Especial: O mérito, a visão e a sorte de Bill Gates

Uma análise do perfil do co-fundador da Microsof provida por consultores de TI e negócios que atuam no mercado brasileiro:

Bill Gates deixará o dia-a-dia da Microsoft em julho. Apesar de o anúncio datar de dois anos atrás, somente agora o mercado parece se dar conta do fato. Um dos nomes mais importantes na história recente da tecnologia da informação, o co-fundador da Microsoft, Bill Gates, passa seu último dia como funcionário integral da Microsoft nesta sexta-feira (27/06), e sai para se dedicar à sua fundação filantrópica.

Gates continua como presidente do conselho da companhia que co-fundou e à qual seu nome, sua imagem e sua carreira estão integralmente associados. Ele deixa aberta a possibilidade de se envolver em projetos estratégicos, que requeiram sua participação. A transição de Gates foi conduzida de maneira suave: há dois anos, ele anunciou a aposentadoria e desenhou a liderança da Microsoft, composta por Steve Ballmer como CEO, Craig Mundie como Chief Research e Strategy Officer e Ray Ozzie no posto de Chief Software Architect.

Quem é Bill Gates?

Nascido William (Bill) H. Gates, em 1955, em Seattle, deixou a universidade - nada menos que Harvard - aos 21 anos para dedicar-se à Microsoft junto a Paul Allen. Sorte, destino, visão e habilidade foram os ingredientes que se misturaram, e é impossível chegar a um consenso sobre qual deles foi mais forte. Fato é que a empresa cresceu rapidamente, criando um novo paradigma de se fazer negócios com tecnologia. Em 2007, a companhia faturou US$ 51,12 bilhões. 

Gates foi eleito o homem mais rico do mundo por 13 anos, até 2007, de acordo com o reconhecido ranking da revista Forbes. Uma fortuna avaliada em US$ 58 bilhões. Atualmente, o posto é ocupado por Warren Buffett, e Gates está em terceiro, atrás de Carlos Slim. A seguir, confira uma análise do perfil de Bill Gates, provida por consultores de TI e negócios que atuam no mercado brasileiro e acompanharam a emergência da Microsoft de e seu líder.

"Bill Gates foi um dos grandes revolucionários da história do mercado de tecnologia, pelo que desenvolveu não apenas como produto, mas como conceito de empresa. Seu trabalho fez com que todas as empresas tivessem de repensar suas prioridades e estratégias", comenta Sergio Lozinsky, consultor de gestão empresarial da Booz&Co. Ele pontua o fato de a Microsoft ter ficado associada à idéia de "criar a tecnologia para todo mundo, a informação na ponta dos dedos, conforme slogan defendido pela própria empresa", apesar de não ter sido pioneira em tal desdobramento. A popularização da informática foi um processo do qual e a companhia participou como uma das protagonistas, ao tirar partido de um movimento que acontecia ao seu redor.

De fato, Bill Gates e a Microsoft não criaram nem inventaram as tecnologias sobre as quais seu domínio se erigiu, como relembra Pedro Bicudo, sócio da TGT Consulting. "Ele não foi responsável pelo computador pessoal, nem pelo software, pelo browser nem a linguagem de programação web. Mas sua importância foi grande em uma relação inovadora", comenta. 

Para Roberto Carlos Mayer, presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet (Assespro-SP) e diretor da MBI, trata-se de um executivo inteligente e perpicaz, cujo grande mérito foi fazer a conexão entre a visão de negócios ao mesmo tempo em que soube se cercar de profissionais altamente competentes em conhecimento técnico, questão que ele tem a humildade de reconhecer que não tem. Mayer chegou a conhecer Bill Gates pessoalmente, quando ele visitou o País antes de se estabelecer a subsidiária brasileira. "Conversamos sobre compiladores", conta o brasileiro. 

"Bill Gates foi um visionário", elogia Robert Ilse, diretor-executivo de soluções de tecnologia da BearingPoint, consultoria de TI e negócios parceira Microsoft. Em sua opinião, o fundador da Microsoft é o tipo de pessoa que pensa à frente de seu tempo sobre as coisas que estão acontecendo ao seu redor, referindo-se à idéia de Gates de explorar pelo software uma nova oportunidade de se usar o computador, em comparação com as máquinas de grande porte que ditavam a TI até então.

Como ser humano, suscetível a erros e defeitos, Gates já foi alvo de toda sorte de admiração e crítica. Mas na opinião dos analistas consultados, a percepção positiva se sobressai. O fato em si de deixar a Microsoft para dedicar-se à filantropia, além da imagem de pessoa simples, estampada no sorriso singelo, por trás dos óculos característicos, compõe uma figura singular, com forte referência ao tradicional "nerd" da TI. 

"Ele é também um daqueles líderes conhecidos por arregaçar as mangas e trabalhar junto com a equipe", observa Lozinsky. O que, segundo o consultor, inspira confiança nos produtos e na empresa. "O trabalho de filantropia lhe confere um papel mais político, passa uma imagem de figura pública associada a outras áreas além da tecnologia."

Conteúdo republicado a partir de http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=49161