Há muitos anos estamos debatendo os rumos que o uso da TI deve ter no país. Objetivamente, entretanto, fracassamos: continuamos a ter 'políticas' de fomento fragmentadas, quando não contraditórias. Os prazos geralmente vão até o próximo pleito eleitoral, criando descontinuidades e guinadas a cada dois ou quatro anos. Ainda, o ‘aparelho’ do estado se desenvolve no sentido de usar a TI para aumentar o controle sobre a sociedade.

Enquanto isso... o mundo todo já despertou para o fato que a TI se transformou na base da sociedade pós-industrial. Esforços de toda ordem, envolvendo a educação, a re-qualificação profissional, o uso da TI como ferramenta para a melhoria das condições de vida, da prestação de serviços aos cidadãos, deixaram de ser privilégio dos países desenvolvidos para se transformar em programas de longo prazo em muitos países menores e mais pobres que o Brasil.

Estes programas, chamados frequentemente de ‘agenda digital’, representam de fato uma visão de longo prazo para cada país: o uso amplo da TI muda inclusive as relações de poder e o (des)equilíbrio (ou status quo) nas relações entre estado e sociedade. Desta forma, o processo de discussão ultrapassa as fronteiras do que geralmente chamamos de ‘setor de TI’. Não apenas o setor produtivo, mas toda a sociedade está sendo afetada e transformada.

As mudanças geradas neste processo são comparáveis às da chamada Revolução Industrial. Seu desfecho, entretanto, ainda não é história. Entretanto, já sabemos que o uso da TI afeta inclusive os processos político-eleitorais, como demonstrado pela exitosa campanha de Barack Obama nos EUA, desde as primárias até sua consagração nas urnas. Pense: quem serão os ‘Obama’s do Brasil?

A recente aprovação do uso da Internet para campanhas eleitorais no Brasil é apenas uma ‘rendição aos fatos’ e mais um exemplo de como deixamos nos levar pelos fatos consumados, em vez de criar estratégias e definir caminhos de forma antecipada.

Tendo todas estas questões em mente, é que a Assespro deu o pontapé inicial para a construção de um plano de longo prazo para o uso da TI no país, batizado de ‘Brasil TI 2022’. A escolha do bicentenário da Independência como data de referência contem, além do caráter simbólico, um prazo de doze anos, para garantir que sua construção ultrapasse planos de governo de quatro (e de oito) anos.

Neste momento, estamos no processo de convidar outras entidades do setor de TI, de outros setores da sociedade, além do próprio governo, a se somar a este processo.

Queremos inverter a lógica: em vez de se render aos fatos consumados, como meros coadjuvantes, queremos nos antecipar, para ser protagonistas desta história.