Este artigo está sendo escrito na virada de 2009 para 2010. Época de balanço e avaliação de expectativas. 2009 se iniciou no auge das expectativas negativas, em função dos efeitos da crise financeira internacional. 2010 inicia com expectativas mais otimistas, na visão da maioria dos analistas e economistas. No Brasil, em particular, o otimismo é tão forte que o Banco Central já prevê aumento de juros ao longo de um ano em que teremos Copa do Mundo e eleições majoritárias.

Prefiro chamar a atenção para o fato que esta última crise terá efeitos por muito tempo: ela não foi uma crise “passageira”, mas consequencia de um vício estrutural: o mundo financeiro estava baseado em operações sem “sustentabilidade”. As reformas na legislação financeira, no mundo todo, assim como os cuidados que cada um de nós tem na gestão de seus orçamentos de TI, são facetas dessa nova realidade. Jamais voltaremos a operar como “antes da crise”!

Esta percepção não se limita ao Brasil, mas se aplica aos países desenvolvidos e aos “outros” (assim evito mais uma polêmica!). Constatei isso com meus próprios olhos, em várias viagens internacionais, representando a Assespro e a TI do Brasil no Exterior.

A imagem da TI brasileira no Exterior vem crescendo de forma significativa. O setor de TI na Europa está mais atento ao Brasil que outros setores da economia. Apenas uma prova: em outubro fui feito portavoz da Bitkom, associação alemã das empresas de TICs, para trazer ao Brasil o convite para sermos país convidado oficial da Cebit em 2011 ou 2012.

Ao mesmo tempo, na esfera doméstica, não foi possível avançar na melhoria do marco regulatório. O lançamento da marca “Brasil IT+”, ação conjunta de todo o setor de TI com apoio do Poder Executivo, é fruto dos trabalhos do primeiro semestre no Forum de Competitividade do setor. No segundo semestre, este Forum não chegou a ser convocado.

Também não passamos de resultados mínimos no que diz respeito à evolução legislativa. O Congresso teve sua imagem arranhada por crises políticas ao longo do ano, e não soube produzir resultados concretos para superar a situação. As leis para o Pré-Sal ficaram para 2010, possivelmente o Orçamento da União também fique, e a partir de abril de 2010 teremos o recesso “branco” típico de anos de campanha eleitoral. Nessa esfera, 2010 será um ano excelente para planejarmos o que queremos a partir de 2011!