Na semana passada, participei da abertura do evento TechEducation 2007, que se propôs a discutir o impacto da Tecnologia da Informação na educação.

Já estão em andamento no país as primeiras experiências com os notebooks desenvolvidos a partir do protótipo de ‘cem dólares’, meta definida pelo professor Negroponte do MIT.

Ao mesmo tempo, há pesquisas que revelam que metade dos professores da escola pública brasileira nunca tiveram acesso a um computador, muito menos a Internet.

Certamente, há muito que ser feito antes que o computador escolar possa ser adotado de forma generalizada. O treinamento dos professores é apenas uma entre várias medidas necessárias. O ensino de ciências em geral só se inicia na escola pública a partir da quinta série; em geral, os laboratórios dessas escolas são mal equipados ou inexistentes.

O resultado prático desta situação é que os alunos que se formam nestas escolas entram (ou tentam entrar) no mercado de trabalho em absoluta desvantagem em relação aos alunos da rede privada, que não só dispõem de laboratórios de ciências, como de computadores tanto na escola como em casa. Qualquer leitor desta publicação sabe que a capacidade de lidar com computadores é pré-condição para o ingresso no mercado de trabalho atual: a ‘exclusão digital’ acaba virando uma exclusão social.

Por outro lado, a simples presença do computador na escola também não é uma panacéia. Mesmo nos Estados Unidos, onde a tecnologia está amplamente disponível, 70% dos professores preferem continuar a usar os métodos tradicionais de ensino em sala de aula, dispensando totalmente o uso da tecnologia.

O modelo de ensino usado ainda hoje foi construído no século dezenove, inspirado nas idéias do iluminismo e dos ideais da Revolução Francesa. Esta tradição de dois séculos precisa ser rompida: o ensino de disciplinas de forma separada, em aulas que possuem sempre a mesma duração pré-determinada, carece de sentido quando se pretende que os alunos construam seu próprio conhecimento experimentando com realidades simuladas em laboratório ou mesmo com realidades virtuais nos seus computadores escolares.

Será preciso repensar os currículos dos cursos universitários de licenciatura, que continuam a ter os mesmos conteúdos e formar professores da mesma forma que vem fazendo há décadas.

Mais ainda, será preciso colocar em prática a liberdade que a lei que define os Parâmetros Curriculares Nacionais na educação: aprovada há dez anos, ela define apenas os conceitos, procedimentos e atitudes esperados dos alunos, enquanto dá aos professores e escolas a oportunidade de adaptar o conteúdo a realidade de cada local.