Software é uma das opções estratégicas da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE) do governo brasileiro. Trata-se de um setor dinâmico, que possui um papel central dentro do cenário de convergência das tecnologias de informação e comunicação. O software contribui para as inovações nas mais variadas áreas de atuação: medicina, educação, gestão empresarial, telecomunicações, entre outras, potencializando externalidades positivas na economia.

Segundo Hoch et al. (2000), para o sucesso de uma empresa de software (representado pelo crescimento e resultados financeiros), o produto deve ser bom, mas é a gestão da empresa que faz a principal diferença, tanto em termos de pessoas que a empresa retém, bem como das ações que a gerência executa. O sucesso depende do balanceamento de liderança, gerência de pessoas e desenvolvimento, bem como de marketing e parcerias. Nas empresas bem sucedidas, a existência de líderes visionários, sozinhos ou em equipe, capazes de criar uma cultura corporativa desafiadora e atraente é fundamental para atrair os melhores programadores. A existência de processos estruturados de programação é essencial para evitar perdas e aumentar a produtividade. Para alcançar e manter uma posição de liderança global, assim como para tomar a posição estabelecida de líderes, marketing de excelência é o elemento mais crítico. Segundo os autores, o futuro da indústria mostra um enorme crescimento, proporcional ao tamanho dos desafios gerenciais que enfrentará.

Por outro lado, cresce – tanto no ambiente acadêmico quanto no mundo empresarial – a convicção de que os indicadores financeiros são insuficientes para se apreender o desempenho de uma empresa. Recentemente, até as grandes empresas de auditoria –PricewaterhouseCoopers, Deloitte, KPMG e Ernst & Young – defendem que os atuais balanços financeiros trimestrais sejam substituídos por informes em tempo real, com uma gama ampla de indicadores de desempenho, que podem incluir: satisfação dos consumidores, defeitos em produtos e serviços, rotatividade de funcionários e concessão de patentes (JOPSON, 2006). Nesse contexto, metodologias como o Balanced Scorecard ganham espaço.

O presente estudo tem o objetivo de apreender as características da gestão de empresas brasileiras de software, inclusive o seu desempenho do ponto de vista do desempenho balanceado, que considera não apenas o aspecto financeiro, mas também o do aprendizado, dos processos e dos clientes. No que diz respeito à gestão, construíram-se os seguintes construtos: Planejamento e controle baseado em benefícios, Direcionamento de recursos humanos, Direcionamento para o Futuro, Manutenção do relacionamento com o cliente e Maturidade do processo de software. Desenvolveu-se pesquisa de campo junto a 166 firmas do setor, e realizou-se análise das informações a partir de técnicas estatísticas multivariadas, tais como: análises fatorial, de conglomerado, discriminante, de correspondência e de correlações. Os resultados indicam que, dentre os construtos de gestão, o que mais se correlaciona com os resultados percebidos é o de Direcionamento para o futuro.

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