Uma das metas da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação – Assespro é criar indicadores confiáveis sobre o mercado de TI e ajudar a elaborar políticas públicas de incentivo à inovação e ao desenvolvimento de novas tecnologias. A organização vem trabalhando na segunda edição de um estudo, em parceria com a MBI e a Monkey Survey, no qual alguns resultados já podem ser analisados, como é o caso do avanço dos serviços de TI no Brasil.

Na visão de Roberto Mayer, vice-presidente da Assespro, se antes, os serviços de tecnologia eram vistos com ressalvas pelos players, hoje, estão se tornando a saída para novos negócios. Segundo Mayer, a aposta das empresas de TI na área de serviços se dá pela pouca exigência de mão de obra especializada, além de investimentos menores se comparados aos departamentos de P&D.

Um dos exemplos mais proeminentes no País é a TOTVS, que empregou planos agressivos de crescimento, como a aquisição dos principais concorrentes, e hoje é a maior empresa de softwares do Brasil. “As empresas mais agressivas agregam portfólio por meio de aquisição de outras desenvolvedoras, já as inovadoras, geralmente pequenas, crescem devido à qualidade dos serviços e produtos ofertados”, diz o VP da Assespro.

Outro motivo pelo qual os serviços de TI vêm avançando é o tamanho do território nacional, que habituou principalmente as pequenas empresas de TI a atuar em um único ecossistema de clientes locais, dispensando gastos com desenvolvimento de portfólio pra públicos maiores. “Esse caso exemplifica os players menos ousados, preocupados com os riscos econômicos”, aponta o executivo.

Para ele, embora a estratégia de serviços com número limitado de consumidores, utilizado pelas empresas menos corajosas, tenha a capacidade de prover redução dos riscos financeiros, existe outro modo de produção de soluções e serviços de TI, considerado mais inteligente e que visa à geração de ofertas para todo o mercado. “Essa prática envolve mais ameaças econômicas aos negócios e exige mais mão de obra, porém, o retorno financeiro pode ser significantemente maior”, afirma Mayer.

O papel do funcionário

O estudo da Assespro também destacou o ganho anual das empresas relacionado aos profissionais de TI. 30% dos players nacionais chegam a faturar mais de R$ 100 mil por colaborador de Tecnologia da Informação, sendo 65% dessas companhias situadas na região Sudeste do País.

“Apesar do valor proporcionado à receita da organização, o profissional de TI ainda enfrenta muitas dificuldades para se firmar no mercado”, diz Roberto Mayer. Segundo ele, como os cursos profissionalizantes oferecidos pelas grandes desenvolvedoras quase não existem mais, o técnico em TI acaba fazendo das pequenas empresas uma escola, gerando rotatividade dentro dos ambientes de trabalho.

Outras tendências registradas pelo levantamento é o aumento da globalização da TI, possibilitada graças à quebra de fronteiras físicas entre consumidores e fornecedores de tecnologia. O cloud computing, por exemplo, tem o papel de fomentar o desenvolvimento da inovação tecnológica com o objetivo de aumentar o volume de ofertas de serviços e produtos ao mercado.

Publicado originalmente em
http://www.decisionreport.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=14897&sid=29