Cresce número de profissionais brasileiros de TI que vão trabalhar no exterior

O número de pessoas que conhecem algum profissional brasileiro de TI que foi trabalhar fora do país em alguma empresa, entre 2003 e 2009, subiu de 23% para 53%, segundo pesquisa encomendada à MBI pela Impacta Tecnologia, centro de treinamento e certificação em TI.

Segundo o estudo, Estados Unidos, com 50%, e Canadá, com 18%, continuam sendo os principais destinos dos brasileiros, seguidos por Espanha (12%). Cerca de 17% das empresas estimam que esses profissionais retornarão em até três anos, e o mesmo percentual acredita num prazo de até dez anos.

Entre os profissionais contratados para trabalhar no exterior, 26% foram procurados por headhunters ("caçadores de talentos") ou empresas de recrutamento no Brasil, e 21% por empresas no exterior. Apenas 20% enviaram currículo com interesse em trabalhar em outro país.

De acordo com Rodolfo Ohl, diretor do MonsterBrasil.com, subsidiária do Monster, site global de recrutamento e seleção on-line que também opera no Brasil, empresas do Canadá, dos EUA e da Europa têm recrutado profissionais fora de seus países, e o Brasil tem sido uma das fontes. "Recentemente, tivemos o anúncio de uma vaga da Microsoft para desenvolvedor de software, para trabalhar na Irlanda", exemplificou o executivo.

Para saber o que leva as pessoas a quererem trabalhar fora do país, a empresa avaliou os seguintes fatores: possibilidade de ganhos maiores, realização de estudos, conhecimento de outras culturas e segurança pública.

Com notas de zero a dez, a pesquisa de 2003 mostrou que o motivo principal era a realização de estudos, com média de 8,8. Na seqüência, a possibilidade de ganhos maiores, com nota de 8,4. Já neste ano, a busca por uma remuneração maior aparece no topo da lista, com 64% de votos, enquanto que oportunidade de crescimento ficou em segundo lugar, com 58%.

Outro aspecto levantado pelo estudo diz respeito ao convite para trabalhar no exterior. Comparando os dados de 2003 e 2009, o número de profissionais predispostos a emigrar não foi tão diferente, mas a quantidade de pessoas que descartam a hipótese de trabalhar no exterior subiu de 3% para 11%.

Entre os profissionais das empresas selecionadas que foram entrevistados, 87% ainda não trabalharam no exterior. Dos 13% que já tiveram alguma experiência em outros países a maior parte retornou ao Brasil por não terem seus contratos renovados.

O levantamento consultou executivos de cem empresas de médio e grande porte, escolhidas aleatoriamente.

Em relação à contratação de profissionais de informática pelas empresas no Brasil, houve um aumento entre aquelas que estão na categoria de médio e grande porte. Cerca de 19% das equipes dessas empresas têm de um a três anos, mas a maioria das equipes de TI foi formada há mais de cinco anos.

"A pesquisa demonstra claramente o potencial do Brasil enquanto exportador de mão-de-obra especializada em TI e também a capacidade do país, ainda pouco explorada, de formar novos profissionais no segmento", avaliou Célio Antunes, presidente do grupo Impacta Tecnologia.

Conteúdo republicado a partir de http://www.tiinside.com.br/News.aspx?ID=127742&C=265