Todo profissional de tecnologia da informação sabe que a evolução do hardware, no último quarto de século, foi verdadeiramente impressionante. Se compararmos um computador pessoal do início de 1981 (o PC da IBM só foi lançado em agosto desse ano) com um equipamento atual, as diferenças são impressionantes.

Por exemplo, comparando os processadores, temos uma CPU de 8 bits (8080, 6502 ou Z80, por exemplo), operando na freqüência de alguns centos de kilohertz, e uma CPU que opera com alguns gigahertz de freqüência: um avanço da ordem de 4000 vezes.

Da mesma forma, comparando a memória RAM instalada, passamos de 64 kilobytes para 512 Megabytes: um avanço de 8000 vezes.

Note bem: é vezes e não por cento! Quem garantiu esse 'milagre' foi a microeletrônica, com sua miniaturização crescente.

Para completar a comparação, precisamos comparar as unidades de armazenamento: unidades de disco rígido de 5 megabytes, são hoje tipicamente unidades de 80 gigabytes: um incrível avanço de 16.000 vezes!

Entretanto, é preciso observar que as unidades de disco são meios magnéticos. O limite para a miniaturização é restrito pelo alcance do campo magnético que representa cada bit, enquanto que na microeletrónica é pensável construir um bit de memória RAM contando as moléculas.

Logo, se produzirmos unidades de armazenamento substituindo o meio magnético pela microeletrônica, elas ainda poderão crescer milhares de vezes!

Demanda não falta: pergunte a quem usa uma câmera fotográfica digital. Ou às empresas que gravam, além das câmeras de vigilância, as ligações telefonicas baseadas em VoIP.

De fato, o armazenamento não magnético já existe: os chamados 'pen drives' e os 'cartões' de memória das câmeras digitais usam um tipo de memória chamada 'flash'. Assemelha-se à memória RAM dos computadores, exceto que seu conteúdo não se perde quando não recebe energia elétrica. Tecnicamente, já é possível construir, ocupando o mesmo volume de um disco de 80 Gigabytes, uma memória 'flash' da mesma capacidade.

Apenas o preço ainda impede que os fabricantes lancem este tipo de armazenamento. Entretanto, a demanda já é suficiente para garantir que o preço unitário continuará a cair (como ocorreu com a memória RAM: os 512 Mb de hoje custam um décimo dos 64 kb de dez anos atrás): podemos apostar, sem muito risco, que nos próximos cinco anos os discos rígidos (baseados em armazenamento magnético) deixarão de ser fabricados.