As últimas semanas da campanha eleitoral deixam a nítida sensação de que os temas realmente importantes não entraram em discussão.


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Vivenciamos as últimas semanas da campanha eleitoral que precede as eleições gerais de 5 de outubro com a nítida sensação de que os temas realmente importantes não entraram em discussão.

Fazem já quarenta e cinco dias que as entidades representativas do Setor de TI entregaram suas propostas a todos os candidatos a cargos majoritários, por meio de um documento intitulado “Por um Brasil Digital e Competitivo”, cujo objetivo é triplo: em primeiro lugar foi pleiteado apoio para a “guerra global” em que se transformou a inovação no mundo digital (sem o qual, continuaremos sendo majoritariamente usuários da inovação gerada em outros países), e em segundo lugar foi pleiteada a construção de um ambiente empresarial competitivo.

A terceira vertente visa acelerar os benefícios da adoção da Tecnologia da Informação, nos três âmbitos que beneficiam a cidadania: o aumento da competitividade dos demais setores da economia (chamada também de efeito transversal da TI), a maior eficiência da máquina pública (pela informatização mais rápida do que até aqui) e o provimento de melhores serviços ao cidadão (até aqui, nossos projetos de destaque na área de governo eletrônico visam todos levar informação ou arrecadação da sociedade para o Estado; achamos que está na hora de inverter essa lógica).

Entretanto, o conteúdo das campanhas têm se focado exclusivamente em intentar colar ‘rótulos’ nos adversários, espalhar boatos e até mentiras.

A tão poucos dias do pleito eleitoral, ainda não são conhecidas as propostas de governo dos principais candidatos. Mesmo aqueles poucos candidatos que já apresentaram algum ‘plano de governo’, admitem estar no meio de um processo de ‘refinamento’.

Essa atitude condena o país a continuar sem sabermos quais serão os projetos futuros, não apenas na Tecnologia da Informação, mas em muitas outras esferas essenciais para nosso futuro: desde a produção de alimentos pelo setor agropecuário, passando por possíveis políticas industriais, desenvolvimento da infra-estrutura nacional, chegando a temas como a integração econômica no cenário internacional (“devemos continuar presos nas regras do MERCOSUL ou não?”) e a diplomacia internacional (se estamos entre as seis ou sete maiores economias do planeta, quê papel deveremos desempenhar no cenário global?).

Se a sociedade civil organizada não pressionar os candidatos, seja diretamente, seja por meio da imprensa, corremos o risco de repetir o mesmo cenário na rápida campanha do segundo turno das eleições (que as pesquisas desenham ao menos na eleição presidencial).

Nesse caso, estaremos dando carta branca para que os burocratas de plantão no próximo governo desenhem seus planos e projetos sem levar em conta as reais necessidades e anseios da sociedade, aprofundando o que se chamou de ‘clamor das ruas’ durante as manifestações de junho de 2013.

Em particular, no mundo da Tecnologia da Informação e Comunicações, nem o Plano Nacional de Banda Larga (reencarnado várias vezes pela gestão atual) nem o Plano TI Maior, lançado em 2012, conseguiram influenciar o cenário nacional de forma significativa: enquanto continuamos a crescer apenas de forma vegetativa (em ritmo semelhante aos países europeus em crise, de acordo com nosso Censo do Setor de TI), os demais países latino americanos vivenciam um crescimento muito mais rápido.

Certamente não queremos ‘acordar’ daqui a outras várias campanhas eleitorais e descobrir que, além de consumirmos majoritariamente inovação gerada no Exterior, esta vem de países com muito menos recursos humanos, naturais e econômicos do que o nosso Brasil?


Publicado originalmente em
http://www.itforum365.com.br/blogs/post/113424/campanha-eleitoral-propaganda-ou-planejamento-estrategico