Gestão da Tecnologia da Informação é tão crucial quanto de alimentos ou energia

O uso da Tecnologia da Informação, surgido há décadas no ambiente corporativo, expandiu-se sucessivamente, passando dos CPDs pelas mesas dos funcionários aos lares da classe média, e chegando hoje a praticamente toda a população, graças a diversas iniciativas batizadas de ‘inclusão digital’.

O uso da TI tornou-se fundamental à gestão do dinheiro circulante (p.ex. nos bancos e na arrecadação de impostos), à comunicação entre as pessoas (p.ex. nas redes sociais e na telefonia IP), ao entretenimento (p.ex. músicas mp3 e vídeos digitais) e a vários outros aspectos da vida diária de toda a população. A tendência, ninguém discute, é que a TI faça parte de forma ainda mais forte de nosso dia-a-dia.

Como conseqüência, seu uso se torna cada vez mais semelhante ao de outros recursos essenciais ao funcionamento de nossa sociedade, assim como, por exemplo, a disponibilidade de alimentos ou de energia elétrica.

Entretanto, enquanto existe uma preocupação geral, e mais em particular no governo, com a gestão dos alimentos ou da energia (existem ministérios específicos e planejamento de longo prazo – quinze anos no caso da energia - para a gestão destes recursos), no caso da Tecnologia da Informação existe um enorme número de iniciativas, públicas e privadas, leis e ONGs, decretos e voluntários, gratuitas e pagas, federais, estaduais, municipais ou comunitárias, visando melhorar o uso da TI. Acreditamos, salvo prova em contrário, que todas elas sejam bem intencionadas, mas elas são desenvolvidas sem nenhuma ‘linha mestra’, o que gera desperdício de recursos e, em alguns casos, contradições nos objetivos.

Propomos, portanto, a criação de uma estratégia nacional para o uso da TI, de longo prazo (pensamos que o ano do bicentenário da Independência – 2022 - seja uma boa referência), que defina claramente os objetivos e os meios para que estes sejam atingidos.

Para que tenha chance de ser bem sucedido, este tipo de planejamento deve ter o envolvimento de outros setores da sociedade (além do mundo da TI). Precisamos ter a coragem de tocar nas chamadas ‘pedras nos sapatos’, e trabalhar firmemente para realizar a promessa do bem-estar gerado pelo uso intenso da TI em todos os aspectos da vida nacional.

O momento a ser gerado pela nova campanha eleitoral a nível nacional em 2010 é uma oportunidade para pavimentarmos o caminho até 2022.

Publicado originalmente em
Edição Impressa da Revista Information Week, na edição 219, de setembro de 2009