Nos primórdios da informática (processamento de dados, como se chamava na época) as empresas tratavam de criar grandes Centros de Processamento de Dados e enormes equipes de desenvolvimento, sempre direcionadas para uma determinada plataforma e uma determinada metodologia. Assim também fez o governo.

Na falta de opção de contratação no mercado e de olho na segurança de seus dados (uma obsessão no período não democrático no país), o governo também criou suas empresas estaduais de processamento de dados (algumas municipais, também, como fizeram BH, POA e SP) e, na esfera federal, o Serpro, a Datamec e a Dataprev.

Com o passar do tempo, com a multiplicação de plataformas e o surgimento de novas metodologias de forma meteórica, as empresas privadas trataram de se ver livres do pesado encargo de colocar seus técnicos em treinamento contínuo e de gerenciar processos de troca de plataformas e metodologia diuturnamente. Surgiram então as empresas de outsourcing que, hoje, respondem pela esmagadora maioria dos desenvolvimentos requeridos pelas empresas privadas aqui e no resto do mundo. No governo, esta mudança de rumo demorou um pouco mais.

Mas após sentir que seu pessoal técnico ficava obsoleto com uma rapidez estonteante;que suas equipes ficavam desmobilizadas e semi-inúteis após o encerramento de um projeto; que sua política salarial conservadora (ou inexistente) não conseguia prender as melhores cabeças dentro de um mercado onde os salários crescem vertiginosamente e que a eficiência deixava a desejar, principalmente, em relação aos prazos de desenvolvimento, o governo, enfim, capitulou.

Suas empresas de informática foram, paulatinamente, se transformando em gestores de contratos terceirizados e centro de referência para os diversos órgãos da administração pública. O mercado privado de serviços começou a prosperar e viu-se que o dilema desenvolver internamente ou terceirizar era falso. Não havia dúvidas: a terceirização era e é, na maioria esmagadora dos casos, a melhor opção disparadamente!

Esta opção estratégica das empresas privadas e do governo fez surgir uma crescente e forte indústria nacional de serviços de Tecnologia da Informação. Com a musculatura e o know-how adquiridos no mercado interno, esta indústria se aventurou para fora do país e têm conseguido ótimos resultados. Hoje podemos dizer que somos player´s do mercado de outsourcing offshore, não do porte da Índia, mas crescendo.

Ao mesmo tempo, as empresas públicas, como as privadas, foram desmobilizando seus quadros e, os que não foram desmobilizados, ficaram obsoletos para a tarefa de desenvolvimento, principalmente. O quadro parecia estável e sem chances de reversão, mas não é o que está ocorrendo.

O governo tem se movimentado no sentido de voltar a desenvolver internamente, mesmo contra todas as evidências de que esta prática não é a adequada, que ele irá matar ou ferir de morte uma indústria jovem e viçosa, que seus gestores têm mais com o que se preocupar do que ficar gerenciamento equipes, treinamentos, prazos de desenvolvimento e coisas deste tipo...

A nosso ver, o que o governo teria que se preocupar em fazer seria muito simples. Em primeiro lugar esquecer esta idéia de inchar suas equipes para desenvolver internamente, pelas razões expostas anteriormente.

Em seguida, deveria se preocupar em calibrar as definições dos objetos a serem contratados da forma menos subjetiva possível, em divulgar com bastante antecedência o que pode vir a ser contratado no futuro de tal sorte que o mercado se prepare para atende-lo no momento certo e, por último, mas não em último lugar, nem menos importante, agilizar e desburocratizar os processo de contratação, porém, sem descambar para a falsa solução do pregão, que não leva em conta a qualidade tão necessária em sistemas e congêneres.

Feito isto, cremos que, o Estado estaria plenamente voltando a cumprir seus papéis, os quais são, dentre outros, a opção pela sua atividade fim e o incentivo ao crescimento do setor privado da economia.