algumas partes da pesquisa me pareceram tendenciosas, como por exemplo, o mercado desktop. Esse nunca foi um objetivo primário no desenvolvimento do software livre, quem domina esse mercado todo mundo sabe, sendo que só recentemente a preocupação da comunidade se voltou para ele. Outro ponto a ponderar é como o software livre funciona: as empresas esperam resolver seus problemas sem contribuir para a sua solução, o que eu acho puro egoísmo. Felizmente, vemos essa tendência diminuir com a posição do governo brasileiro de disponibilizar o software, como pode ser comprovado em http://www.softwarelivre.gov.br/”, diz José Maria Correa Lera.

Mesmo diante dos números da pesquisa, para o instrutor do grupo Impacta, não é possível enxergar ameaças para a substituição do software livre por outras plataformas. “Duvido muito, pois o que vemos no mercado é exatamente o contrário. O software livre está dominando as novas tecnologias de uma forma incontestável e com grandes vantagens para empresas e usuários, tomando de assalto smartfones, tablets, televisores, geladeiras, e muito mais. Lógico que tudo isso está gerando uma grande demanda por software, e a procura por programadores para essas áreas não deve demorar a se manifestar”.

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Tempo de uso do software livre nos servidores

O primeiro aspecto avaliado foi o tempo de uso do software livre nos servidores das empresas. Constatou-se que 74.8% das empresas utilizam software livre há mais de três anos. 6.9% passaram a utilizar entre um e três anos atrás e 5.3% utilizam há apenas um ano. 12.2% das empresas decidiram não utilizar esse tipo de software e apenas 0.8% pretendem adotar o software livre a médio ou longo prazo. Esse percentual inexpressivo de adoção no futuro confirma a freada na adoção do software livre.

Tempo de uso do software livre nas estações de trabalho

Nas estações de trabalho, a fatia da empresas que decidiram não utilizar software livre é de 37.1%, mais que o triplo das empresas que optaram por não utilizar o software livre nos servidores. Os 6% que planejam adotar o software no futuro são insuficientes para tornar o uso em estações de trabalho mais próximo da realidade observada nos servidores.

Ambientes de uso

92% dos participantes afirmaram que a utilização do software livre se dá em servidores ou mainframes, equipamentos centralizados e de uso exclusivo dos profissionais de TI da empresa. Apenas 26% citaram a utilização no ambiente desktop, majoritariamente destinado a usuários finais. Focando na utilização do software livre nos servidores, identificou-se que o principal uso está em servidores web (64.4%).

Cerca de metade das empresas utiliza software livre como servidores de banco de dados para aplicativos de missão crítica, número maior do que o citado como utilização na função servidor de email. Aliás, a utilização como servidor de email em quantidade equivalente a aproximadamente metade dos usos como servidor web, indica que metade das empresas que adotam software livre como servidores web, prefere manter seus servidores de email rodando em ambientes proprietários.

Principais questões que impedem maior adoção do software livre

Uma das maiores queixas sobre a não adoção do software livre é a ausência de aplicativos dos quais as empresas necessitam. Para uma plataforma que já está instalada há tanto tempo na maioria das empresas, isso indica desinteresse por parte dos desenvolvedores de software em atender a essa potencial demanda.

Conforme as demais questões que aparecem no gráfico, pode-se deduzir que o problema é realmente a falta de empresas especializadas e confiáveis, e a falta de profissionais capacitados na plataforma. 

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Consequências do uso do software livre

Dentre os benefícios do uso, encontram-se: redução dos custos de TI (59.1%); diminuição de problemas com vírus (42.4%); melhoria da performance dos sistemas (41.7%); aumento da disponibilidade dos sistemas, sem interrupções (41.7%).

Dentre os problemas encontrados na utilização do software livre, destacam-se:

Quantidade de profissionais de TI nas empresas pesquisadas

Dentre as empresas pesquisadas, 72% delas trabalham com equipes de no máximo 50 profissionais de TI. Quando o tamanho da equipe de TI é comparado com o tempo de utilização de software livre em servidores, o panorama é revelador:

As respostas revelam que as empresas que optaram por não utilizar este tipo de software são as que possuem equipes de até 50 profissionais de TI. Uma interpretação para este fato é a de que as empresas maiores ousam mais e “se dão ao luxo” de lidar com software livre. Ainda nas empresas maiores, de acordo com a análise de suas respostas, conclui-se que o mercado de software livre já não sofre modificação há anos.

Fração dos profissionais que atua com software livre

A pesquisa apontou que 50% das empresas entrevistadas possuem no máximo 10% do total de sua equipe formado por profissionais de TI especializados em software livre. No outro extremo, 19.7% das empresas possuem mais de 75% da equipe composta por profissionais de software livre. 

Remuneração média dos profissionais de software livre

Apenas 12% dos respondentes indicaram que a remuneração desses profissionais é superior à média dos demais profissionais de TI. Assim, a falta deles não deve estar sendo considerada tão crítica pelas empresas, pois se eles fossem realmente críticos, a quantidade de empresas dispostas a pagar remunerações mais altas teria que ser maior. 

Nível de formação dos profissionais de software livre

Do ponto de vista do grau de formação dos profissionais de software livre, os resultados obtidos indicam que 15.3% são técnicos, 57.3% são graduados, 6.9% são pós-graduados e 20.6% são profissionais não especializados.

Certificação profissional em software livre

Aproximadamente dois terços das empresas (65.9%) mantêm profissionais especializados em software livre, mas sem qualquer certificação. Dentre os profissionais que possuem certificação, constatou-se que: 22% possuem certificação Red Hat; 8.3% possuem certificação LPI; 3.8% possuem Suse/Novell; 1.5% possuem ICS Impacta, e 15.9% possuem outras certificações Linux.

Demanda das empresas por novos profissionais de software livre e por treinamento dos recursos humanos que já possuem

Alinhada ao uso do software livre nas empresas, está a intenção de contratação de profissionais da área. 65.9% das empresas participantes afirmaram que não pretendem contratar nenhum profissional de software livre nos próximos 12 meses. Apenas 3.8% das empresas responderam pretender contratar mais de cinqüenta profissionais de software livre, e isso se deve ao fato de estas empresas utilizarem o software intensamente.

Quando perguntadas sobre a possibilidade de preencher suas necessidades por meio do treinamento dos recursos humanos que já possuem, em vez de buscar profissionais do mercado, 36.8% das empresas responderam que pretendem treinar de um a cinco profissionais internos (em vez de buscá-los no mercado). 40.2% das empresas não possuem nenhuma intenção de treinar seus profissionais.

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Fatores que influenciam na contratação de profissionais de software livre

O conhecimento técnico, a formação superior, o desempenho na entrevista pessoal e a indicação são fatores que obtiveram empate técnico entre os possíveis fatores que influenciam no momento da contratação. Ainda no quesito contratação, a certificação profissional se mostrou crucial para 26.2% das empresas, ao passo que 53% acreditam que as certificações podem ser um critério de desempate quando os outros aspectos entre dois candidatos são equivalentes.

Conclusão

O estudo concluiu que o momento do software livre está praticamente entrando em fase de estagnação. Cerca de apenas 4% das empresas consultadas apostam todas as suas fichas nesta plataforma, enquanto a grande maioria faz uso muito moderado. 20% das empresas se recusam a fazer qualquer uso.

As principais dificuldades encontradas pelas empresas para um uso maior deste tipo de software são a ausência de aplicativos disponíveis e a dificuldade em encontrar profissionais e/ou empresas qualificadas para prestar os serviços de suporte necessários.

A remuneração média dos profissionais especializados em software livre é quase a mesma que a média geral do setor de TI, o que aponta para um uso não crítico destes profissionais e da tecnologia de software livre dentro das empresas.

Ainda não há ameaças claras para a substituição do software livre por outras plataformas. Entretanto, uma das maiores preocupações das empresas pesquisadas é com o aproveitamento das oportunidades geradas por inovações que podem surgir no ambiente proprietário. Assim, conclui-se que, quando a inovação “certa” surgir, a participação do software livre começará a cair no mercado brasileiro.

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