Em qualquer setor da economia é fato que somente as empresas que inovarem terão chance de crescer significativamente e, talvez, disputar mercados adicionais àqueles nos quais elas surgiram.

No setor mais globalizado e competitivo da economia mundial, a Tecnologia da Informação (TI), este fato é ainda mais relevante: as empresas de TI que não inovam se vêem condenadas a prestar serviços, cuja demanda foi gerada pelas inovações produzidas por outras empresas (sejam lá de qual parte do globo estas forem). Em outras palavras, estas empresas não possuem controle sobre o ciclo de vida dos produtos e/ou serviços que comercializam, o que se torna numa ameaça continuada à sua sobrevivência.

No Brasil, apenas uma minoria das empresas está consciente desta realidade global do mundo da TI do século XXI. Uma fração ainda menor já embarcou em projetos de inovação significativos a nível global.

Há alguns anos existem inclusive programas de subsídio à inovação, seja em nível nacional, ou mesmo em cooperação internacional. Esta última tem a vantagem de gerar produtos que já nascem prontos para mais de um mercado.

Entretanto, menos de uma dúzia de empresas brasileiras conseguiram efetivamente criar projetos de inovação em cooperação com empresas de outros países. O principal país aliado nessa empreitada tem sido a Espanha.

A cooperação internacional para pesquisa e desenvolvimento conjuntos pressupõe uma relação de confiança entre duas ou mais empresas de diferentes países, que não é fácil de ser construída.

Diante do grau crescente de cooperação internacional da Assespro (nossa entidade empresarial do setor de TI) com entidades semelhantes de quase vinte países de toda América Latina e da Península Ibérica, além de órgãos de governo de diversos desses países, surgiu naturalmente a ideia de capitalizar estes relacionamentos de confiança para incrementar o número de consórcios internacionais envolvidos em projetos de inovação, pesquisa e desenvolvimento.

A metodologia sendo usada, desenvolvida originalmente na Europa, é denominada de “Plataformas Tecnológicas”. Esta metodologia determina a existência de um grupo de líderes para cada plataforma, grupos de trabalho temáticos, encontros regulares entre todos os participantes, entre várias outras atividades. Entretanto, as Plataformas Tecnológicas não se constituem formalmente como empresas ou entidades: elas existem apenas para fomentar o surgimento de projetos.

Neste momento cabe-nos participar da liderança de duas destas plataformas: a Plataforma Tecnológica Ibero-Brasileira, que objetiva projetos de inovação entre empresas brasileiras e espanholas, mediante a cooperação da Assespro com a Ametic (entidade de TI da Espanha), e a BraFIP (Brazilian Future Internet Platform), que visa projetos de pesquisa e desenvolvimento entre empresas, institutos de pesquisa e universidades brasileiras, em conjunto com instituições equivalentes de qualquer país da União Européia.

Esperamos, com estas iniciativas, contribuir com a nossa ‘gotinha’ para o aumento da competitividade da indústria brasileira de TI.