Fernando Pessoa (poeta português, 1888-1935)

Um sistema não é uma cabeça.

Um móvel não é gente.

Todos os processos e todos os aparelhos,

resultarão inúteis para as organizações,

se as cabeças dos inpíduos que os empregam,

não estiverem convenientemente organizados.

E essas cabeças estarão organizadas,

se estiverem organizadas devidamente,

a mesma parte do corpo do chefe que os dirige.

Assim como se podem escrever asneiras

com uma máquina de escrever do último modelo,

também se podem fazer disparates

com os sistemas e aparelhos mais perfeitos

para ajudá-lo a não fazê-lo.

Sistemas, processos, móveis, máquinas,

elementos puramente auxiliares.

O verdadeiro processo é PENSAR.

A máquina fundamental é a INTELIGÊNCIA.

24-04-1926
Páginas de Pensamento Político. Vol II. (Introdução, organização e notas de António Quadros.)
Mem Martins: Europa-América, 1986. 
1ª Publ. in Revista de Comércio e Contabilidade, nº 4. Lisboa: 25-4-1926.