Um Norte para o uso da TI

Há poucas semanas tive a honra de representar o Brasil na assembléia da ALETI, a federação latino-americana das entidades do setor de TI, que ocorreu em Buenos Aires. O prestígio que o tema TI possui pôde ser comprovado pela presença, na cerimônia de abertura do evento, de quatro dos nove ministros de Estado da Argentina.

Esta assembléia contou com a participação de representantes de 21 países. Como conclusão dos trabalhos, foi publicado o “Manifiesto de Buenos Aires”, uma declaração conjunta das entidades participantes de 17 países (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colombia, Costa Rica, Equador, Espanha, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela - os outros 4 não foram representados por dirigentes de associações do setor), definindo rumos e recomendações para o uso da TI nos países da região.

Embora as diretrizes sejam gerais, elas representam a soma das experiências de todos os participantes. O ponto de partida é a constatação de que as tecnologias da informação e comunicação são transversais a toda atividade humana e social, e, portanto impacta a todos os setores econômicos privados e públicos. Assim, estas tecnologias se constituem numa ferrramenta fundamental de transformação social e econômica, capazes de facilitar a mobilidade social e econômica e no setor produtivo, de melhorar processos, incrementar a produtividade, estimular a competitividade e reduzir as brechas de desenvolvimento.

Em particular recomenda que os governos da região redobrem seus esforços programáticos para promover a penetração da Internet em todas as camadas sociais e econômicas, enfatiza a integração efetiva das pequenas e médias empresas de tecnologia da região nas compras do setor público, entre várias outras medidas.

Considera-se necessário que os organismos multilaterais e internacionais, assim como os governos nacionais, trabalhem com métricas que efetivamente meçam o impacto da TI sobre a sociedade e as empresas, de forma que as alternativas e processos de desenvolvimento se dêem a partir da aplicação e análise destas métricas.

É preciso, portanto, a cooperação entre cada sociedade, organizada em entidades representativas, e seu respectivo governo, para que o uso da TI possa se transformar em benefício efetivo para os cidadãos da região. Certamente um desafio enorme para um país gigante como o nosso, mas ao qual não podemos continuar, coletivamente, nos furtando.