O manifesto conjunto publicado por ABES, Assespro, Brasscom e Fenainfo há poucos dias, optou pela defesa do respeito incondicional ao Estado Democrático de Direito. Vieram acusações de não querer assumir uma posição clara - entenda isso direito!


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A grave crise econômica que o Brasil vem enfrentando, afetando de forma crescente empresas e trabalhadores, ameaçando se transformar na maior recessão da história brasileira, está sendo acompanhada pela tramitação do impeachment da presidente da República na Câmara dos Deputados.

Nesse cenário, a Assespro, em nome do Setor de TI, persiste na sua responsabilidade em levar a cabo, de 3 a 5 de outubro deste ano, em Brasília, o Congresso Mundial de Tecnologia da Informação (conhecido pela sigla em inglês, WCIT = World Congress on Information Technology – veja www.wcit2016.org). Esse compromisso foi assumido, em nome do Brasil, durante a edição de 2012 do mesmo Congresso, ocorrido em Montreal (Canadá). O éxito da edição brasileira do WCIT, primeira a ocorrer na América do Sul em toda a história desse evento, cuja primeira edição ocorreu em 1978, depende do apoio de todos os setores da sociedade, incluindo as entidades do próprio setor, organizações civis, empresas, profissionais, e do governo.

Diversas entidades de classe tem se manifestado nas últimas semanas, manifestando apoio ou repúdio ao processo de impeachment em curso. Talvez seja por isso que a imprensa queira provocar uma manifestação do nosso setor de TI nesse sentido. O manifesto conjunto publicado por ABES, Assespro, Brasscom e Fenainfo há poucos dias, optou pela defesa do “respeito incondicional ao Estado Democrático de Direito”. Logo fizeram-se ouvir vozes acusando esse manifesto de ‘subida ao muro’.

É preciso esclarecer, neste ponto, que as entidades representativas do setor de TI congregam milhares de empresas, nas quais atuam profissionalmente cidadãos que, de forma individual, possuem posições políticas. De fato, orgulhamo-nos de contar nos quadros das lideranças do setor inclusivo cidadãos com posições políticas antagônicas convivendo de forma pacífica, há muitos anos.

No caso específico da Assespro, por exemplo, temos que o seu Estatuto rege, logo no seu primeiro artigo (indicando a importância do assunto) que se trata de uma “uma sociedade civil de direito privado, de âmbito nacional, sem fins lucrativos e político-partidários”. Esse fato não impede que a entidade tenha atuação política: o artigo terceiro declara como finalidade principal da entidade “representar, patrocinar e defender os interesses gerais das empresas de tecnologia da informação, bem como, agir buscando consolidar e disseminar o uso da tecnologia da informação como fator preponderante para o desenvolvimento do Brasil.”

Essa aparente contradição entre a atuação política setorial e o não envolvimento da entidade na política partidária é um assunto detalhado no capítulo 19 do livro “Juntos somos Mais” (disponível em http://assespro.org.br/loja/livro-juntos-somos-mais/livro-juntos-somos-mais-1-edicao/, lançado em março de 2015), chegando a abordar inclusive o tema sobre “como lidar com candidaturas políticas”.

Por isso, reafirmamos o interesse do setor de TI de que tanto a crise política quanto a econômica possam ser superadas o mais rapidamente possível. Os continuados esforços para realizar o WCIT 2016 são a nossa maior contribuição ao país neste cenário conturbado. Esses esforços não podem e não devem depender nem ser misturados com os interesses de nenhum partido político, nem nos momentos de bonança, nem nos de crise.


Publicado originalmente em
http://itforum365.com.br/blogs/post/...