O incerto destino dos sistemas operacionais

Os SOs proprietários são defendidos a ferro e fogo pelos fabricantes a caminho da plataforma Itanium. Do outro lado, Microsoft, Sun e adeptos do Linux colocam-se, cada um a sua maneira, como uma alternativa para as constantes mudanças do mercado.

Cresce em ritmo acelerado a adesão à plataforma Itanium, principalmente entre os fabricantes de equipamentos Risc. Compaq, IBM, HP e Caldera continuam investindo em seus ambientes Unix, apesar da insegurança dos usuários quanto ao futuro dos sistemas operacionais proprietários. A pergunta que não quer calar é: até quando essas empresas vão continuar investindo em SOs proprietários, ao invés de aderirem a uma plataforma aberta? E qual será o destino desses sistemas frente a instrumentos influentes no mercado como o Windows, o Linux e o Sun Solaris?

Para facilitar o suporte e o gerenciamento do parque de tecnologia das corporações, a heterogeneidade de sistemas operacionais tem diminuído. A média de SO nas empresas brasileiras ficava em 2,7. Esse volume deve chegar a apenas dois sistemas, apontando uma tendência mundial de otimização, de acordo com o Relatório Brasil Software, divulgado pela MBI.

Especialistas afirmam que o problema ainda evidente, quando se fala de Itanium, é que não existe um sistema operacional forte que o suporte – apesar de a maioria dos fabricantes de Risc garantir que seus sistemas estão prontos para a plataforma. Entre os fornecedores é consenso que disponibilidade de operações, segurança e confiabilidade vão garantir a permanência do Unix no mercado. Mas isso não é tudo.

Os aplicativos dos sistemas operacionais, sejam esses proprietários ou não, é que vão definir a escolha dos usuários. Além disso, a cultura Unix é muito arraigada e as corporações sabem que a maioria das aplicações de missão crítica ainda não foi portada para sistemas operacionais abertos, o que dificultaria qualquer processo de migração, ou o uso de opções mais acessíveis em termos econômicos, como o Linux.

Compaq, IBM e HP dão como certa a manutenção dos investimentos em seus próprios sistemas, principalmente pelo fato de uma infinidade de empresas ter acreditado no que estavam comprando. “Os aportes já realizados pelas corporações têm que ser preservados”, frisa Carlos Salgado, diretor de assuntos corporativos da Compaq Brasil.

A Sun Microsystems é mais radical nesse ponto, e se intitula como a alternativa para a instabilidade do mercado. “Os fabricantes que estão aderindo ao Itanium não sabem o que vai acontecer no futuro. Se a Intel mudar de estratégia, mais uma vez os usuários correm o risco de sofrer os males da descontinuidade de plataformas”, ressalta André Echeverria, diretor de marketing da Sun.

Já os defensores do Linux insistem no fato de os desenvolvedores de sistemas proprietários perderem na transparência e na velocidade do desenvolvimento. “O Linux é uma conseqüência da globalização, das empresas terem que se falar e da necessidade de abertura”, avalia Marco Antônio Carvalho, diretor comercial da Caldera VAD (Value Added Distributor).

No caso da Microsoft, a redução da necessidade de customização e manutenção, por meio da adoção de apenas um sistema operacional em todo o parque de TI (Tecnologia da Informação), é defendida até o último bit. De armas em punho, cada fabricante continua acreditando no próprio modelo.

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