No momento de escrever este artigo, fazem 72 horas do anúncio da aquisição da Sun Microsystems pela Oracle. Você quer saber o que a Microsoft tem a ver com isso? Então leia até o final!

Não é novidade que a indústria de TI vem passando por um processo de consolidação há alguns anos. A compra da Compaq e da EDS pela HP a deixou posicionada como principal concorrente da IBM. Ambas afirmam serem capazes de fornecer “A” solução completa aos seus clientes, abrangendo hardware, software e serviços. Entretanto, nem IBM nem HP possuem software aplicativo próprio: suas divisões de serviços implementam aplicativos de terceiros.

A Sun possuía uma estrutura semelhante à da IBM, se analisarmos seu portfólio de ofertas: hardware, software básico e serviços associados. Já a Oracle era, até segunda-feira passada, uma típica companhia de software. Além do gerenciador de banco de dados, que deu origem à companhia em 1980, foram incluídos gradativamente alguns aplicativos, seja por desenvolvimento próprio, seja pela aquisição de outras empresas de software. Todas as compras de empresas de software efetuadas nos últimos anos visaram construir um portfólio de aplicativos capaz de fazer frente a SAP no mercado americano de médias empresas: um universo de cerca de cinco milhões de empresas.

A compra da Sun claramente rompe com esta estratégia: ela abre a possibilidade da Oracle se posicionar frente a IBM e HP (para o que ela teria que comprar ainda uma grande empresa de serviços), a um preço (pago pela Sun) que seria impensável há um ano atrás.

Quando a IBM negociava a compra da Sun, seu interesse principal era a carteira de clientes da Sun, focada na área de governo e de telecomunicações (principalmente no lucrativo negócio de grandes servidores). Como a Sun não possui um produto de banco de dados para este tipo de clientes, a maioria deles já é usuário do BD da Oracle.

Mas, ao passar a ser produtora de hardware, a Oracle verá mudanças de comportamento de alguns ‘coopetidores’: a cooperação com a HP, que inclui por exemplo a venda conjunta de servidores da HP com o banco de dados da Oracle, certamente será reavaliada. Analogamente, outros players, como, por exemplo, a IBM, devem reavaliar não apenas suas posições no mercado (a IBM começou a atacar as contas da Sun desde que ela iniciou a negociação fracassada de compra), mas suas estratégias.

Entretanto, a palavra final sobre o sucesso ou fracasso das empresas é dos consumidores. Será decisiva a avaliação deles em relação a perguntas como estas: o ritmo de evolução do hardware da Sun nas mãos da Oracle, será aceitável? Qual será a evolução das ferramentas de desenvolvimento para o ambiente Java, onde há sobreposição de ofertas da Sun com as da Oracle? O mySQL terá continuidade ou será substituído pela versão Express do banco de dados da Oracle?

Neste processo de reavaliação, os consumidores não deixarão de olhar para alternativas no mercado. E aí entrará em cena um nome considerado até há pouco por alguns analistas como “carta fora do baralho”: o software da Microsoft (que roda em hardware comoditizado). A Microsoft será beneficiada, não por mérito técnico, mas por manter sua estratégia em ser apenas uma empresa focada em software.