Faz mais ou menos 15 dias que participei do Primeiro Fórum de Comércio Internacional, promovido pela AMCHAM do RJ, com apoio da FRIJAN e de algumas empresas e outras organizações.

Uma coisa ficou clara, depois de ouvir advogados, técnicos e empresários: importar equipamentos é uma luta inglória ! Seja por conta do governo, considerando que isso "atrapalha" a balança de pagamentos; seja por conta dos fabricantes, que acham que não podem concorrer com seus próprios produtos quando são importados por terceiros; seja por conta das associações brasileiras, que não possuem critério ou qualificação suficiente para julgar equivalencia de equipamentos nacionais.

A grande pergunta é: porque será que existe uma Lei que permite a importação de partes e peças de equipamentos recondicionados (para reparo e atualizações) apenas pelos fabricantes?

Porque permitiram que um fabricante estrangeiro de storage abrisse uma filial no Brasil, para "nacionalizar" seus produtos e desta forma impedir a importação de storage de outras marcas, com a justificativa de que existe "similar" nacional?

Porque os funcionários BRASILEIROS de um grupo de FABRICANTES estrangeiros, estão trabalhando em conjunto na ABINEE (Associação Brasileira de Indústria Eletro Eletrônica) para restringir a importação de produtos de TI, a não ser que sejam feita pelos próprios fabricantes?

Será que a miopia e soberba destes funcionários é tanta, que não cogitam de algum dia estarem procurando reposicionamento no mercado e não ser possível trabalhar no mesmo tipo de função, porque apenas aos fabricantes foi destinado este direito?

Porque o direito à importação de equipamento de diagnose médica por imagem é destinada APENAS aos seus fabricantes ou a empresas por eles AUTORIZADOS a comercializar seus equipamentos? Mesmo que eu compre um destes aparelhos, eu não teria o direito de vendê-lo no Brasil, contrariando toda a idéia do Capitalismo e iniciativa privada! Apenas para exemplificar melhor ainda o meu ponto de vista: um dos maiores fabricantes aparelhos de tomografia do mundo vendeu quase uma dúzia dos seus aparelhos no Brasil, ano passado. Nenhum deles era novo, mas o preço era como se fosse!

Tenho encontrado obstáculos atrás de obstáculos, criados por brasileiros que trabalham para emrpesas multinacionais, achando que garantem seu emprego ao trabalhar com afinco para garantir a exclusividade do comércio de equipamentos de alto valor agregado (basicamente TI e de área médica), sejam de direito exclusivo dos fabricantes.

Ninguém está percebendo como isso inflaciona o preço destes equipamentos, inviabilizando a modernização de empresas e distanciando o desenvolvimento da tecnologia do pequeno e médio empresário. Isso sem falar na modernização de clínicas e hospitais, que dessa forma cntinuam cobrando caro pelas consultas que exigem examed médicos por imagem, pela dificuldade de aquisição destes equipamentos no país.

Daí o título deste artigo: será que o passageiro que anda de taxi também é usuário de vans? Duvido!

A empresa que precisa de um "servidor -1" não vai tentar comprar do fabricante o seu lançamento "servidor". Ele precisa de TI, ele precisa de agilidade no processamento de suas informações, mas não tem dinheiro suficiente para imobilizar em um equipamento que lá fora custa US$ 1,000 e que aqui no Brasil custa US$ 10,000.

É uma pena não podermos ensinar como negociar nas escolas. É uma pena o funcionário público ser obrigado a seguir Leis, aos invés de seguir o bom senso. Mas é uma pena maior ainda, vermos gente boa, profissionais competentes, lutando pelo monopólio comercial de equipamentos que poderiam ser oferecidos no mercado nacional a um custo muito menor.

Estaríamos agilizando um mercado latente, que hoje sucateia seus ativos até quase a obsolescência total, cristalizando uma cultura de pouca ou nenhuma manutenção do seu parque tecnológico. Daí quando a empresa está prestes a sofrer um colapso e exige a compra de um novo equipamento, o valor da renovação leva a presidência ou diretoria da empresa fixar a idéia de que "investimentos em TI representam sempre elevados custos".

Pessoal, vamos começar a pensar no futuro, ao invés de olhar nossos umbigos. Qualquer monopólio é indesejável, pois na medida em que permitimos a concentração de negócios a poucos, imediatamente colocamos muitos na sua dependência, a custos elevados.

Que tipo de telefonia celular nós teríamos hoje, se o governo não tivesse aberto a porta do comércio exterior alguns anos atrás ? Provavelmente ainda estaríamos usando "telefones de lata", daqueles conectados por um barbante!

Mas deixando de lado o sarcasmo, vamos pensar mais seriamente onde estaremos trabalhando nos próximos cinco anos e vamos nos questionar se realmente desejamos que o comércio de produtos de TI estejam apenas ao alcance dos fabricantes...

Meu objetivo com esse texto não é criticar: é compartilhar fatos e preocupações com informações que obtive ao lango destas últimas semanas. Ou fazemos algo, ou estaremos comprometendo nosso futuro como profisisonais e empresários.

Será que você, leitor, poderá compatibilizar o seu plano de onde ou como deseja trabalhar, com esse futuro?