Cada vez mais empresas globais de TI têm investido em mercados emergentes, inicialmente na Índia e mais recentemente no Brasil e em outros países, para a instalação de uma parte de suas operações. As equipes instaladas nestes países têm como principal objetivo o desenvolvimento de sistemas 'sob medida' (sob encomenda) e a customização de softwares já existentes. Em nível global, um volume cada vez maior de demandas deste tipo vem 'sugando' toda a mão-de-obra disponível.

Para formular uma estratégia de TI de longo prazo, é preciso avaliar a evolução desta demanda. Infelizmente, enxergo várias ameaças...

O primeiro tipo de ameaça é oriundo da competição entre os países emergentes. No momento atual, poucos países dispõem de um contingente de profissionais de TI em atividade do tamanho do Brasil, dada a sua grande população e o uso bastante intenso da TI no país. Entretanto, é perfeitamente possível que num horizonte de dez anos apareçam novos competidores entre os países emergentes: Paquistão, Bangladesh e Indonésia dispõem de população suficiente para serem competidores potenciais no futuro. Muitos outros países com população menor já intentam abocanhar um pedaço do mercado de offshoring atualmente: África do Sul, Argentina, Cuba e Filipinas são países que estão neste processo há alguns anos.

Se Bangladesh vier a oferecer mão-de-obra especializada a preços muito inferiores aos da Índia e do Brasil, as empresas globais de TI que haviam investido no Brasil, muito provavelmente optarão por desinvestir, seja com a sua saída definitiva ou com a diminuição da demanda direcionada para o Brasil. Uma mudança deste tipo é muito mais fácil no caso do offshoring de TI do que com uma planta industrial, dado o volume dos investimentos. Outro aspecto que reforça esta possibilidade é o fato de que a grande maioria das companhias estrangeiras instaladas no Brasil mantém sua área de desenvolvimento principal e a definição de estratégias em seus países de origem. As equipes em países emergentes ficam encarregadas, por assim dizer, de tarefas 'menos nobres'.

 

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