Conforme antecipei na coluna anterior, participei recentemente de um debate sobre experiências americanas em governo eletrônico. Participei de um painel dentro do Congresso do CIAPEM - Comitê de Informática dos Governos Estaduais e Municipais do México, uma organização criada por lei naquele país há cerca de 30 anos. Este Congresso ocorreu, na sua última edição, no mês de setembro na cidade de Veracruz. A próxima edição deve ocorrer em Acapulco em 2008.

No painel em questão, tive a oportunidade de debater e comparar nossa realidade com representantes do México, do Chile e do Canadá.

O governo do Canadá é de longe aquele que mais oferece serviços a seus cidadãos pela Internet. Durante quatro anos consecutivos (de 2002 a 2005), a consultoria global Accenture escolheu o Canadá como o país com a melhor gama de serviços de governo eletrônico a nível mundial.

Resta-nos o ‘consolo’ que o Canadá seja um país do Primeiro Mundo... Mas, mesmo na América Latina, o Brasil está longe de ser líder neste tema. O Chile já completou a implementação da sua primeira ‘agenda digital’. Neste momento, ocorrem intensos debates naquele país sobre qual deveria ser o conteúdo da segunda agenda digital. A informatização dos serviços públicos está praticamente completa. Praticamente toda a população tem acesso aos recursos do mundo digital. Trata-se agora de selecionar as ações que, ao menor custo, terão o maior impacto sobre a qualidade de vida dos cidadãos chilenos. A área de saúde está sendo tratada como um dos pontos focais: o agendamento de consultas e exames via Internet evitará viagens de muitas horas de habitantes de áreas rurais para as grandes cidades.

No caso do México, a situação não está tão evoluída, mas existe uma estratégia nacional definida, chamada de México 2020, desenvolvida pelas associações de classe de TI do México e ‘vendida’ aos candidatos presidencias nas últimas eleições, vencidas por Felipe Calderón. Assim, há uma visão clara de qual seja o caminho a seguir. O próprio evento organizado pelo CIAPEM, com a participação de 4.000 pessoas e sob o lema ‘porque lo nuestro es la atención ciudadana’, reflete o interesse que o assunto desperta junto às várias instâncias de governo por lá.

Enquanto isso, em nossa Terra Brasilis, cada instância de governo continua agindo por conta própria, e apenas visando seus interesses de aumentar a arrecadação e o controle sobre a cidadania. Espero que este artigo sirva de alerta para a importância do assunto.