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2009/02 - Information Week, Política de TI - Precisamos de uma estratégia nacional em TI

 

2009/02 - Information Week, Política de TI - Precisamos de uma estratégia nacional em TI

Texto publicado originalmente por Roberto C. Mayer na edição de fevereiro de 2009 da revista Information Week.

Ninguém questiona que ao longo da última década o uso da TI evoluiu de forma muito significativa em nosso país. Seja pelo número de PCs em uso, pelo número de internautas, pelo número de websites, por qualquer indicador que analisarmos revelará um crescimento de fazer inveja a muitos outros países. Ao mesmo tempo, temos em andamento um processo de consolidação de empresas (com risco de novos monopólios, segundo alguns), um uso significativo de software livre (que chama a atenção no mundo todo), um crescimento importante do número de profissionais de TI que trabalham para os vários níveis de governo, em contraposição a um nível crescente de terceirização da área pelas grandes empresas privadas, etc.

Obviamente não é possível resumir o quadro todo apenas em um artigo. Meu objetivo aqui é alertar para uma questão que não está sendo debatida adequadamente: como país, quais são nossos objetivos com a TI? Há 15 anos que o Banco Mundial incentiva os países menos desenvolvidos a criar estratégias nacionais de TI como forma de encurtar a distância que os separa dos países desenvolvidos.

Ao fizermos esta pergunta simples: “qual o objetivo?” àqueles que são responsáveis pelas políticas nacionais na área, tipicamente encontramos dois tipos de respostas. Existem aquelas que são bonitas, mas genéricas demais (p.ex. “queremos melhorar o grau de inclusão digital da população”), e existem ações cujos objetivos acabam sendo dispersos (p.ex. com a existência de programas de criação de telecentros ou assemelhados por parte de inúmeros níveis de governo, sem coordenação entre eles, sem avaliação, etc.).

Acredito que esteja na hora de trabalharmos para encontrar respostas “às perguntas que não querem calar”, mas que até agora foram formuladas apenas nos corredores, e não nas mesas onde as decisões são tomadas. Cito apenas algumas, a título de exemplo. Se você leitor quiser contribuir com outras, serão bem-vindas!

Qual é a vocação nacional, em termos de produção de bens e serviços de TI, seja para o mercado nacional, seja para exportação? Em quais deles somos competitivos no cenário global? Em quais deles ainda não somos, mas poderiamos ser competitivos globalmente (e deveriam, portanto, ser foco de subsídios, pesquisas aplicadas, etc.)?

Qual é o perfil dos profissionais de TI que precisaremos ter no mercado dentro de 10 a 15 anos? A modificação de curriculuns do ensino superior é lenta, como todos sabem. Mas se não soubermos o quê deve mudar, apenas manteremos a insatisfação das empresas com os formandos, destes com o mercado de trabalho, e dos professores com este.

Não deveriamos usar a TI para facilitar a vida de todos os cidadãos, inclusive para facilitar seu relacionamento com o estado? Apenas LAN houses e telecentros são suficientes para isto? Como deve evoluir o backbone de dados para que a banda larga seja universal e acessível (ou não queremos isto)?

Os questionamentos acima são apenas alguns exemplos dos que devem servir de base para planejarmos claramente o futuro para a TI como nação. Por meio de uma estratégia clara, de longo prazo, obteremos resultados muito melhores da aplicação dos recursos da sociedade (sejam do orçamento público, do tempo dos voluntários envolvidos, etc.). É preciso deixar de operar apenas em reação aos problemas que surgem como pedras no caminho, para passar a sermos protagonistas da história. Somente assim as promessas da TI poderão render os frutos que desejamos para toda a sociedade.

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