Nesta edição especial, dedicada as 100 empresas mais inovadoras em tecnologia, cabe agradecer à equipe da IT Mídia por ter buscado o apoio da MBI para aprimorar a metodologia usada para selecionar as empresas que devem ser premiadas.

Como colunista da revista, participei praticamente de todas as cerimônias de premiação das edições anteriores: muitas vezes ouvi dos participantes que a premiação parecia marmelada.

O argumento mais forte que escutei, nesse sentido, me foi colocado por um CIO de uma indústria de produtos químicos de fora da Grande São Paulo, após ver frustrada sua possível premiação: "como EU, com meu pequeno orçamento em TI, posso competir com os CIOs dos grandes bancos?".

Ao elaborar a metodologia detalhada para esta edição, partimos da premissa de que o volume de dinheiro disponível para investimentos não caracteriza a disposição para a inovação. Mais, consideramos que o volume de recursos destinado a TI depende, em grande parte, do setor de atividade econômica das empresas. Por exemplo, sabemos que os bancos comerciais investem cerca de cinco vezes mais que as indústrias em tecnologia, quando comparamos estes investimentos com as receitas (é só lembrar que banco trabalha com informação e vendas, mas a indústria precisa de matéria prima, máquinas, etc.).

Por essa razão, ao detalhar a metodologia para esta edição, optamos por gerar um sistema de pontuação baseado na comparação de cada empresa com as demais de seu setor. Assim, a grande vencedora poderia surgir de qualquer setor de atividade econômica (e não apenas daqueles que investem mais, em valores absolutos, em tecnologia).

Outra colocação 'culinária' que ouvi várias vezes dizia respeito ao fato de as empresas premiadas terem vínculos com determinados fornecedores de tecnologia em proporção maior do que a participação de mercado desses fornecedores.

Concordamos que para cada combinação de empresa e tecnologia, existe um fornecedor que leva(rá) vantagem na hora da tomada da decisão. Mas, consideramos que o aspecto mais importante é quando esta decisão é tomada.

Acredito que os leitores conheçam a curva de adoção de tecnologia criada pelo Gartner, e usada freqüentemente para ilustrar a posição de uma tecnologia no mercado. Na análise que levou a escolha das empresas mais inovadoras consideramos que aquelas empresas que adotaram uma determinada tecnologia antes que as suas concorrentes são mais inovadoras, isto é, receberam uma pontuação maior. Em outras palavras, consideramos que o pioneirismo na adoção de uma tecnologia, seja lá qual for o fornecedor, é um dos indicadores da inovação. A pontuação foi atribuída em valores decrescentes, a partir da empresa pioneira. Entretanto, apenas o grupo que implantou a tecnologia nos anos iniciais em que esteve disponível no mercado recebeu pontos: as empresas que adotaram uma tecnologia na fase madura no mercado, por exemplo, não receberam pontos por essa tecnologia.

Outro aspecto considerado para a construção da pontuação final de cada empresa, conforme publicada nesta edição, é o caráter de inovação representado pelas várias tecnologias. Por exemplo, consideramos que uma empresa que tenha sido pioneira na utilização de ERP ou CRM, deveria receber menos pontos por isso do que uma emrpesa que fosse pioneira na utilização de uma tecnologia mais recente, como o uso de biometria ou RFID.

Para contemplar esse aspecto, cada uma das tecnologias detalhadas no questionário respondido pelas empresas participantes recebeu um peso, variando de 1 a 10.

Assim, a nota final obtida por cada empresa resulta da combinação da comparação da adoção das tecnologias com as demais do seu setor e o grau de inovação considerado inerente a cada solução tecnológica.

Em outras palavras, somente na construção do ranking final, como publicado na página xx, é que as empresas de setores diferentes da economia passaram a ser comparadas. Prova maior disto é que há setores onde a empresa colocada em terceiro lugar ficou de fora do ranking das cem mais inovadoras!

Finalmente, foi preciso usar um critério de desempate na construção do ranking final, para o caso de duas empresas apresentarem exatamente a mesma pontuação: neste caso, demos preferência à empresa que obteve a mesma pontuação usando um número maior de tecnologias ao mesmo tempo, priorizando assim os desafios gerenciais trazidos pelo uso de um número maior de tecnologias.