Esta edição marca dez anos de publicação ininterrupta da Information Week no Brasil. Como colunista desde a primeira edição, proponho um brinde para comemorar o fato. Mas somente depois que terminarmos esta coluna (afinal, não podemos beber em serviço!).

Fui desafiado pela equipe editorial a produzir uma retrospectiva da evolução do mercado durante os últimos dez anos. Como dez anos não cabem no espaço de uma coluna, peço desculpas antecipadas pela visão incompleta: revisitando colunas escritas há muito tempo, percebi que uma boa parte delas ainda continua atual.

É verdade que em 2005 uma placa de vídeo com 128 megabytes de memória era chamada de “gorda”, mas o uso dos recursos destas placas na interface do Windows Vista ainda não é de uso generalizado.

Várias colunas trataram, ao longo dos anos, da temática relacionada ao software livre. As primeiras colunas sobre o assunto foram, de longe, as que receberam mais cartas de leitores. Em particular, uma delas gerou o tema da coluna de 2004 na qual avaliamos a informatização dos diretórios municipais, financiada por leasing do Banco do Brasil, de envolvendo equipamentos de fabricantes estrangeiros e software do mundo ‘não livre’. Acredito que a visão do tema continua válida, e o uso deste tipo de software no mundo corporativo seguem as tendências que identificamos.

Outras colunas trataram das ‘incursões’ da Microsoft no mercado de aplicativos empresariais (baseada em compras e desenvolvimento de produtos). A primeira coluna sobre o assunto tinha o título “Desta agua não beberás?”. Voltei ao assunto por diversas vezes, mas a dúvida sobre o real papel da Microsoft neste mercado persiste ao dia de hoje.

A primeira coluna, escrita há exatos dez anos, tinha como tema “Objetos distribuídos: o último round da luta Microsoft x Concorrência?”. As tecnologias citadas na coluna certamente não são as mesmas que são apregoadas hoje pelas empresas citadas na coluna (na época, Java era incipiente, e .net não existia), mas a luta em questão continua.

Outra coluna, escrita há vários anos, chamava-se “Um flash na sua vida”, na qual avaliamos a substituição das unidades de disco rígido por unidades baseadas em memória sólida (flash), a semelhança dos pen drives. Embora estes já tenham tamanho equivalente ao de discos rígidos, o processo de substituição ainda é praticamente imperceptível.

Com a citação destas colunas tenho como objetivo chamar a atenção para o fato de que, ao contrário do que normalmente os fornecedores nos fazem acreditar, a evolução de nosso mercado de TI é lenta e evolucionária na maior parte do tempo. Além de sermos especialistas técnicos, temos que desenvolver a habilidade de enxergar o que existe por trás da comunicação dos fornecedores, de forma a compreender aquela parte das mensagens que sobrevive no longo prazo.

Se esta coluna tiver servido, neste sentido, ao menos uma única vez a cada leitor, ao longo destes longos dez anos, então já temos motivos para dizer: é festa!!! E brindo então com uma taça de champanhe.