Plano de carreira ainda não é realidade na área de TI

O Exin, instituto holandês independente e sem fins lucrativos, que desenvolve, organiza e realiza exames educacionais na área de tecnologia da informação, encomendou a pesquisa “Perspectiva do Investimento no Profissional de TI”, com o objetivo de mapear a qualificação da capacitação humana no setor de tecnologia da informação no Brasil. A principal conclusão do estudo realizado pela MBI, sob a coordenação de Roberto Mayer, aponta que 58,9% dos profissionais entrevistados não há plano de carreira definido.

"Estes dados confirmaram minha percepção de que a área de TI não se preocupa em definir uma estratégia de desenvolvimento profissional como acontece com outras áreas dentro das organizações", afirma Luciana Abreu, gerente regional do EXIN no Brasil. "O dado de 58,9% somado aos 39%, que indicam que boa parte dos investimentos na profissionalização está destinada para treinamentos técnicos, corroboram apenas a necessidade de suprir um vácuo imediato do setor e não de se preparar uma futura carreira para o profissional".

Altos valores de investimentos destinados para a área de TI já fazem parte desse cenário: 31,1% investem de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por ano; 28,9% de R$ 100 mil a R$ 1 milhão e 16,1% de R$ 10 milhões a R$ 100 milhões. A boa qualificação dos profissionais também: 45% deles são pós-graduados, principalmente em informática e administração, do alto grau de experiência, 65% tem entre 11 e 30 anos de mercado, e da fluência em inglês, 34,4%.

Entre os profissionais entrevistados, apenas 43,3% afirmam que a empresa onde trabalham possui um CIO. Diante desse panorama, 13,3% dos diretores estão na instituição entre 11 e 30 anos, mesmo exercendo outras funções anteriormente, e 10,6% estão há, no máximo, cinco anos. Aqueles que exercem a função há no máximo cinco anos, somam 17,3%. De forma geral, 22,2% dos CIOs construíram suas carreiras dentro da área de TI. No governo, este número passa para 50%, 46,2% em infra-estrutura e 42,9% em finanças.

"As conclusões feitas pelos entrevistados apontam para uma visão de que o mercado oferece oportunidade a quem está há muito tempo na casa, ou, quando isso não é possível, traz o profissional de outras empresas e segmentos, ao invés de preparar e formar suas equipes para os postos de liderança", alerta Luciana.

Porém, o estudo aponta ainda um alto índice de empresas que não possuem CIO, 56,7%. "As companhias brasileiras, principalmente as de pequeno e médio porte, ainda não entenderam a importância de se ter um diretor de tecnologia da informação que irá também olhar para o negócio da empresa", analisa Luciana. Do universo das empresas que não possuem CIOs, encontram-se companhias de segmentos diversos como indústrias (55,1%), atacado e varejo (54,5%) e setor agropecuário (42,9%), principalmente.

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