Qual é a motivação para esta iniciativa?

O setor de Tecnologia da Informação tem uma série de características que o diferenciam de todas as outras atividades econômicas. No entanto, por se tratar de uma atividade econômica relativamente nova, o volume de informações disponíveis sobre o próprio setor é bastante limitado.

A fonte tradicional de informação é baseada na análise das bases de dados de governos. Por exemplo, através de declarações de impostos das empresas (de entrega obrigatória) e sobre seus empregados (também obrigatório em muitos países, incluindo o Brasil), é possível obter dados sobre a evolução do volume de negócios e do emprego no setor.

Outra fonte de informação que tem sido desenvolvida através dos esforços das instituições de estatísticas oficiais, em todo o mundo, é o resultado do programa "Sociedade da Informação", sob os auspícios das Nações Unidas, iniciado há quase duas décadas. Os indicadores gerados por essas fontes, no entanto, concentram-se na avaliação da integração da infra-estrutura tecnológica no dia-a-dia das sociedades de cada país, medindo, por exemplo, o número de usuários de Internet, os computadores a cada cem habitantes e/ou famílias, o percentual de escolas com acesso à Internet, etc.

Uma terceira fonte de informação, amplamente utilizada por grandes empresas globais no setor da Tecnologia da Informação e da Comunicação, consiste em empresas especializadas em pesquisa de mercado para o setor. O objetivo das empresas globais é vender seus produtos a nível mundial; daí decorre que essas pesquisas colocam seu foco em monitorar o desempenho do mercado consumidor, em vez da indústria de TICs. Quando essas empresas globais se interessam em pesquisar as indústrias "locais", geralmente há uma busca motivada pelo interesse em expandir a sua rede de parceiros. Neste caso, os institutos de pesquisa visam apenas as empresas de TI que possuem o perfil almejado pelo player global. Este procedimento não busca construir amostras representativas da realidade de cada país, mas apenas encontrar parceiros convenientes ao patrocinador da pesquisa.

Concluímos, portanto, a necessidade de desenvolver estudos sistemáticos e detalhados da própria indústria TIC, para permitir, por exemplo, que uma determinada empresa possa realizar benchmarking em relação ao resto do seu país, a outro país onde pretenda se instalar, ou a empresas semelhantes a ela.

Há quanto tempo esta iniciativa se desenvolve?

Esta iniciativa surgiu a partir de uma decisão do Conselho de Administração da Assespro Nacional, Brasil, em 2010. Notando que alguns países já tinham iniciado um processo de desenvolvimento de estudos locais (mas que surgiram sem qualquer coordenação, prejudicando a comparabilidade com dados de outros países), trabalhou-se durante todo o ano de 2011 em uma solução para harmonizar os dados entre países.

Em 2012, a primeira experiência concreta de coleta de dados junto a empresas foi lançada com o nome de "Censo Assespro do Setor de TI – Edição 2012": nessa ocasião participaram 360 empresas de 19 estados brasileiros. Os dados publicados como resultados foram baseados nos dados de 285 empresas (desqualificando os restantes 21% em função de alguns erros como, por exemplo, não ter concluído o questionário ou a presenção de incoerências no preenchimento).

Desde 2013, o Censo do Setor de TI é realizado simultaneamente em todos os países filiados à ALETI. Aparte do expressivo número de países envolvidos, essa expansão também exigiu a capacidade de desenvolver o Censo em diferentes idiomas simultaneamente.

Em 2013 participaram mais de 800 empresas de 17 países, enquanto em 2014 atingimos a marca de 1.300 empresas de 19 países.

2015 marca a primeira experiência de expansão da iniciativa para fora da região ibero-americana.

Exatamente quem deve participar?

O objetivo do Censo é estudar as empresas que produzem e/ou vendem produtos e serviços relacionados à Tecnologia da Informação e Comunicações para terceiros.

Portanto, as empresas que desenvolvem produtos ou serviços de TIC exclusiva¬mente para uso interno (e que são chamados de clientes ou usuários pelas empresas TICs) não fazem parte do universo do Censo.

Quais são os benefícios para as entidades participantes?

- Avaliação de Políticas Públicas: esta iniciativa fornece dados que permitem avaliar políticas públicas propostas ou em implementação pelos governos de cada país para o setor de TICs, com comparabilidade internacional, evitando que os governantes tenham que "navegar" em um ambiente de decisões baseadas apenas em opiniões, ou dados restritos a um único país.

- Prestígio Institucional: as entidades participantes passam a ser porta-vozes locais dos dados relativos aos demais países participantes, levando a um ganho de prestígio para todos.

- Riqueza das Informações: a riqueza de informação produzida por esta iniciativa, além de gerar conteúdo inédito e rico a ser trabalhados com o público em geral (por exemplo, através da imprensa), ainda atrai instituições de vários tipos para a rede de relacionamento das associações.

- Informação de Alta Qualidade: ao usar as associações como mecanismo para aceder às empresas, o ponto de contato reside precisamente nos profissionais que representam as empresas junto às associações, que em mais de 90% dos casos são profissionais de primeira linha (com base em medições das primeiras edições da iniciativa).

Nenhuma pesquisa utilizando técnicas tradicionais de institutos de pesquisa de mercado atingiria uma participação tão elevada de executivos sênior.

- Lidar com Demandas Acadêmicas: é comum que os pesquisadores acadêmicos busquem parcerias para realizar pesquisas junto aos membros das associações. O direcionamento sistemático dessas demandas para os membros termina por desgastar a ferramenta: as taxas de participação caem consistentemente em função do simples cansaço. Com esta iniciativa, as demanadas acadêmicas podem ser atentdidas com alguns dos dados já existentes, ou, no pior dos casos, as novas questões propostas pelos pesquisadores podem ser incorporadas ao questionário do censo.

Quais são os benefícios para as empresas participantes?

As empresas participantes são as primeiras a receber os resultados, permitindo-lhes o acesso privilegiado a dados de mercado inéditos.

Opcionalmente, as empresas participantes podem autorizar a utilização das informações (que contribuem sobre seu próprio perfil) para a geração de oportunidades de negócios, incluindo demandas locais de mercado e alianças internacionais, tanto em iniciativas comerciais, como em projetos de pesquisa e desenvolvimento.

Quais países/entidades participaram em 2014?

Em 2014, a iniciativa contou com a participação de 1.280 empresas de 19 países membros de ALETI, graças aos esforços destas associações/organizações:

ACTI - Asociación Chilena de Empresas de Tecnologías de Información

AESOFT - Asociación Ecuatoriana de Software

AHTI - Asociación Hondureña de Tecnología de Información

AMETIC - Asociación de Empresas de Electrónica, Tecnologías de la Información, Telecomunicaciones y Contenidos Digitales (España)

AMITI - Asociación Mexicana de la Industria de Tecnologías de la Información

ANETIE - Associação Nacional das Empresas das Tecnologias de Informação e Electrónica (Portugal)

APESOFT - Asociación Peruana de Productores de Software

ASETI - Asociación Salvadoreña de Empresas de Tecnologías de Información

ASSESPRO - Federação das Associações de Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação

CAMARATIC - Cámara Dominicana de las Tecnologías de la Información y de la Comunicación

CAMTIC - Cámara de Tecnologías de Información y Comunicación (Costa Rica)

CANIETI - Cámara Nacional de la Industria Electrónica, de Telecomunicaciones y Tecnologías de la Información (México)

CAPATEC - Cámara Panameña de Tecnologías de Información y Telecomunicaciones

CASATIC - Cámara Salvadoreña de Tecnologías de Información y Comunicaciones

CAVEDATOS - Cámara Venezolana de Empresas de Tecnologías de la Información

CBTI - Cámara Boliviana de Tecnologías de la Información

CESSI - Cámara de Empresas de Software y Servicios Informáticos de Argentina

CISOFT - Cámara Paraguaya de la Industria del Software

CUTI - Cámara Uruguaya de Tecnología de la Información

FEDESOFT - Federación Colombiana de la Industria de Software

GECHS - Asociación Gremial de las Empresas Chilenas Desarrolladoras de Software

SOFEX - Comisión de Software de Guatemala

Que entidades consideram esta iniciativa como seus dados oficiais?

No Brasil, desde 2013, esta iniciativa foi escolhida como a única coleta de dados desenvolvida de forma sistemática junto às empresas associadas em todo o país.

Em 2014, a Colômbia, o Equador e o Paraguai tomaram a mesma decisão.

Quais novos países podem participar em 2015?

Neste ano de 2015, a participação na iniciativa está aberta a qualquer país que queira participar, em qualquer região do planeta.

Já houve conversas preliminares com entidades representativas da indústria TIC da Armênia, Bangladesh, Bulgária, Cuba, Egito, Eslovênia, Macedônia, Nigéria, Romênia e Taiwan, entre outros.

Quais são os temas pesquisados?

Para contribuir verdadeiramente com a compreensão da realidade das empresas do setor TIC em profundidade, o número de questões abordadas no questionário é significativo. Cada um dos temas descritos abaixo corresponde a um bloco de algumas poucas perguntas: Distribuição Geográfica: o país onde a empresa está localizada (no caso de empresas estabelecidas em vários países, cada subsidiária participa de forma independente), estados (ou províncias) onde se situam a matriz e as filiais da empresa dentro do país;

Oferta Comercial: detalhes dos produtos e serviços de Tecnologia da Informação e Comunicações que a empresa disponibiliza aos seus clientes;

Plataformas Tecnológicas: como cada empresa de TIC depende de tecnologias desenvolvidas por outras empresas, analisamos os tipos de ambientes/sistemas operacionais, gerenciadores de bancos de dados e linguagens de programação, além da integração da oferta com os produtos de empresas globais;

Mercado Alvo: detalhes sobre os tipos de clientes da empresa (incluindo o setor econômico e o tamanho aproximado deles);

Recursos Humanos: Número de profissionais especializados em TIC e outras áreas da empresa (vendas, marketing, etc.), nível de educação (graduação, pós-graduação e certificação profissional); recrutamento e rotatividade, equipes ociosas e demandas reprimidas; investimento em formação;

Estratégias de Negócios: participação em associações e organizações sociais, certificação de negócios, proteção da propriedade intelectual, joint ventures e alianças, o uso de contratos de SLA para serviços, expansão geográfica das empresas;

Internacionalização: volume e variação das exportações, canais utilizados para as exportações, escritórios próprios no exterior;

Inovação: estratégias de inovação, interação com clientes e universidades, gestão do conhecimento, compra e venda de propriedade intelectual, utilização e disponibilidade de tecnologias abertas, participação nas receitas e impacto sobre os lucros;

Pesquisa e Desenvolvimento: quantidade de profissionais e volume de investimentos dedicados a temas de pesquisa em operação e potenciais; para ser abordado por empresas de pesquisa; e

Finanças: Fontes de capital já utilizadas pelas empresas, fontes de capital a serem utilizadas no médio prazo, montante de capital já utilizado, volume e variação das receitas das empresas.

Entre essas questões, não há nenhuma que possa ser classificada como menos importante, o que torna difícil uma simplificação do questionário (que costuma ser um pedido comum de quem avalia a iniciativa pela primeira vez).

Quais são os custos de participação?

Caso uma iniciativa desta natureza fosse operacionalizada pela contratação de uma empresa de pesquisa de mercado com operações internacionais, o custo de implementação ficaria acima de meio milhão de dólares.

Como as entidades empresariais formadas voluntariamente pelas empresas não são capazes de arcar com estes custos, procuramos 'patrocinadores' para o processo.

Atualmente, a coleta de dados pela Web é patrocinada pela empresa SurveyMonkey (www.surveymonkey.com), com sede em Luxemburgo. SurveyMonkey é a maior empresa de coleta de dados pela Web em todo o mundo.

A empresa MBI (www.mbi.com.br), localizada no Brasil, colabora com a elaboração do questionário na Web, a extração e a análise gráfica inicial dos dados coletados. A MBI desenvolve estudos especializados para o setor de tecnologia da informação desde 1990.

Assim, as associações envolvidas se comprometem com o esforço de divulgar a iniciativa para seus membros e demais empresas em seu país ou região, e com o monitoramento delas para alcançar o nível desejado de participação. Na maioria dos casos, esse esforço se dá através de recursos já disponíveis (por exemplo, staff já existentes, agências de prensa, os sites das associações, etc.).

Como é realizada a coleta de dados?

Para incentivar as empresas de TICs a participar, as associações participantes devem desenvolver campanhas de comunicação/publicidade através da mídia e outros meios de comunicação disponíveis (por exemplo, e-mail, redes sociais, eventos específicos, telemarketing, etc.).

A experiência mostra que a taxa de participação das empresas é diretamente proporcional aos esforços dos líderes de cada associação em convencer seus membros a participar.

Este esforço deve motivar as empresas a acessar uma página na Web para responder às perguntas do Censo, que são essencialmente as mesmas para todos os países participantes.

Assim, o esforço de cada uma das associações participantes não guarda nenhuma relação com o tamanho do questionário.

Ainda, são disponibilizadas para cada associação, páginas web seguras que permitem o monitoramento da participação durante o período de coleta de dados. Desta forma, cada entidade pode saber quais empresas de seu país ou região já responderam ao questionário.

Posso exibir o questionário no site da minha entidade?

Sim, a tecnologia Web utilizada permite que o questionário da iniciativa seja exibido dentro de qualquer site usando frames HTML.

Há instruções detalhadas disponíveis sobre a inclusão do código HTML necessário, de acordo com o idioma de interesse (inglês, espanhol ou português).

Qual é o número mínimo de empresas que devem participar?

A iniciativa não exige um número mínimo obrigatório de empresas participantes. Nas primeiras participações, é comum que o número de empresas participantes seja pequeno. Esse número tende a crescer ao longo de edições sucessivas.

No caso específico que se deseje desenvolver uma análise estatística para um país ou região específica, deve se obter um número mínimo de participantes para garantir margens de erro estatísticas aceitáveis: se houver mais de uma centena de empresas TICs no país ou região, então a participação mínima deve ser entre cinquenta e cem empresas.

Para países ou regiões com menos de cem empresas TICs, o mínimo de participação para gerar uma análise local válida se situa entre metade e dois terços do número total de empresas.

Mesmo quando a participação de um país ou região não atinge esses níveis, ainda assim obtemos praticamente todos os benefícios descritos acima.

Em quê idioma se dá participação?

O know-how desenvolvido ao longo dos anos com esta iniciativa permite às empresas responder no idioma local de cada país participante. Após a coleta de dados, todas as respostas são mescladas em um banco de dados único, independente¬mente do idioma usado na entrada de dados.

O questionário está disponível atualmente em inglês, espanhol e português.

A disponibilidade do questionário em novos idiomas depende da tradução do texto de apresentação, perguntas e respostas do questionário, que precisa ser contribuída pelos interessados.

Quais informações ficam disponíveis para minha entidade?

Além da análise geral desenvolvida como parte da iniciativa, todas as entidades participantes têm acesso a toda a base de dados do estudo, com as informações completas das empresas situadas dentro de sua área geográfica.

Assim, além da análise comparativa internacional, cada país ou região pode desenvolver suas próprias análises locais.

Como posso compartilhar as informações coletadas?

As associações participantes podem compartilhar os dados coletados com órgãos governamentais, universidades e agências regionais e internacionais de desenvolvimento (sem a identificação de empresas individuais).

Nestes casos são estabelecidos acordos de cooperação, por meio dos quais as partes interessadas recebem a quase totalidade dos dados coletados. Assim, estes parceiros ganham autonomia para tomar suas próprias análises a partir dos dados, ou de qualquer subconjunto do interesse deles.

Recomenda-se que estes acordos exijam dos parceiros a citação da fonte dos dados utilizados em suas análises, além de comprometê-los a publicar somente resultados estatísticos derivados dos dados.

Isto não só amplia o alcance da iniciativa, mas a publicação de análises com base nos dados coletados pela iniciativa por parte de terceiros ainda serve como reforço positivo para a participação das empresas.

Quantas vezes se repete esta iniciativa?

Para acompanhar a evolução do setor das TICs, a continuidade da iniciativa é fundamental. Por esta razão, a iniciativa é repetida anualmente, de modo a criar uma série temporal de dados (o que permite ainda enriquecer a análise progressivamente ao longo do tempo).

É preciso contrapor isto às iniciativas semelhantes, de caráter comercial, que somente são repetidas quando for do interesse de seus 'patrocinadores'.

Quais são os planos futuros para essa iniciativa?

Com a participação de um número crescente de empresas e países, esperamos alcançar o "sonho" original de fazer que esta iniciativa seja, em alguns poucos anos, verdadeiramente global.

Obviamente, os países que aderiram de forma pioneira se beneficiam mais que os demais.

Participe agora!

Clique aqui para acessar o questionário da edição 2015.