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Resumo

Texto de autoria do Subtenente Jocélio Santiago Andrade: "Este é um dos grandes assuntos que contribuem para formação, fortalecimento da identidade local. O Brasão de armas, bem como a bandeira é para cada localidade um verdadeiro patrimônio cívico, cultural, educacional e material de cada cidadão."


Nota: As ideias, conceitos, expressões e imagens contidas neste artigo podem ser reproduzidas parcial ou totalmente, sem necessidade de autorização prévia, desde que seja incluida uma citação da fonte - veja como fazer isto corretamente abaixo, sob o título "Como Referenciar este Artigo".

Acompanhados ainda da família, igreja, espaço físico, escola e política; patrimônio, de todos os cidadãos, desenvolvendo em cada um, valores e representatividade histórica, cívica, cidadã.

Em linhas gerais devem apresentar as seguintes peças: o Escudo (1), a Coroa Mural (2), o Listel (3) e os Apoios (4).

Figura 01 - Principais Peças e Significados em um Brasão das Armas de Localidade

Figura 02 - Medidas Gerais da Coroa Mural, Escudo, Listel e Apoios

Entendamos o que cada peça representa dentro de uma perspectiva histórico-geográfica:

1. Escudo - Base Territorial da Localidade

Com modulação de 06 x 06 módulos; divido em seções nominais, zonas nominais, zonas numéricas, subzonas numéricas; apresentando ainda os seguintes pontos: ponto de honra (PH) e umbigo (UMB) localizados, respectivamente nos centros das subzonas numéricas 15, 16 e 21, 22 (PH) e 27, 28 e 33, 34; isto tudo equivale ao centro do coração e ao centro da ponta, conforme figura 07.

Figura 03 - Seções Nominais do Campo do Escudo I

Figura 04 - Seções Nominais do Campo do Escudo II

Figura 05 - Zonas Nominais do Campo do Escudo

Figura 06 - Zonas Numéricas do Campo do Escudo

Figura 07 - Subzonas Numéricas do Campo do Escudo, com PH e UMB

1.1. Escudo - Formas Tradicionais e Não Tradicionais

Após análise positivista de cerca de cinco mil imagens de brasões de armas e bandeiras de localidade brasileiras verifiquei a predominância, creiamos que por força de “colonização”, do escudo português, também chamado de boleado, espanhol, flamengo, ibérico e peninsular.

Existem claro, ainda as tradicionais formas: francesa e variações, polonesa e variações, circular, inglesa, oval, quadrada, suíça, lisonja, alemã, ogival, e os não tradicionais, postos em escudo: triangular, estrelar, engrenagem, mapa do município, mapa do estado, livro, coração, hexágono, pergaminho, seringueira, bandeirola, chaminé, cuica, cruzes diversas, Cruz de Cristo, diamante, esmeralda, tarro, módulo de Vauban.

Como principal arma heráldica em qualquer tipo de brasão devendo ocupar posição central; porém há brasões de armas em localidades brasileiras que o não traz na sua constituição. Sabemos do destaque em qualquer brasão por isso não se admite outra peça com maior ênfase, maior forma física, fato também observado; o escudo por si só define um brasão em termo conceituais, porém não é suficiente capaz de representar um brasão de armas, no tudo, tão pouco um brasão de localidade no seu todo. Ele é a expressão maior do território (espaço); espaço definido, por e a partir de relações de poder.

1.2. Escudo - Proporções

Há várias proporções para o campo do escudo, adotaremos aqui a proporção: 6 x 6 módulos, assim sendo, torna o campo do escudo perfeitamente, dividido em 36 (trinta e seis) subzonas numéricas, conforme figura 7. Alguns escudos são desenhados na proporção 8 x 7 módulos; 9 x 7 módulos e ainda 6 x 5 módulos.

1.3. Escudo Versus Método LOCPARCAM

O método LOCPARCAM consiste na localização a partir das partes denominadas zonas nominais do campo de forma precisa das figuras, honrarias internas e peças heráldicas existentes, no campo do escudo, daí o nome LOCPARCAM.

Criado em 27 de fevereiro de 2014, após longos anos de pesquisas e trabalhos heráldicos voltados para correta localização, identificação de figuras, honrarias internas e peças, do campo do escudo.

Ele tem como ferramental principal aplicada ao campo do escudo da Grelha LOCPARCAM, que após aplicada ao campo possibilitará na construção de brasões de armas seja qual for o tipo, a correta posição de cada peça, e a leitura exata da posição dela dentro do campo do escudo, após concluído sua construção facilitando e dando maior exatidão na leitura heráldica dos brasões de armas.

Como nosso tema trata-se de brasão de armas de localidades, observamos que administrações chegam e se vão, os anos passam, as pessoas também, por isso o método possibilitar a construção perfeita e exata dos símbolos máximos de cada localidade, com isso evitaremos erros grosseiros nos desenhos dos brasões quanto a localização das peças no campo do escudo.

1.4. Da Grelha LOCPARCAM

Grelha LOCPARCAM ferramenta utilizada sobre o campo dos escudos e que a partir da colocação dela sobre o campo toda pessoa terá a possibilidade de localizar qualquer figura, honraria interna e peça, de forma correta e precisa.

Ela consiste de “um jogo da velha” identificado a partir das zonas nominais do campo, como podemos ver abaixo. Com a criação do método possibilitou-se o aperfeiçoamento da “Leitura heráldica” do campo dos escudos, através da localização exta de cada peça no campo. Divisão da grelha LOCPARCAM, conforme abaixo:

I - Cantão direito do chefe;

II - Centro do chefe;

III - Cantão esquerdo do chefe;

IV - Flanco direito;

V - Centro, Abismo ou Coração;

VI - Flanco esquerdo;

VII - Cantão direito da ponta;

VIII - Centro da ponta;

IX - Cantão esquerdo da ponta.

1.4.1. Aplicação da Grelha LOCPARCAM sobre vários campos de escudos

1.5. Classificação dos Escudos por Região do Brasil

2. Coroa Mural - A Localidade e suas Categorias Político-Administrativas

Misto de coroa com muralha. Possui dois aros lisos sem arestas de pedraria, o superior maior que o inferior; oito torres ameiadas (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), cada torre com duas ameias, uma porta e duas janelas, da direita para esquerda de quem porta o brasão, conforme S (sentido de contagem das torres) presente na figura 8; As arestas da pedraria das torres como do lanço de muralha são lavradas em branco, plano de fundo 1, mais escuro 50%; as torres das extremidades (1) e (5) aparecem de perfil, porém também possuem uma porta e duas janelas e sua condição por está de perfil faz com quer se aviste apenas metade da porta e uma janela. Perceba que as torres das extremidades da coroa não poderão passar em comprimento de uma linha vertical tracejada a partir dos flancos do escudo criando-se assim a área de sombra da coroa com o bordo superior do escudo tudo conforme figura 8; sua altura e comprimento serão a medida de 1/3 do campo do escudo, conforme figura 16.

Figura 08 - Modelo de Coroa Mural.

O formato das portas e das janelas será de acordo com cada realidade; porém é interessante que haja um motivo, se possível, para os formatos que aparecerão na futura coroa mural; já os esmaltes das portas segue a tradição se, a coroa for de ouro, janelas e portas serão de goles (vermelho) se de prata, janelas e portas serão de sable (preto).

Quando a coroa tiver oito torres, com cinco em perspectiva, e lanço de muralha com arestas de pedraria lavradas em branco, plano de fundo 1, mais escuro 50%, esmalte dos tijolos de ouro, as portas e janelas terão esmalte de goles, a categoria administrativa será capital federal ou capital, conforme ilustrado na Figura 13.

Quando a coroa tiver oito torres, com cinco em perspectiva, e lanço de muralha com arestas de pedraria lavradas em branco, plano de fundo 1, mais escuro 50%, esmalte dos tijolos de prata, as portas e janelas terão esmalte de sable, a categoria administrativa será sede de comarca e de município ou sede municipal, conforme ilustrado na Figura 14.

Quando a coroa tiver seis torres, com quatro em perspectiva, e lanço de muralha com arestas de pedraria lavradas em branco, plano de fundo 1, mais escuro 50%, esmalte dos tijolos de prata, as portas e janelas terão esmalte de sable, a categoria administrativa será sede distrital, digo sede da vila, conforme ilustrado na Figura 15.

Quando a coroa tiver quatro torres, com três em perspectiva, e lanço de muralha com arestas de pedraria lavradas em branco, plano de fundo 1, mais escuro 50%, esmalte dos tijolos de prata, as portas e janelas terão esmalte de sable, a categoria administrativa será sede de aldeia ou povoado, conforme ilustrado na Figura 16.

Não é de boa Heráldica ter uma coroa mural faltando ameias, portas ou janelas. “Pela porta sou hospitaleiro, pela janela e ameia sou vigilante” (ANDRADE, J.S. 2015) . E ainda em esmalte diferente dos previstos, amarelo ou branco.

Figura 09

Figura 10

Figura 11

Figura 12

Analisando as figuras 9, 10, 11 e 12 que se trata de ilustres e respeitosos Brasões de Armas de Localidades Brasileiras; você seria capaz de informar a partir da forma e do esmalte das coroas murais qual a categoria administrativa de cada uma, bem como o nome de cada localidade e qual o Estado que ela se localiza, a partir dos listeis? Se você respondeu Fortaleza/CE, Uiramutã/RR, Minador do Negão/AL e Santana/AP, parabéns.

Ao longo de nosso artigo vamos possibilitar ferramentas as quais vão lhe capacitar a reconhecer a partir da coroa mural e listel se a localidade é Capital Federal, Capital, Sede de Comarca e Municipal, Municipal, Distrital, Aldeia ou Povoado e qual seu nome e Estado de Localização.

2.1. Coroa Mural - Formas, Esmaltes e Dimensões

Figura 13 – Forma para Capital Federal e Capital

Figura 14 – Forma para Sede de Comarca e de Município, Sede Municipal

Figura 15 – Forma para Sede Distrital

Figura 16 – Forma para Sede de Aldeia ou Povoado

A Figura 17 especifica um esquema feito em escudos portugueses para sabermos as corretas dimensões de uma coroa mural quanto ao comprimento e a altura; notemos que pelo esquema ela deverá caber completamente dentro da medida de 1/3 do campo de seu escudo (06 x 06 módulos) e poderá se localizar no chefe, faixa e ponta.

Figura 17 - Esquema para saber as dimensões em altura e comprimento de uma coroa mural

Conforme a categoria administrativa será apenas dois, os esmaltes das coroas murais: - amarelo (ouro na Heráldica) e branco (prata, na Heráldica), se, sede de Capital Federal ou Capital, esmalte amarelo (ouro) e para as demais, prata.

Por tradição e finalidade será sempre colocada pousada no bordo superior do escudo. A presença da coroa mural em um brasão de armas identifica-o como um brasão de localidade, esta é a finalidade principal dela; será a expressão maior da própria Localidade, isto é, ao observá-la seremos capazes de definir também a categoria da localidade, a partir da sua forma e esmaltes. Suas dimensões serão conforme figura 2 e 8.

Figura 18 – Esmaltes para Coroas Murais

2.2. Coroa Mural - Decreto-Lei nº 311, de 2 de março de 1938

Existem no Brasil, desde o ano de 2013, 5.568 municípios cujos seus nomes derivam dos distritos sedes. Duas áreas contabilizadas comumente como municípios, possuem "status especial": - Brasília/DF se constitui num único Distrito Federal, dividido antigamente em cidades-satélites e atual em 31 regiões administrativas, conforme Lei nº 4.545/64 e - Fernando de Noronha/PE, que possui status de Distrito Estadual, conforme a Constituição Federal de 05-Out-1988, Existem ainda 4.738 localidades, classificadas em sedes distritais ou vilas conforme o IBGE, 2014. Adicionalmente, há dezenas de milhares de aldeias, assentamentos, povoados e outros tipos de núcleos populacionais, mapeados em primeiro lugar pela ANATEL, na medida em que estes núcleos recebem acesso ao sistema nacional de telecomunicações.

A Unidade de Divisão Territorial (UDT) chamada município é dividida em distritos, sendo o distrito sede, a cidade e os demais distritos, as vilas. No mesmo distrito não haverá mais de uma vila.

Para cada localidade deverá existir apenas um brasão de armas e uma bandeira.

Após o Decreto-Lei nº 311, de 2 de março de 1938, as localidades brasileiras passaram a ser classificadas de cidade quando sede de municipal, e vila quando sede distrital.

E a partir da Resolução PR-68, de 31 de agosto de 1988, para uso do IBGE em seus levantamentos estatísticos ficou estabelecido a seguinte classificação e definição de tipos de localidades:

I – Capital Federal; II – Capital; III – Cidade; IV - Vila; V – Aglomerado Rural e VI – Aldeia Indígena.

Ainda, conforme a resolução acima “localidade é todo lugar do Território Nacional onde exista um aglomerado permanente de habitantes”.

2.3. Coroa Mural - Coronel, Estrela, Sol, Lua, Animais, Listel, Virol, Nome da Localidade

O Bordo Superior é destinado exclusivamente, como o local em um brasão de armas de localidade à coroa mural; após analisarmos aproximadamente 3.000 (três mil) brasões de armas, constatamos as seguintes peças heráldicas, postas em coroa mural: - coronel; estrela (não sendo o sol), sol, lua, águia, aves diversas, fênix, leão, felinos diversos, anta, bovinos, peixes, cruzes, flor de lis, listel, Armas Nacionais, edificações, serras, índio, cocar, jangada, Mapa de Estado, Nome da Localidade, virol etc.;

Foi também verificado um grande número de brasões que não possuem a coroa mural e outros com esmalte diferente do previsto, ouro ou prata. As Figuras 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26 e 27 exibem, respectivamente, os brasões de Rio Branco/AC, Palhano/CE, Manaus/AM, Pedreiras/SP, Pesqueira/PE, Belém do Piauí/PI, Benjamin Constant do Sul/RS, Ipueiras/RN e Belém/PA.

Figura 19 - Coronel Posto em Coroa Mural

Figura 20 - Estrela Posta em Coroa Mural

Figura 21 - Sol Posto em Coroa Mural

Figura 22 - Lua Posta em Coroa Mural

Figura 23 - Águia e Virol Postos em Coroa Mural

Figura 24 - Listel Posto em Coroa Mural

Figura 25 - Brasão de Armas sem Coroa Mural

Figura 26 - Brasão de Armas sem Coroa Mural

Figura 27 - Brasão de Armas sem Coroa Mural

3. Listel - Certidão de Nascimento da localidade

Faixa retangular bifurcada nas extremidades, que por tradição será sempre colocada na base do brasão e não, posta em coroa mural, em apoios e ainda no campo do escudo. Ela deverá permanecer a uma distância de 0,5 módulos do bordo inferior sem jamais cobri-lo, para que não se crie dúvidas na hora do reconhecimento do tipo de escudo presente; escudos como o francês, o quadrado, o português são diferenciados um do outro, pelo bordo inferior, tendo seus bordos superiores idênticos.

Figura 28 - Modelo de Listel

Possui por esmalte habitual e tradicional, o branco (prata, na Heráldica), o qual é um metal. Servindo de base física para os apoios do brasão. Suas dimensões seguem a Figura 9: dez módulos.

Como Certidão de Nascimento da Localidade deverá constar nele, todos os dados existentes, identificativos, qualificativos, motivantes e históricos de cada localidade.

Dividi-los-emos em primários e secundários.

Serão considerados primários identificativos e históricos: o nome da localidade; o estado onde se localiza; as datas de fundação, elevação à vila e emancipação.

E Secundários motivadores e qualificativos: a divisa, o lema e a alcunha.

Não poderão deixar de constar nos listeis, jamais, os registros primários.

Figura 29

Figura 30

Figura 31

Figura 32

Figura 33

As Figuras 29, 30, 31, 32 e 33 são nobres e respeitosos Brasões de Armas de Localidades Brasileiras, respectivamente Douradina/PR, Boa Viagem/CE, Goiânia/GO, Pelotas/RS e Tupã/SP. Você seria então capaz de identificar em cada brasão os elementos primários e secundários?

Creio que você não pode identificar a presença em cada brasão, de todos os elementos, primários e secundários.

Vejamos então, como procederemos para resolver esta questão dado a dado.

3.1. Nome da Localidade (/) Barra, Sigla do Estado

Desde a criação da primeira Cidade Brasileira – Salvador, em 1549, já surgiram mais 5569 cidades, totalizando atualmente 5570, sem falar ainda, nas mais de 4738 vilas existentes, potenciais cidades no futuro.

Você sabia que no Brasil ocorre um fenômeno na nomenclatura das cidades e vilas, onde 505 (quinhentos e cinco) nomes de cidades apresentam-se idênticos, em diferentes Estados brasileiros, isto é, são nomes homónimos, dentro do universo de 5570 cidades existentes e 899 (oitocentos e oitenta e nove) nomes de vilas apresentam-se também idênticos, em diferentes Estados brasileiros homónimos, dentro do universo de 4738 vilas existentes atualmente?

Como isso surge a necessidade de informar o Estado da localidade para que não haja confusão na correta localização de cidades; por exemplo, Água Boa, uma está no Estado de Minas Gerais e a outra?, ela estará no Estado do Mato Grosso; vejamos o quanto é importante termos a identificação de cada cidade com seu respectivo estado, não só em brasões de armas, como em trabalhos, textos, notícias separados por uma (/)...

Então como ficaria escrito agora o nome: letras maiúsculas acompanhado de uma (/) seguida da sigla do estado onde se localiza o município, dentro do conjunto dos 26 (vinte e seis) estados existentes no Brasil atualmente; com a sua fonte do tema (ou equivalente) e esmaltes das letras e dos contornos ficando a critério de cada cidade;

Não se podendo ferir a tradição, as leis e princípios da Heráldica, pois o listel terá por tradição seu campo preenchido por um metal, o branco (prata, na Heráldica), logo a fonte do tema (ou equivalente) e esmaltes das letras e contornos, não poderão ser de outro metal, quer dizer poderão, porém o heraldista saberá como proceder neste caso.

3.2. Datas Máximas (-) Hífen e (/) Barra

Serão formadas por dia, mês e ano ou apenas por ano conforme figura 9.

Sejam de forma extensa ou abreviada elas serão relacionadas à História de cada localidade, digo cidade.

Quando por extenso (12 de Dezembro de 1952) indicam-se o dia e o ano em algarismos arábicos e o mês pelo nome correspondente tendo sua primeira letra escrita de forma maiúscula; nem dia, nem mês ou ano deverão ser escritos, por algarismos romanos.

Quando abreviadas (12-12-1952; 12/12/1952; 12.12.1952), os três elementos constituintes do evento histórico serão expressos ainda em algarismos arábicos e aparecerão separados por hífen, barra ou ponto.

Escolhemos em nosso artigo o uso do hífen na forma abreviada, tendo em vista que poderão ocorrer dificuldades quando o algarismo “1” (um) terminar um registro e for grafado em itálico com a “/” (barra) inclinada.

Conforme a norma culta o primeiro dia do mês – ao contrário dos demais que são expressos na forma cardinal – é sempre indicado pela abreviatura do número ordinal:

- 1º/11/98;

- 1º de fevereiro de 1915;

- 1º-1-2000;

Não se utiliza o zero à esquerda dos numerais que indicam dia e mês nem se usa ponto para separar os algarismos que expressam ano;

Não se utiliza a forma abreviada da data quando só se faz referência a ano ou a mês e ano:

- 1980; 2001;

- agosto de 1937;

- janeiro de 1989;

- junho de 1891;

- abril de 1713;

Ao observarmos as Figuras 34, 35, 36, 37, 38 e 39 que exibem nobres Brasões de Armas de Localidades Brasileiras, cuidado para não se confundirem “Dezesseis de Novembro/RS, Primeiro de Maio/PR, Quinze de Novembro/RS, Três de Maio/RS e Treze de Maio/SC” não são suas "datas máximas", na verdade tais expressões são verdadeiramente seus próprios nomes de localidades.

Figura 34 - Dezesseis de Novembro/RS

Figura 35 - Primeiro de Maio/PR

Figura 36 - Quinze de Novembro/RS

Figura 37 - Três de Maio/RS

Figura 38 - Treze de Maio/SC

Seja qual for à maneira, vejamos como ficaria em cada brasão as datas máximas:

- Quando escritas por extenso seus números e letras terão fonte do tema (ou equivalente) e esmalte fonte do tema e dos contornos a critério de cada cidade; não podendo ferir a tradição, as leis e princípios da Heráldica. O listel por tradição tem seu campo preenchido por um metal, o branco (prata na heráldica), logo esmalte da fonte do tema (ou equivalente) e dos contornos, não poderão ser de outro metal.

- Quando escritas abreviadamente seus números terão a fonte do tema (ou equivalente) e esmalte a critério de cada cidade; não podendo ferir a tradição, as leis e princípios da Heráldica. O listel por tradição tem seu campo preenchido por um metal, o branco (prata na heráldica), logo o semblante e esmalte dos números, bem como contornos, não poderão ser de outro metal.

Em ambos os casos acima teremos ao final de cada registro, seja por extenso ou abreviado em seu canto superior esquerdo, sobrescritas a estes, as letras maiúsculas: F - Fundação, V - elevação à Vila e E - Emancipação (Instalação), como os exemplos abaixo:

- 1912F (leitura desta data 1912 Fundação)

- 1938V (leitura desta data 1938 elevação à Vila)

- 12 de dezembro de 1952E (leitura desta data 1952 Emancipação)

- 12-12-1952E (leitura desta data 1952 Emancipação)

3.3. Divisa, Lema e Alcunha

Divisa e Lema - são ideias expressas por uma frase ou oração, escritas em Latim, as quais servem de guia (direção), motivação para uma localidade.

Mas por que em Latim? As origens dos brasões de armas datam da Idade Antiga e, sobretudo, Média. Na Idade Média, o Latim foi a língua culta da sociedade dominante por isso chegou aos lemas e divisas de nossos brasões de armas de localidade.

Alcunha ou apelido – afirmação que se relaciona com, a localização geográfica, características físicas, econômicas da localidade; necessariamente, não precisa estar escrita, em Latim.

Divisa, Lema e Alcunha deverão está no listel do brasão de armas, caso o município queira colocar mais de um listel, não o impede, porém deve-se buscar sempre apresentar o brasão de armas de sua cidade, se possível, apenas com um listel.

4. Apoios – Personagens Sagrados, Religiosos, Históricos, Mitológicos, Naturais, Artificiais/Econômicos

São os personagens religiosos (sóstenes), históricos (sóstenes e tenentes), econômicos (suportes) da localidade; este último podendo representar os vários setores da econômia; os apoios contribuíram ou contribuem para a criação, desenvolvimento, crescimento, sustentação, segurança e proteção da localidade, conforme Figura 10.

Terão a forma de figuras humanas e mitológicas (Sóstenes e Tenentes) e Suportes (figuras naturais, nativas ou introduzidas de animais, vegetais, minerais; objetos, ferramentas, maquinários, instrumentos), todas relacionadas direta ou indiretamente com a localidade detentora do brasão de armas.

Por tradição serão colocados ao lado do escudo e não atrás, porém no Brasil consagraram-se os apoios postos na coroa mural e no campo do escudo.

Na descrição de seus esmaltes usa-se a expressão “de sua cor” (expressão que serve para designar as peças que estão na sua cor própria, aplicando-se às montanhas, a alguns animais, vegetais, etc.).

Sóstenes e Tenentes seguram o brasão e não se apoiam neles tendo como pontos comuns na hora de segura o escudo a área no bordo superior que reflete a sombra da coroa mural, distantes a 0,25 módulos dele.

Animais tanto à destra quanto à sinistra permanecerão postos aos lados em posição batalhante ou dorsal em relação ao escudo, distantes a 0,25 módulos dele.

Vegetais tanto à destra quanto à sinistra permanecerão postos aos lados, como se do listel tivessem nascidos e a uma distancia simetria ambos os lados de aproximadamente 0,25 módulos.

Objetos tanto à destra quanto à sinistra permanecerão postos aos lados distantes a 0,25 módulos

Deve-se evitar colocar os apoios por trás do escudo para que quando da descrição dos apoios não haja dificuldades na identificação e descrição.

Os apoios tem o listel como sua base física; os vegetais, caso haja raízes deverão ficar por trás dos listeis não devendo aparecer suas raízes acima dos mesmos, podendo assim serem considerados arrancados, caso isso aconteça.

Sagrados: o Espírito Santo de Deus, também chamado de Divino Espírito Santo ou simplesmente, Divino, representado por uma Pomba ou Línguas Repartidas de Fogo; Jesus e suas várias formas de nomes, lembranças e representações como a cruz, o cruzeiro, a sigla IHS, o coração com ou sem chagas, cravos; a Bíblia; Arcanjo; Anjo; José ou São José e suas várias formas de nomes, lembranças, representações; Maria ou Santa Maria e suas várias formas de nomes, lembranças, representações; Santos; Santas e suas várias formas de lembranças e representações;

Religiosos: as várias Ordens Religiosas; Objetos; Ferramentas; Acessórios relacionados a uma religião;

Históricos: em vários segmentos: política, literatura, elementos relacionados a conquista, construção, defesa e manutenção territorial;

Mitológicos Nativos ou Introduzidos: ciclope; unicórnio, grifo, cobra grande;

Naturais, se Nativos ou Introduzidos da Fauna, da Flora, da Geologia;

Artificiais/econômicos em vários setores: agricultura; pecuária, indústria, da construção; dos transportes: rodoviário; ferroviário, hidroviário, aeroviário; energética e suas várias matrizes; comércio; serviços, todos relacionados com a localidade através da Crença; Credo, Fé, Religiosidade, Espírito Cristão, História, Geografia, Fauna, Flora, Economia.

No Brasil existe uma categoria especial de sóstenes, os chamados sóstenes de coroa e de campo do escudo, consagrados em brasões de armas de certas localidades por aparecerem, na coroa mural ou no campo do escudo.

Algumas vezes poderemos observar brasões de armas de localidades com apoios sendo empregados de forma mista: - sóstenes com tenentes; - sóstenes com suportes; - tenentes com suportes.

Figura 39 - Modelo de Apoios

Como Referenciar este Artigo

Para citar este artigo, use este formato, recomendado pela ABNT:

ANDRADE, J.S. Brasão de Armas de Localidade, 2015. Disponível em: http://www.mbi.com.br/mbi/biblioteca/tutoriais/brasao-armas-localidade/. Acessado em: (complete com a data que acessou o artigo)

Exemplo de aplicação das idéias apresentadas neste artigo

Assista a seguir ao vídeo criado pela prefeitura municipal de Timon, do Estado do Maranhão, que descreve o processo de modernização do seu brasão, desenvolvido recentemente com base nos conceitos descritos neste artigo:

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Publicado em: Timon (MA) - Brasil

Referências Bibliográficas deste artigo

ALVES, Derley Halfeld. Bandeira nacional, históricas e estaduais. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2011, 254 p.: il. – (Edições do Senado Federal; v. 155);

ANDRADE, J.S. O Brasão de armas de localidade: patrimônio cívico, cultural, educacional e material, na cidade pós-moderna;

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_______. Lei complementar nº 46, de 21 de agosto de 1984. Fixa normas sobre repetição de topônimos de cidades e vilas, incorporadas ao texto da Lei Complementar nº 1, de 9 de novembro de 1967. Brasília/DF, Congresso Nacional, 1984. Disponível em: ˂http://www4.planalto.gov.br/legislacao˃. Acesso em: 01 jun. 2007;

_______. Lei complementar nº 49, de 27 de junho de 1985. Dispõe sobre a instalação de Municípios, e dá outras providências. Brasília/DF, Congresso Nacional, 1985. Disponível em: ˂http://www4.planalto.gov.br/legislacao˃. Acesso em: 02 jun. 2007;

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