O Grande Irmão chega aos carros!

O governo federal brasileiro anunciou alguns detalhes sobre a instalação em um prazo máximo de cinco anos, do Sistema de Identificação Automática de Veículos. São Paulo deverá ser uma das primeiras cidades a monitorar a frota de veículos.

A identificação e ações sobre a autenticação dos carros é bastante plausível, agora o monitoramento é bastante questionável. Do ponto de vista da segurança da informação é necessário discutir como será garantida (será que será) a privacidade do cidadão. Afinal de contas, na medida em que a cobertura atinja toda a cidade e posteriormente todo o estado e logo após todo o país, informações sobre por onde seu carro se deslocou serão guardadas em um grande banco de dados.

A justificativa é que poderá haver controle maior para multas por velocidade e rodízio, bem como o controle de carros roubados. É verdade! É possível. Porém devemos lembrar que as rotas dos cidadãos estarão registradas e muitas empresas legais terão interesse, bem como organizações criminosas.

As empresas legais vão querer comprar essa informação (com o governo recebendo e o cidadão somente entrando de figurino) para saber que rota ele faz  e enviar propaganda de serviços oferecidos onde o cidadão passa perto.

O crime organizado vai querer ter acesso para de uma forma simples saber qual o itinerário que determinado carro de executivo faz. Ou os carros da polícia. Ah! Mas carro da polícia não vai ter chip. Ou vai? E o carro das autoridades governamentais? Terão que ser. Ou vão continuar a não pagar multas?

Quem poderá acessar essas informações? Quem autorizará o acesso a estas informações?

É precisamos discutir como sociedade.

Só não entendo porque não se prioriza e incentiva o transporte coletivo? Por que os ônibus não possuem paradas inteligentes que indiquem para os usuários o tempo de chegada de cada linha/ônibus? Vide Paris. Merecemos esse serviço.

Por enquanto, tenho certeza que já tem meliante buscando informação sobre a tecnologia utilizada para bolar um chip fraudador que quando acionado, interfere na transmissão do chip do governo.

O que você acha?

Estamos mesmo caminhando para o grande controle? O chip sob a pele já existe. Só não é obrigatório.

E cuidado por onde você anda. Não dá para dizer que ficou no escritório e dirigir para outros locais.

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Edison Fontes, CISM, CISA (edison@pobox.com) é Consultor, Professor e Autor de Livros de Segurança da Informação. Participa da ABSEG, ISACA e InfoSecCouncil.