As nuvens do título pertencem à “computação em nuvem”, um fenômeno que vem crescendo ano a ano, sem receber a devida atenção na formulação de estratégias para o desenvolvimento do setor de TI no país. Recentes pesquisas revelam um quadro paradoxal: segundo o Gartner, mais de 80% dos CIOs da América Latina já colocam o tema como uma de suas três principais prioridades.

Ao mesmo tempo, recente pesquisa da MBI (encomendada pela Impacta) junto a profissionais de TI em geral revela que 65% dos profissionais brasileiros de TI ouviram falar no termo “computação em nuvem” pela primeira vez nos últimos três anos. Ainda assim, 85% dos profissionais entrevistados acreditam que a “nuvem” é um modelo tecnológico duradouro (que veio para ficar, isto é, não se trataria de uma moda passageira).

Segundo a mesma pesquisa, o uso dos serviços de “cloud computing” ainda não atingiu metade das empresas. Destas empresas que já navegam pela “nuvem”, uma maioria significativa (entre dois terços e três quartos, conforme o serviço avaliado) optaram pelo uso de serviços da “nuvem” que são gratuitos e/ou de baixo custo (em vez de por serviços com SLAs elevados).

Comparando ambas pesquisas, parece que as expectativas dos CIOs são mais elevadas do que aquelas que as empresas estão de fato usando ou experimentando. Frustração a caminho? Do outro lado do “balcão”, o impacto desta “nuvem” também não está sendo bem avaliado: poucas empresas nacionais do setor de TI têm estratégias claras para se posicionar como provedores na “nuvem”.

Pelas próprias características técnicas, qualquer provedor de serviços na “nuvem”, de qualquer parte do planeta, pode atender clientes em qualquer local geográfico. Esse fato tende a tornar a competição ainda mais globalizada e acirrada: empresas grandes o suficiente para disponibilizar seus serviços pela Web em múltiplos idiomas, estão vindo disputar mercados aos quais não tinham acesso antes.

Nosso desafio é criar e implementar estratégias para capacitar e fortalecer o conhecimento sobre a “computação em nuvem”, tanto nas empresas usuárias quanto nas empresas de TI, potenciais fornecedoras de serviços na “nuvem”, tanto para empresas localizadas no país quanto para clientes no Exterior.

Os impactos da “nuvem” serão sentidos, no mercado de TI, de forma muito mais forte e duradoura que as recentes chuvas catastróficas que caíram nas maiores capitais do país desde o início de 2010. Tenho a convicção que não devemos ficar esperando de braços cruzados que esse tipo de “nuvens” chegue ao nosso setor.