A análise a seguir apresenta os dados consolidados a partir das respostas de 122 participantes desta edição da pesquisa (pertencentes a 114 empresas diferentes).

Esta temática está sendo avaliada pela primeira vez, razão pela qual não há comparações com edições anteriores da pesquisa.

Conclusões

Os resultados desta pesquisa permitem concluir que o mercado de aplicativos móveis está passando por uma primeira ‘onda’ de substituição de dispositivos e aplicativos mais antigos, por outros mais modernos.

A grande diferença entre as preferências pessoais dos profissionais e as fatias de mercado atual dos vários concorrentes revela que há espaço para variações significativas nas fatias de mercado ocupadas por cada uma das plataformas, no futuro próximo.

As demandas de construção de aplicativos corporativos são atendidas principalmente pelo desenvolvimento a medida (interno ou terceirizado). As empresas do setor de TI estão apenas acordando para o desenvolvimento de soluções específicas para dispositivos móveis.

Finalmente, a demanda por profissionais com conhecimento especializado tende a ser atendida mais por meio de treinamento de profissionais que já pertencem aos quadros das empresas, do que pela contratação de novos profissionais, que já possuam esse conhecimento especializado.

A seguir, apresentamos os resultados da pesquisa de forma detalhada.

Resultados

Preferência Pessoal por Plataformas

A primeira opinião solicitada aos entrevistados disse respeito à sua preferência pessoal entre as várias plataformas móveis disponíveis no mercado, independentemente delas estarem sendo utilizadas ou não. A estruturação do questionário permitiu que cada entrevistado citasse até três plataformas de sua preferência.

O número médio de respostas por entrevistado ficou próximo a dois e meio. Observamos que as plataformas do Google e da Apple lideram as preferências pessoais, de forma quase igual. Entretanto, todas as demais plataformas somadas ainda superam qualquer um dos líderes, revelando tratar-se de um mercado ainda bastante fragmentado. A plataforma da Microsoft segue imediatamente aos líderes.

Um número bastante reduzido de entrevistados (9%) optou por dar mais importância à escolha dos aplicativos do que à plataforma. Dado que a maioria das plataformas ainda não possui aplicativos corporativos em abundância, este número pode ser interpretado como mais um sinal de certa imaturidade do mercado em relação ao tema.

Aplicativos corporativos em operação

Na sequencia, perguntamos sobre as plataformas que estão efetivamente em operação nas empresas onde os entrevistados trabalham. Contrapondo os resultados com a questão anterior fica evidente, em primeiro lugar, que a participação de mercado de todas as plataformas é muito menor do que as preferências pessoais.

A plataforma da Apple, primeira colocada em uso efetivo (embora seguida de perto pela Microsoft) atinge cerca de 40% do mercado, enquanto a preferência pessoal por ela é superior a 60%.

A maior diferença entre a participação efetiva e a preferência pessoal se aplica ao Google Android, cujo índice de preferência é quase três vezes maior do que a participação efetiva. Este fato nos faz supor que esta plataforma deve crescer sua participação efetiva no mercado.

Na direção contrária, observamos que a plataforma Blackberry (da canadense RIM) atinge apenas 25% das preferências, mas está em uso em quase um terço das empresas: um sinal de que ela deve perder participação ao longo do tempo.

Tempo de Utilização de Aplicativos Corporativos

O aspecto seguinte analisado diz respeito ao lapso de tempo no qual as empresas já estão se utilizando de plataformas móveis. Desde os antigos PDAs, passando pelos smartphones e chegando nos recentes tablets, as tentativas de utilização de aplicativos em ambientes móveis pelas empresas, podem remontar a um passado bastante distante.

De fato, cerca de 6% das respostas indicam que o uso destas plataformas remonta a prazo superior a dez anos. Entretanto, o período compreendido pelo último ano contém, sozinho, a maior fatia do mercado, confirmando a recente aceleração no uso deste tipo de soluções.

A fatia, relativamente menor, para o período de três a cinco anos atrás, revela que houve um ‘hiato’ entre os 25% pioneiros na adoção das plataformas móveis (usam há cinco anos ou mais), e aqueles que as adotaram nos últimos três anos (40%).

A soma dos que pretendem adotar plataformas móveis no futuro, próximo ou distante, com aqueles que declararam ter decidido não adotá-las, revela que o espaço disponível para o crescimento é inferior a 20% do mercado. Assim, devemos concluir que, cada vez mais, os novos projetos de adoção de soluções móveis, consistirão na substituição de aplicativos e/ou plataformas já em uso.

Tempo de Uso por Plataforma

Para complementar a análise, cruzamos a informação sobre o tempo de uso das plataformas com as respostas fornecidas para as plataformas efetivamente em uso.

A participação de 50% da plataforma Symbian (da Nokia, já descontinuada) entre aqueles que usam plataformas móveis há mais de dez anos, confirma a tendência à substituição identificada acima. Nem Apple nem Android existem há mais de dez anos, de forma que as fatias de mercado que ocupam entre os usuários pioneiros indicam que alguns destes já passaram ao menos por uma segunda implementação de suas soluções.

Na figura acima, as fatias referentes aos usuários que adotaram cada uma das plataformas nos últimos doze meses, na cor lilás, entre as várias opções disponíveis no mercado variam desde cerca de 30% no caso da plataforma Apple até um mínimo de 16% no caso da plataforma Microsoft. Ficam de fora da análise a opção ‘Outras’, por englobar diversas plataformas, e, curiosamente, a plataforma Java, indicando que esta estacionou no mercado de aplicativos móveis.

Empecilhos ao uso maior de Plataformas Móveis

Quando questionamos a respeito dos problemas ou dificuldades que os profissionais enfrentam para que o uso das plataformas móveis seja maior dentro das suas empresas, a resposta mais frequente diz respeito a decisões políticas internas das suas empresas. Em outras palavras, é bastante provável que vejamos um crescimento forte deste tipo de solução, já que basta uma decisão nas empresas para eliminar essa dificuldade em quase 40% das empresas.

Na sequencia foram citadas dificuldades comuns a qualquer tipo de plataforma relativamente nova no mercado: a falta de profissionais especializados, a ausência de aplicativos e os custos elevados do desenvolvimento sob encomenda.

Usuários com acesso a dispositivos móveis

O uso das aplicações obviamente depende também do fato dos usuários das empresas terem acesso a dispositivos móveis. Por essa razão, perguntamos na sequencia sobre o percentual aproximado dos usuários que já dispõem, dentro das empresas, dos dispositivos em questão, independentemente de se a compra destes se deu por parte das empresas, ou se se trata de dispositivos de propriedade pessoal dos funcionários da empresa.

Os resultados indicam que há um grupo de cerca de 12% das empresas onde os dispositivos estão ao alcande de 90% ou mais de todos os usuários. Este fato contrasta com os quase 50% das empresas onde no máximo dez por cento dos usuários possuem acesso aos dispositivos necessários – o que indica ainda uma grande oportunidade de vendas dos dispositivos móveis!

Usuários com acesso a aplicativos corporativos

Por outra parte, usuários que tenham acesso aos dispositivos móveis, embora necessário, não garantem o uso de aplicativos de interesse das empresas. Usuários que adquiriram eles mesmos seus dispositivos, tipicamente os utilizam para fins pessoais, mesmo em horário de trabalho.

Por isso questionamos separadamente qual o percentual dos usuários das empresas que acessam aplicativos corporativos através dos dispositivos móveis.

Comparando os resultados a esta questão com a anterior, é possível concluir que:

O percentual de empresas com mais de 90% dos usuários acessando aplicações de forma móvel é de apenas 4%, número que representa um terço dos usuários que dispõem dos dispositivos. Ou seja, mesmo onde os dispositivos já estão largamente disponíveis, há ainda um longo trabalho de implementação de aplicativos corporativos.

No outro extremo, este fato é confirmado: 59% das respostas indicam o uso de aplicativos corporativos por 10% ou menos da base de usuários, número maior que os 50% de empresas onde no máximo 10% dos usuários tem acesso aos dispositivos.

Origem dos aplicativos móveis

Outro aspecto avaliado diz respeito à origem dos aplicativos móveis em uso.

A resposta mais frequente, dada por 26% dos entrevistados, diz que as próprias empresas desenvolveram seus aplicativos internamente. Outros 16% encomendaram desenvlvimento sob encomenda, totalizando então mais de 40% das empresas que se viram obrigadas a investir na criação de soluções próprias.

Este aspecto é outro sinal do baixo grau de maturidade do mercado, onde os fornecedores especializados e os próprios criadores das plataformas não conseguem, em conjunto, atender mais que 24% do mercado com suas soluções.

Formação dos Profissionais Especializados

Outra temática relacionada a qualquer plataforma tecnológica inovadora, diz respeito aos recursos humanos necessários nas empresas, para poder tirar proveito delas.

Nesse sentido avaliamos o grau de formação dos profissionais especializados em plataformas móveis. A distribuição entre técnicos, graduados e pós-graduados é praticamente a mesma que encontramos quando avaliamos os profissionais de Tecnologia da Informação como um todo.

Isto se constitui num sinal de que estas plataformas móveis não exigem um conjunto de habilidades básicas diferentes daquelas exigidas pela computação digamos ‘mais tradicional’.

Remuneração dos Profissionais Especializados

Outro aspecto considerado diz respeito à remuneração dos profissionais especializados em plataformas móveis. De forma geral, quando uma determinada especialização é rara no mercado, ou seja os profissionais com esse conhecimento especializado são escassos, a remuneração média desses profissionais tende a ser superior à média de mercado.

Quando avaliamos este fato em relação às plataformas móveis, identificamos que em dois terços das empresas não há diferença significativa na remuneração dos profissionais especialistas. 12% afirmaram que a remuneração é menor, enquanto 21% afirmaram que a remuneração é maior: ou seja, embora haja uma certa ‘inflação de demanda’, ela não é tão significativa quanto poderiamos supor a priori.

Tamanho das Equipes de TI

Como forma de complementar a análise da disponibilidade de recursos humanos nas empresas, solicitamos informação sobre o tamanho total das equipes da área de TI. Os resultados, ilustrados na figura a seguir, revelam que 56% das empresas possuem no máximo vinte profissionais de TI, enquanto os 22% no extremo superior possuem equipes compostas por cem ou mais profissionais.

A faixa intermediária, de 20 a 100 profissionais, atinge percentual semelhante.

Perfil das Equipes de TI

Como a base de entrevistados inclui tanto profissionais de empresas de TI quanto de empresas usuárias de tecnologia, perguntamos sobre o principal papel das equipes de TI.

Quase três quartos das equipes se destinam a atender usuários internos das próprias empresas (ou grupos empresariais), enquanto que as empresas do setor de TI atingem quase um quarto da amostra. Os poucos pontos percentuais restantes são os que correspondem aos profissionais autônomos que participaram da pesquisa.

Perfil vs Preferências Pessoais

Quando cruzamos este perfil das equipes com as preferências pessoais dos profissionais em relação às plataformas, reveladas no início do questionário, verificamos que apenas a plataforma da Apple tem distribuição semelhante ao dos perfis acima identificados.

As demais plataformas possuem uma participação menor de empresas de TI do que o total da amostra, revelando que as empresas de TI não seguem as preferências das empresas usuárias!

Também chama a atenção a inversão de posições entre as preferências pela plataforma Java e a plataforma Microsoft. Parece que esta última conquistou uma preferência muito maior entre as corporações, mas não soube ainda despertar seu ecosistema de parceiros para acompanhar essa demanda. Sua preferência, entre as empresas de TI, praticamente se iguala ao Blackberry, que, como já comentado, é uma plataforma que tende a perder mercado.

Contratações nos próximos doze meses

Para avaliar a evolução do mercado de trabalho específico em plataformas móveis, questionamos sobre o número de contratações de profissionais especializados que as empresas farão nos próximos doze meses.

Os resultados revelam que quase 90% das empresas irão contratar no máximo cinco profissionais especializados (sendo que metade delas afirmaram que não contratarão ninguém).

Contratações por perfil da equipe

Para avaliar essas novas vagas, cruzamos essas respostas com os perfis das equipes:

O resultado, ilustrado no gráfico acima, revela que a maioria das novas oportunidades de trabalho especializado se concentra nas empresas prestadoras de serviços de TI: um primeiro sinal (enfim!) de que ao menos uma parte delas estão acordando para esta oportunidade de mercado.

Treinamento nos próximos doze meses

Analogamente, questionamos sobre o volume de profissionais que as empresas pretendem treinar em plataformas móveis nos próximos doze meses.

Na comparação com as intenções de contratação, chama a atenção que o percentual de respostas ‘nenhum’ cai de 48 para 31%, e o número de empresas que pretendem treinar 20 ou mais profissionais chega a 18%, enquanto as intenções de contratação desse volume de profissionais foi declarada por apenas 8% das empresas.

Podemos concluir portanto, que há um número maior de profissionais que já estão nas empresas sendo migrados/treinados para trabalhar com plataformas móveis, do que o número de vagas que esta tecnologia está gerando.

Treinamento por perfil da equipe

Quando cruzamos as intenções de treinamento com o perfil das equipes, os resultados confirmam a tendência já encontrada na contratação.

A maior demanda por treinamento, assim como no caso da contratação, está nas empresas prestadoras de serviços de TI. Quase 80% delas pretendem treinar pelo menos alguns dos seus profissionais na questão das plataformas móveis nos próximos doze meses.

Já no caso das corporações, esse índice ainda é de respeitáveis 68%.

Fatores na Contratação de Especialistas

Para finalizar o questionário, solicitamos que os profissionais avaliassem a importância dada a diversos fatores levados em conta na hora da contratação de novos profissionais nas empresas, usando para tanto notas de 0 a 10. O gráfico a seguir revela as notas médias obtidas por cada um dos fatores.

A liderança é ocupada por fatores como a entrevista pessoal e a indicação (aval) de colegas de confiança, indicando que o relacionamento humano pesa mais que o conhecimento técnico na contratação de profissionais especializados em plataformas móveis. Certamente se trata de um reflexo da pouca experiência dos profissionais de recursos humanos com este tipo de profissionais especializados.

O conhecimento técnico, a experiência comprovada e as certificações ainda são parte do grupo de fatores com menor peso na contratação.