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Resumo

Artigo publicado no portal IT Forum 365 no dia 7 de fevereiro de 2017, analisando como a Internet das Coisas é, em parte, consequência da necessidade de vender mais CPUs do que existem mãos humanas para operá-las.


Como operar CPUs sem seres humanos?

Ao longo das últimas seis décadas, o número de CPUs em operação no planeta Terra tem crescido sistematicamente a um ritmo de cerca de dez vezes por década. O processo de miniaturização contínua implementado pelos engenheiros eletrônicos responsáveis pela sua concepção e fabricação, já permitiu vender algo como dez bilhões destes dispositivos para toda a humanidade.

Os computadores de todos os tipos, assim como os smartphones, são operados por seres humanos usando, em geral, as mãos. Assim, mesmo levando em conta que muitas pessoas possuem mais de um computador ou smartphone, os fabricantes de CPUs já sabem há algum tempo que breve terão vendido mais CPUs do que o número de mãos disponíveis em nosso planeta.

Esta é apenas uma das várias razões que resultaram na proposta de criação da chamada “Internet das Coisas”, a aplicação de verbas de pesquisa e desenvolvimento no tema, e, embora ela ainda esteja na sua infância, ela é crucial para continuar a alavancar as vendas de CPUs: ao instalar CPUs em máquinas e dispositivos que as possuiam antes, como carros, lâmpadas, geladeiras, entre muitos outros, o mercado potencial para as CPUs foi ampliado em pelo menos duas ordens de grandeza.

A implementação efetiva da Internet das Coisas também depende da disponibilidade de telecomunicações generalizadas: se estas CPUs não serão operadas por mãos humanas, elas terão de se comunicar com outras CPUs usando algum tipo de protocolo de rede. Assim, a ampla disponibilidade de acesso a Internet é outra razão crucial para a adoção da Internet das Coisas.

Desenvolvedores experientes de software sabem que a medida que cada nova 'onda' de CPUs (veja a figura) foi introduzida pelos fabricantes de hardware, foram criadas novas oportunidades para software aplicativo. Ao mesmo tempo, as técnicas de produção de software têm ficado para trás sistematicamente em comparação com o ritmo de desenvolvimento de hardware: de outra forma não existiriam ferramentas de gestão de ‘backlog’ de software.

Como esta "invasão das CPUs" incrementará ainda mais a demanda por software, estamos criando um ambiente especial no qual (como já dito antes por um conhecido guru) "o software está comendo o mundo" (o que supõe que ele possa ser desenvolvido no prazo, com a qualidade e as funcionalidades necessárias).

Ideias inovadoras que resultam na criação de novos softwares estão por detrás de iniciativas de inúmeras empresas startup, em todas partes do mundo.

É verdade, porém, que este cenário de hardware e telecomunicações se torna cada vez mais desafiador para os desenvolvedores de software: ataques de negação de serviço provenientes ou destinados a dispositivos de Internet das Coisas já aconteceram. E este é apenas um dentre muitos outros requisitos que o software para este novo ambiente deverá atender.

Nós analisaremos cada um destes requisitos, um a um, em artigos futuros.


Publicado originalmente em
http://www.itforum365.com.br/blogs/mercado/invasao-das-cpus

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