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2011/01 - Pesquisa sobre Práticas de Governança em TI

A pesquisa sobre “Governança em TICs” teve por objetivo avaliar a utilização das disciplinas e metodologias de governança na área de Tecnologia da Informação e Comunicações, por parte das empresas brasileiras. Para tanto, foi submetido um questionário específico sobre o tema aos profissionais de TI de empresas brasileiras, tanto usuárias quanto fornecedoras de tecnologia da informação.

Perfil das empresas participantes

Responderam à pesquisa de forma completa, 117 profissionais, pertencentes a 113 empresas diferentes. As empresas participantes se distribuem por todos os segmentos de atividade econômica. Os setores com a maior representação na amostra são os de fornecedores de TI, Governo e o setor Financeiro.

Em relação ao porte das empresas, pouco mais da metade delas são empresas com faturamento anual superior a cem milhões.

Reforçando o porte das empresas, a questão referente ao número total de funcionários, revela que dois terços delas possuem 500 ou mais funcionários.

Ao questionar as empresas sobre o tamanho das equipes da área de TI, os resultados revelam que apenas um terço destas empresas possui equipes compostas por cem ou mais profissionais.

Como complemento a esta questão, inquirimos sobre a quantidade destes profissionais que atuam em regime de outsourcing.

Os resultados revelam que cerca de um terço do número total de profissionais das empresas atividades atuam em regime de outsourcing.

Finalmente, para avaliar melhor as respostas coletadas, perguntamos sobre a posição ocupada pelos respondentes nas suas empresas:

Chama a atenção a grande participação de diretores e gerentes de TI no total da amostra, o que indica que a temática deste estudo interessa principalmente a eles.

Utilização de disciplinas de governança em TICs

Existe uma grande variedade de disciplinas, metodologias e arquiteturas para auxiliar o processo de governança na área de TI. O segmento correspondente no questionário gerou estes resultados:

Observamos que as respostas selecionadas para todas estas questões foram uniformizadas, de forma a permitir comparações, em função da utilização, rejeição ou previsão de uso de cada abordagem.

O gráfico apresenta as questões ordenadas em função do percentual atingido pela resposta “Em utilização total pela empresa” – na cor vermelha no gráfico acima. A disciplina que obteve o maior percentual para esta resposta foi “Gerenciamento de Projetos”. Acrescentando as respostas “Utilizado Parcialmente” – representadas na cor verde no gráfico – ainda assim, a liderança entre todas as disciplinas permanece com “Gerenciamento de Projetos”.

As cores azul e amarelo representam, respectivamente, as respostas “Pretende usar nos próximos 12 meses” e “Pretende usar futuramente”. A soma destas duas respostas indica o espaço existente para o crescimento do uso de cada disciplina. “Planejamento formal do uso das TICs”, “Práticas de Governança baseadas em ITIL”, “Balanced Scorecard de TIC” e “ISSO 27001” são as que apresentam os maiores valores nesse sentido.

Por outro lado, destaca-se a inexistência de respostas “Pretende usar futuramente” para “Gestão de Serviços de TIC baseada em COBIT”, o que indica certo esgotamento do mercado disponível para esta disciplina. Outra disciplina com características diferenciadas quanto ao crescimento futuro é “Sarbannes-Oaxley”: embora seja a terceira disciplina mais utilizada de forma total pelas empresas, o número de usuários parciais e que estão pensando numa implementação futura é muito pequeno. Sarbannes-Oaxley é específica das companhias de capital aberto, e os resultados indicam que estas empresas, na sua maioria, já se adequaram a esta disciplina. Novas implementações de Sarbannes-Oaxley estariam restritas às empresas que estão em processo de abertura de seu capital, ou que decidam seguir estas normas de forma voluntária – nenhum destes dois grupos é significativo, pelos resultados apresentados.

Esse fato é reforçado pela posição que Sarbannes-Oaxley ocupa em relação ao que chamamos de “índice de rejeição”, que equivale ao percentual das respostas “Não pretende utilizar/Não aplicável”, que indicam que o uso da disciplina foi descartado: por este critério, “Sarbannes-Oaxley” apresenta o quarto maior índice de rejeição, ficando atrás apenas de “Six Sigma”, “Zachman” e “Togaf”, arquiteturas que além de ocupar os três primeiro lugares em índice de rejeição, ocupam as três últimas posições em termos de efetiva adoção.

O maior crescimento previsto, dentre todas as disciplinas avaliadas, fica com a norma ISO 27001, aprovada em 2005, e que prescreve técnicas específicas para o gerenciamento da segurança em sistemas de informação.

Alguns aspectos adicionais

Além das técnicas avaliadas na seção anterior, questionamos as empresas sobre alguns aspectos pontuais, não necessariamente ligados entre si. Por isso, seus resultados são exibidos de forma independente para cada questão (ao contrário do que fizemos para as disciplinas, comparadas entre si na seção anterior).

A primeira questão deste bloco visou identificar a freqüência com que a área de TICs das empresas informa a organização a qual pertencem sobre oportunidades de novos negócios geradas pelo uso de novas tecnologias.

Apenas um quarto das empresas possuem processos implementados na área de TICs para levar este tipo de informação de forma regular e planejada. Outro terço das empresas o faz de forma esporádica, e outro terço o faz apenas quando demandado pela organização. Um pequeno número declara que nunca executa esta função.

Outro aspecto avaliado diz respeito à qualificação e certificação dos profissionais de TI nas técnicas de governança.

Os resultados revelam que nenhuma das qualificações avaliadas está presente em metade ou mais das empresas.

Estes resultados condizem com a avaliação solicitada para o grau de maturidade da Gestão de Serviços de TIC nas empresas dos participantes da pesquisa:

Menos de um terço das empresas declaram estar nos estágios de maturidade chamados de “Gerenciado” e “Otimizado”, onde além da existência de processos definidos e documentados, se exige que as empresas monitorem e meçam a aplicação dos processos no seu dia-a-dia.

Ao questionar as empresas sobre quem é o profissional responsável pela gestão dos serviços de TIC, as respostas foram:

Elas indicam que o profissional mais frequente de deter esta responsabilidade é o CIO – Chief Information Officer, o principal executivo da área de TI. Chama a atenção o fato de que em 11% das empresas o responsável é o principal executivo das empresas; entretanto, estas respostas estão concentradas entre as empresas participantes que são do próprio setor de TI.

Outro aspecto preconizado por diversos fornecedores/consultorias que atuam na área de governança é adoção de soluções, softwares e/ou frameworks específicos para suportar a implementação das disciplinas da governança.

Os resultados revelam que um número pequeno de empresas já usa este tipo de solução, embora chame a atenção que, percentualmente, mais do dobro das empresas estão em processo de implementação – uma indicação de que este mercado está crescendo de forma muito rápida. Por outro lado, outro número equivalente de empresas (aprox. 40%) está considerando a implementação deste tipo de soluções, o que indica que o crescimento acelerado do uso destas soluções não é uma ‘bolha’ que se encerra logo: ainda há espaço significativo para crescer.

O uso deste tipo de soluções está relacionado com a questão seguinte, relativa ao grau de maturidade do uso da Governança de TIC nas empresas.

Os resultados revelam que menos de 30% das empresas se encontram nos estágios mais elevados de maturidade, enquanto mais da metade das empresas ainda não atingiram o estágio de ter estes processos documentados e comunicados.

A comparação desses resultados com a questão relativa à maturidade da Gestão dos Serviços TIC, revela que a maturidade da Gestão é significativamente maior do que a relativa à Governança de TIC de uma forma geral. Este fato revela a estratégia adotada por muitas empresas na implementação da Governança de TIC, que em seus estágios iniciais se foca exclusivamente na gestão dos serviços que a área de TICs fornece para o restante de suas organizações.

Ao questionar sobre quem seja o profissional responsável pela gestão da Governança de TIC nas empresas, os resultados se revelam surpreendentemente semelhantes aos da gestão dos Serviços de TIC:

Essa semelhança é mais uma indicação do grau de maturidade ainda baixo nas empresas, em relação ao tema pesquisado: em organizações mais maduras, a gestão dos serviços TIC costuma ser de responsabilidade de um profissional subordinado àquele que é responsável pela Governança de TICs de uma forma geral. Entretanto, o grau de sobreposição das duas funções nas empresas brasileiras ainda é muito elevado.

Ao questionar as empresas sobre as dificuldades enfrentadas para a implementação das melhores práticas, os resultados revelam que a principal dificuldade está na questão cultural. O uso das disciplinas de Governança de TICs não é apenas a adoção de mais uma tecnologia, ela requer mudanças de comportamento por parte dos profissionais de área de TI – a tendência humana de manter os comportamentos inalterados ao longo do tempo se constitui no principal obstáculo.

Entretanto, essa dificuldade está longe de ser a única relatada. Em segundo lugar aparece a restrição de recursos financeiros dedicados ao processo, seguido pela percepção de complexidade da implementação (que também pode ser entendida como uma questão de não adaptação cultural).

Apenas seis por cento das empresas relatam ter transposto o processo de implementação sem maiores dificuldades. Este número é menor do que os resultados obtidos nas questões anteriores, revelando que uma parte importante das empresas que adotaram as disciplinas de Governança de TICs passou por este processo enfrentando dificuldades.

Conclusões

Os resultados obtidos indicam que as técnicas de governança de TICs estão em franco processo de expansão no país. Entretanto, o percentual de empresas que já adotou um número significativo de disciplinas nesta área ainda é pequeno.

De outro lado, o grau de maturidade no uso dessas disciplinas ainda é baixo. A principal dificuldade das empresas durante o processo de incremento das técnicas de governança é a questão cultural: não basta apenas treinar nas técnicas, métodos ou ferramentas, mas é preciso convencer os profissionais de TI a efetivamente utilizar toda essa bagagem no seu dia-a-dia. O perfil dos respondentes desta pesquisa (na sua grande maioria, executivos de TI) apenas confirma esta conclusão: com a profusão do uso das disciplinas de governança esperamos que no futuro o perfil dos interessados no assunto se torne mais diversificado dentro das empresas.

Esta pesquisa foi contratada pela Impacta Tecnologia, à qual registramos aqui nosso agradecimento.

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