2007/11 - Information Week, Política em TI - A caminho da e-democracia (II)
Texto publicado originalmente por Roberto C. Mayer na edição de novembro de 2007 da revista "Information Week"
Conforme antecipei na coluna anterior, participei recentemente de um debate sobre experiências americanas em governo eletrônico. Participei de um painel dentro do Congresso do CIAPEM - Comitê de Informática dos Governos Estaduais e Municipais do México, uma organização criada por lei naquele país há cerca de 30 anos. Este Congresso ocorreu, na sua última edição, no mês de setembro na cidade de Veracruz. A próxima edição deve ocorrer em Acapulco em 2008.
No painel em questão, tive a oportunidade de debater e comparar nossa realidade com representantes do México, do Chile e do Canadá.
O governo do Canadá é de longe aquele que mais oferece serviços a seus cidadãos pela Internet. Durante quatro anos consecutivos (de 2002 a 2005), a consultoria global Accenture escolheu o Canadá como o país com a melhor gama de serviços de governo eletrônico a nível mundial.
Resta-nos o ‘consolo’ que o Canadá seja um país do Primeiro Mundo... Mas, mesmo na América Latina, o Brasil está longe de ser líder neste tema. O Chile já completou a implementação da sua primeira ‘agenda digital’. Neste momento, ocorrem intensos debates naquele país sobre qual deveria ser o conteúdo da segunda agenda digital. A informatização dos serviços públicos está praticamente completa. Praticamente toda a população tem acesso aos recursos do mundo digital. Trata-se agora de selecionar as ações que, ao menor custo, terão o maior impacto sobre a qualidade de vida dos cidadãos chilenos. A área de saúde está sendo tratada como um dos pontos focais: o agendamento de consultas e exames via Internet evitará viagens de muitas horas de habitantes de áreas rurais para as grandes cidades.
No caso do México, a situação não está tão evoluída, mas existe uma estratégia nacional definida, chamada de México 2020, desenvolvida pelas associações de classe de TI do México e ‘vendida’ aos candidatos presidencias nas últimas eleições, vencidas por Felipe Calderón. Assim, há uma visão clara de qual seja o caminho a seguir. O próprio evento organizado pelo CIAPEM, com a participação de 4.000 pessoas e sob o lema ‘porque lo nuestro es la atención ciudadana’, reflete o interesse que o assunto desperta junto às várias instâncias de governo por lá.
Enquanto isso, em nossa Terra Brasilis, cada instância de governo continua agindo por conta própria, e apenas visando seus interesses de aumentar a arrecadação e o controle sobre a cidadania. Espero que este artigo sirva de alerta para a importância do assunto.