Neste mês, continuo avaliando o processo crescente de ‘offshoring’ em andamento, de um ponto de vista estratégico para o país. No mês passado, descrevi a primeira ameaça, representada pela entrada, no universo da oferta de mão-de-obra, por parte de países que ainda não o disputam, mas dispõem de contingentes de recursos humanos signficativos.

A segunda ameaça é conseqüência do fato de que a janela de oportunidade para a prestação deste tipo de serviços, ao contrário do que vem sendo pregado pela maioria dos interessados em prestar este tipo de serviço, também é restrita, conforme descrevemos a seguir.

Em primeiro lugar, observamos que nenhum dos grandes países produtores de tecnologia adotou a prestação deste tipo de serviços como estratégia nacional. Embora o preço da mão-de-obra nestes países seja mais elevada, é no mínimo suspeito que nenhum deles seja capaz de compensar a diferença de preço com produtividade diferenciada.

Outro aspecto a considerar é a estratégia dos grandes produtores de software aplicativo: Microsoft, Oracle e SAP vem trabalhando sistematicamente em tornar suas plataformas de produtos cada vez mais abrangentes, em termos dos segmentos verticais de mercado atendidos, e cada vez mais fáceis e baratos de serem customizados, reduzindo a demanda por este tipo de serviço. Fora os produtos que já estão no mercado, há vários projetos em laboratório que possuem este objetivo.

Assim, pensando no longo prazo (dez a quinze anos no máximo) haverá uma redução da demanda por serviços de ‘offshoring’.

A grande pergunta em aberto é: o que será do mercado brasileiro de TI, depois que esta janela de oportunidade se fechar? As empresas envolvidas no ‘offshoring’ certamente vão devolver seus ‘estoques’ de mão-de-obra ao mercado. Quem irá absorvé-los? Não haverá empresas locais capazes de absorver estes profissionais, daí resultando uma grande massa de desempregados qualificados (se o setor pretende contratar cem mil profissionais nos próximos anos, este o número mínimo de desempregados que surgirão).

 

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