Evidentemente os próprios candidatos vão ter que aprender a conversar com seus eleitores. Os candidatos iniciantes ou de pequeno poder aquisitivo vão poder ter contato (mesmo que virtual) com eleitores que talvez nunca tivessem possibilidade de conversar ou de apresentar diretamente suas idéias.

Evidentemente o show inicial é dos marqueteiros. Com uma ferramenta de comunicação como a Internet, as páginas dos candidatos vão contar maravilhas dos mesmos. É muito fácil colocar pequenas mentiras, meias verdades ou induzir o eleitor ao erro, mas sempre em benefício do candidato. Em função dessa possibilidade o CyberEleitor deverá ler tudo, mas sempre com um pé atrás. A questão é que se o eleitor está lendo sobre o candidato que lhe é simpático, ele está emocionalmente envolvido, e tudo que se escreve falando bem do candidato, este eleitor acredita que é verdade. Tudo que for escrito questionando o candidato, este eleitor não acredita e assume de cara que são mentiras e intrigas sobre o seu candidato. Precisamos ser frios e analisar cada situação.

Da mesma forma que devemos questionar as mensagens (falsas) que nos chegam se passando por bancos, justiça eleitoral, programas de televisão e outros remetentes, também devemos questionar as mensagens que nos chegarão sobre candidatos e sites que nos serão indicados.

Em relação aos sites, já acessei sites onde um partido fala das possíveis mentiras do candidato contrário. Se este site é registrado no Brasil, tem dono e é identificado, é um bom sinal, pois, qualquer passo em falso pode ser acusado de calúnia, difamação ou injúria (Crimes contra a Honra). CyberCrime ou CyberOpinião? Depende dos fatos e de como foi colocado. Com certeza os advogados terão muito trabalho pela frente.

Para nós simples mortais eleitores, precisamos ter alguns cuidados básicos:

a) Avalie a veracidade de mensagens de correio eletrônico que você recebe. Quando forem citadas reportagens de órgãos da imprensa procure a fonte original: link ou data de publicação. Muitas notícias que nos chegam via mensagens de correio eletrônico não existem, porém impressionam porque citam órgãos da imprensa estrangeira.

b) Cuidado ao repassar mensagens. Como dito no item anterior, você pode receber uma mensagem de conteúdo falso e na medida em que você repassar para seus amigos, você é co-autor da mentira e do possível crime contra a honra. Ou no mínimoo você vai ficar com a fama de CyberIdiota.

c) Ao expor sua opinião, fale da sua opinião. Ataque a opinião dos outros, mas não ataque a honra dos outros. Cuidado para não escrever palavras que podem ser tomadas como crime contra a honra de um candidato.

d) Se você vai se cadastrar em um site político, eu recomendo que você crie um email específico. Com certeza você irá receber uma grande quantidade de propaganda no endereço que você cadastrar e não fica bem sua caixa de correio eletrônico do seu trabalho ficar cheia e você deixar de receber mensagens profissionais.

e) Ao armazenar imagens (charges, fotos, símbolos) ou qualquer elemento disponível da Internet e depois repassar ou utilizar em apresentações, tenha a garantia de que este material permite que você o utilize sem restrições. Evite ser indicado por crime contra direito autoral e direito de uso de imagem ou de texto.

f) Ao responder um email comentado/criticando algo, não envie de imediato. Espere um tempo, releia, revise e verifique se os termos que você está utilizando não vai exigir que você tenha que mandar posteriormente outro email (para todos os copiados do primeiro email) dizendo: “Peço desculpas. Eu não quis dizer isto!” Isto também vale para suas páginas em redes sociais e no seu Twitter.

Vamos aproveitar o bom uso da Internet e suas ferramentas. Inclusive, não se esqueça de mandar um email para você mesmo indicando os candidatos em quem você votou.

Por que? Ora, você se lembra em quem votou na eleição passada? E na retrasada?

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Edison Fontes, CISM, CISA (edison@pobox.com) é Consultor, Professor e Autor de Livros de Segurança da Informação. Participa da ABSEG, ISACA e InfoSecCouncil.