Apresentação

Esta pesquisa, conduzida pela MBI entre os meses de março e abril de 2010, teve por objetivo avaliar os mercados de software de gestão empresarial (ERP), Business Intelligence (BI) e outsourcing em grandes empresas. Foram abordados executivos de TI pertencentes às mil maiores empresas instaladas no país.

A análise a seguir apresenta os dados estatísticos consolidados a partir das respostas de 85 empresas participantes da pesquisa.

Caracterização das Empresas Participantes

As empresas participantes estão distribuídas por diversos setores da economia. Entretanto, é importante ressaltar que todas as empresas participantes do estudo são grandes empresas, cujo negócio não é voltado para a área de Tecnologia, isto é, a Tecnologia da Informação é uma ferramenta ou um meio, e não a atividade fim, destas empresas. 

Quantidade de Colaboradores na área de TI

A primeira questão analisada representa o tamanho das equipes de TI destas empresas:

A Figura revela que as equipes de TI são, na média, relativamente pequenas: dois terços das empresas possuem no máximo duas dúzias de profissionais de TI. Este é um forte indicativo da quantidade de funções de TI que já foram terceirizadas por estas empresas.

Quantidade de Colaboradores na área de Sistemas

Ao questionar sobre o número de colaboradores que atuam primordialmente na área de sistemas (isto é, que dispendem a maior parte de seu tempo em funções relacionadas ao desenvolvimento de sistemas), obtivemos estes resultados:

A fatia inicial, de 14%, corresponde às empresas que optaram por terceirizar completamente o desenvolvimento de sistemas, ou usar apenas pacotes prontos. Apenas 15% das empresas possuem equipes com dezesseis ou mais profissionais na área de desenvolvimento de sistemas. A média se situa ao redor de cinco profissionais.

Ambiente Tecnológico

Parte do questionário da pesquisa foi dedicado a levantar as características do ambiente tecnológico das empresas, incluindo, entre outros, a utilização de softwares de ERP, BI, bancos de dados e linguagens de programação.

ERPs Implementados

As empresas foram questionadas em relação aos softwares de ERP já implementados nas empresas (isto é, desconsiderando produtos em fase de implementação).

A liderança da SAP neste mercado, confirmada pela pesquisa, não se constitui numa surpresa, assim como a segunda posição ocupada pela Oracle. Entretanto, a presenção da Totvs e Microsoft em terceiro e quarto lugares, assim como as citações obtidas pela Senior, são um fato novo neste mercado: estas empresas se posicionam no mercado como fornecedoras de software para o mercado de empresas de porte médio. Sua penetração no mercado de grandes empresas pode ser vista como uma tentativa destes clientes em reduzir seus custos com os softwares de ERP.

A soma dos percentuais de todos os fornecedores é ligeiramente superior a 150%, indicando que as empresas possuem, em média, pouco mais de 1,5 soluções de ERP (ou módulos de fornecedores diferentes) implementadas.

BI integrado ao ERP

Na sequencia, questionamos as empresas sobre a utilização de software de Business Intelligence. A pergunta foi formulada de forma a questionar sobre o uso deste tipo de software enquanto integrado com os softwares de ERP, isto é, caso o Business Intelligence não seja utilizado com os dados do ERP, ele não foi levado em consideração.

Os resultados indicam que a liderança da SAP, quanto a ERPs, foi transferida para a área de BI: o percentual de usuários do BI da SAP é igual aos dos usuários da sua solução de ERP. Já no caso da vice-líder Oracle, o percentual de usuários do seu BI é ligeiramente superior ao dos usuários de ERP, indicando que existem algumas empresas usuárias do BI da Oracle, que utilizam uma solução de ERP de outros fornecedores.

Já quando comparamos estes índices com os fornecedores de ERPs de porte médio detectados no item anterior, verificamos que a Microsoft (dona do SQL Server, com uma suite completa de ferramentas de BI), consegue que cerca de 80% dos usuários de seu ERP também usem suas ferramentas de BI. Já no caso da Totvs, a “fidelidade” ERP x BI é de apenas 50%.

É importante destacar, também, a participação de mercado dos fornecedores de BI que não possuem qualquer solução de ERP, como é o caso da Clikview, Business Objects, Microstrategy, Hyperion e Discover. Somadas, elas possuem presença em pouco mais da metade do mercado.

A soma dos percentuais de todas as soluções nos permite concluir que o número de soluções de BI por empresa atinge uma média de 1,7, ligeiramente superior à média atingida na categoria dos ERPs.

Sistemas Operacionais

No intuito de completar o cenário tecnológico em uso pelas grandes empresas, foi solicitada a indicação dos três principais sistemas operacionais a dar suporte aos software aplicativos em uso na empresa:

A soma de todos os percentuais indica que a média de sistemas operacionais citados pelas empresas é de 2,3: esta média é superior ao número de ERPs ou de BIs, por exemplo, e um sinal da complexidade do ambiente operacional destas empresas. Este número é ainda mais relevante porque não leva em conta os sistemas operacionais utilizados nas estações de trabalhos e nos dispositivos móveis em uso pelas empresas.

O sistema operacional mais citado pelas empresas é o Windows Server (nas versões 2003 ou 2008), seguido pelo Linux. Ambos são focados em equipamentos de “plataforma baixa”, indicando que estes equipamentos são hoje a espinha dorsal da infra-estrutura da maioria das grandes empresas: este fato é corroborado pelos 25% das empresas que citaram a utilização de mainframes.

A liderança da Microsoft, somando-se os percentuais de todas as versões do Windows, lhe confere um índice de presença de 82% nas empresas. A soma de todas as versões corporativas do Unix (IBM AIX, HP/UX e Sun Solaris) atinge 69% de participação. Já o Linux foi citado por 41% das empresas.

Bancos de Dados

Para completar a infra-estrutura tecnológica, investigamos o uso dos sistemas gerenciadores de bancos de dados:

Os resultados revelam que a liderança da Oracle, como fornecedora destes sistemas para as grandes empresas, continua intocada. Sua participação no mercado é mais do dobro da sua participação no mercado de ERPs, indicando que há um número significativo de empresas que optam pelo banco de dados da Oracle, mas usam soluções de ERP de outros fornecedores.

O segundo e terceiro lugar, em termos de participação no mercado de bancos de dados, são ocupados respectivamente pela Microsoft e a IBM, com seus produtos SQL Server e DB/2. A comparação da base de usuários de ERPs da Microsoft com a do SQL Server indica que a sinergia que a Microsoft consegue entre ambos tipos de produtos é ainda menor que a obtida pela Oracle. Finalmente, convém lembrar que a IBM não comercializa soluções próprias de ERP.

Dentre as soluções do mundo do software livre, a mais citada foi o MySQL, com presença em 20% das empresas. As demais ofertas livres se misturam num grupo de oito produtos diferentes que possuem entre 2 e 5% de participação no mercado.

A média de bancos de dados por empresa se situa em 2,1, ligeiramente abaixo da média para os sistemas operacionais.

Linguagens de Programação

Apenas para aquelas empresas que desenvolvem sistemas, solicitamos ainda que informassem quais as linguagens de programação em uso:

Os resultados indicam que a linguagem Java é a que possui a maior participação de mercado. Entretanto, ela responde por apenas um quinto do total de linguagens de programação em uso, mostrando o quanto este mercado está fragmentado. De outra parte, se considerarmos a soma dos percentuais de todas as linguagens que são ofertadas pela Microsoft, obtemos um percenutal de 66% de participação.

A média de linguagens de programação citadas pelas empresas é de 2,44, uma dica importante da complexidade média dos ambientes de desenvolvimento (superior a dos sistemas operacionais).

Dentre as linguagens vindas do mundo do software livre, apenas PHP ocupa uma posição significativa: é a quarta linguagem mais citada, com 22% de participação no mercado.

Chamamos a atenção também que as duas linguagens posicionadas como sendo de maior uso (Java e C/C++) são linguagens conhecidas pelo alto custo de manutenção dos códigos fonte dos programas, em comparação, por exemplo, com linguagens do tipo RAD (desenvolvimento rápido) ou 4GL (de quarta geração). Como as empresas são usuárias de tecnologia (isto é, desenvolvem seus aplicativos para uso interno), existe aqui certamente uma oportunidade para o aumento da produtividade do desenvolvimento (embora saibamos que a substituição de uma linguagem de programação seja uma tarefa das mais difíceis!).

A dificuldade de se migrar de uma linguagem de programação para outra é corroborada pela presença da linguagem Cobol, com 19% de participação no mercado, praticamente a mesma do início da década (logo após a introdução maciça dos ERPs no mercado, fortemente impulsionados pelo medo do “bug do milênio”).

Investimentos e Certificações Internas

Esta parte da pesquisa visou identificar a movimentação das empresas em seus investimentos na área de TI.

Percentual do faturamento investido em TI

Para poder avaliar o tamanho do investimento total em TI, por parte das empresas, solicitamos que identificassem, por faixas, a relação entre o orçamento total da área de TI e o faturamento bruto das empresas.

Os resultados mostram que pouco mais da metade das empresas adotam até dois por cento de seu faturamento bruto como orçamento da área de TI. Existe um grupo de empresas, que chega a quase 10% do total, que adotam um orçamento equivalente a quatro ou mais por cento do seu faturamento. Este percentual representa um número bem agressivo diante da média do mercado, seja em comparação com esta pesquisa, ou com outros levantamentos.

Investimentos previstos para 2010

Diante da crise financeira global deflagrada em fins de 2008, o ano de 2009 foi um ano de forte contenção de despesas por parte das grandes empresas. Diante dessa realidade, questionamos sobre o direcionamento dos investimentos previstos para 2010.

Os resultados revelam que 92% das empresas consultadas pretendem efetuar investimentos ao longo de 2010. Entretanto, chama a atenção que o ítem que recebeu o maior número de citações é a adequação ou manutenção de sistemas já existentes.

Em média, cada empresa que pretende efetuar investimentos, selecionou 1,3 opções dentre as quatro apresentadas no questionário.

Investimento em novos sistemas para 2010

Na sequencia, questionamos as empresas sobre a participação dos novos projetos de desenvolvimento de sistemas, em comparação com o investimento total em desenvolvimento (isto é, o percentual restante se destina a manutenção ou adequação dos sistemas legados).

Os resultados revelam que mais da metade das empresas pretendem investir no máximo dez por cento de seu orçamento de sistemas no desenvolvimento de novos projetos. Contrasta, entretanto, o fato de que cerca de 4% das empresas pretendem investir mais da metade de seu orçamento em novos sistemas. O valor médio das empresas, calculado para 2010, resulta num valor de 15% do orçamento de desenvolvimento dedicado a novos sistemas. Este percentual é inferior aos valores tradicionais observados para este indicador, sinal de que os efeitos da crise financeira global ainda não ficaram totalmente para trás.

Certificações da área de TI

Nesta questão visamos identificar as certificações que as empresas possuem internamente para suas áreas de TI.

Os resultados obtidos indicam que há apenas dois tipos de certificação em uso pelas áreas de TI: 38% das áreas de TI consultadas são certificadas pela ISO 9000, enquanto outras 28% das áreas consultadas possuem certificação CMMi. Enquanto a ISO 9000 é uma certificação genérica, que atesta a qualidade dos processos, a CMMi certifica os processos específicos de desenvolvimento de sistemas. Esta certificação se subdivide em quatro níveis, numerados de 2 a 5 (sendo esta última a forma mais alta de certificação, atingida pelo menor número de empresas).

Cabe observar que a norma brasileira de certificação dos processos de desenvolvimento de sistemas, criada no contexto do sistema Softex e denominada mps.br, não foi citada por nenhuma destas grandes empresas entrevistadas. Isto se deve provavelmente ao foco do Softex em disseminar sua norma, de aplicação mais barata que a CMMi, apenas nas empresas do próprio setor de TI. Entretanto, talvez se constitua numa alternativa para os quase dois terços das empresas, que desenvolvem sistemas mas não possuem nenhuma certificação específica para esta atividade.

Certificação dos profissionais

A última questão referente à certificação das equipes de TI, se baseia nos programas de certificação profissional dos fornecedores, que buscam atestar a competência técnica dos profissionais que atuam nas empresas (em vez de certificar as empresas), como forma de garantir aos seus clientes que seus produtos serão operados por profissionais preparados para fazé-lo da forma adequada.

Assim, questionamos as empresas sobre a presença de profissionais certificados pelos programas dos fornecedores, sem entrar no mérito sobre a quantidade de profissionais certificados por cada programa.

Os resultados indicam que até o momento nenhum dos fornecedores consegui atingir mais da metade das empresas com seus programas de certificação profissional. Os programas mais bem sucedidos são os da Oracle, Microsoft e SAP, que conseguiram atingir, respectivamente, uma parte dos profissionais de TI em 42, 38 e 35% das empresas. Fora estes, apenas as certificações da IBM e da Cisco tiveram percentuais acima de dez por cento.

A soma dos percentuais indica que a média de profissionais certificados em algum destes programas, é, por empresa, próximo a dois.

Terceirização e Certificações Externas

A seção final do estudo se focou na terceirização de algumas funções de TI e as exigências feitas aos potenciais fornecedores, em termos de certificação.

Funções de TI terceirizadas

Ao questionar as empresas sobre as funções de TI que estão sendo atualmente objeto de outsourcing, foram obtidos os resultados ilustrados na figura a seguir:

Eles revelam que nenhuma das funções de TI avaliadas é objeto de outsourcing em metade ou mais das empresas. A função mais citada como objeto de outsourcing é a área de desenvolvimento de sistemas, seguida pelo suporte à infra-estrutura de banco de dados, à gestão de segurança da infra-estrutura de TI e o suporte à infra-estrutura de sistemas operacionais.

Uma avaliação estratégica destas funções, em termos de seu potencial para agregar vantagem competitiva às empresas, vai na direção contrária dos percentuais obtidos na pesquisa: as funções de suporte à infra-estrutura não possuem potencial para diferenciar a empresa no mercado, entretanto são objeto de outsourcing com menos frequencia que o desenvolvimento de sistemas (que possui este potencial).

Certificação exigida dos fornecedores

Como complemento da questão anterior, perguntamos às empresas sobre as exigências que são feitas aos fornecedores, em termos de certificação, para que possam participar dos processos de outsourcing.

Os resultados revelam que as exigências efetuadas aos fornecedores de outsourcing, em relação à ISO 9000, são semelhantes a quantidade de empresas que possuem esta certificação internamente.

Entretanto, quando se trata de fornecedores de outsourcing em desenvolvimento de sistemas, a soma dos percentuais dos quatro níveis chega a 36%, quase um terço acima do percentual atingido pelas empresas com suas equipes internas de desenvolvimento de sistemas.

Podemos interpretar os resultados acima como uma indicação de que no caso da ISO 9000 ela é exigida, basicamente, dos fornecedores de outsourcing para empresas que já possuem esta certificação (de forma que o conjunto dos processos internos e terceirizados continuem cobertos pela norma). Já no caso da certificação CMMi, a exigência feita aos fornecedores de outrsourcing é significativamente superior ao nível de certificação interno das empresas, indicando que esta certificação acaba sendo usada como um fator de diferenciação dos fornecedores de outsourcing de desenvolvimento de sistemas.

Conclusões

Os resultados da pesquisa revelam que a terceirização das funções de TI, por meio de serviços de outsourcing, é uma realidade incontestável entre as grandes empresas. O uso deste tipo de serviço tem sido estendido inclusive ao desenvolvimento de sistemas, embora este pudesse ser utilizado como diferencial competitivo pelas empresas.

Por outra parte, existe ainda um grande potencial de desenvolvimento da atividade de outsourcing, visto que nenhuma das funções estudadas é objeto de terceirização por metade ou mais das empresas.

O ambiente tecnológico das grandes empresas é um ambiente de TI bastante complexo, o que exige que os potenciais fornecedores de outsourcing tenham um grau significativo de preparação: as exigências por certificação dos fornecedores são mais rigorosas do que as exigências que as empresas fazem para suas equipes internas de TI.

Patrocínio desta pesquisa de mercado

Esta pesquisa foi patrocinada pela Ilegra (www.ilegra.com) , empresa que atua desde 2002 na prestação de serviços nas áreas de desenvolvimento e infra-estrutura de software, incluindo testes. Atualmente é parceira credenciada da Microsoft, da Oracle e da SAP.

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