Ao longo das últimas três décadas, os microprocessadores evoluíram em capacidade de processamento de apenas 4 bits (suficientes para construir uma calculadora) até os 64 bits, passando por gerações sucessivas de 8, 16 e 32 bits.

Microprocessadores de 64 bits ainda são a exceção no mercado, já que a grande maioria dos PCs continuam a ser comercializados com CPUs de 32 bits, a pesar do fato de os primeiros microprocessadores de 64 bits terem sido disponibilizados pela Intel há quase dez anos!

As partes I e II desta coluna foram publicadas já há algum tempo. Mas, algumas novidades no front chamaram minha atenção. Na Parte II descrevi o relativo sucesso da CPU Opteron, um microprocessador de 64 bits desenvolvido pela AMD, com instruções totalmente compatíveis com as de 32 bits, mas estendidas para 64 bits. Não apenas fabricantes de PCs, mas também alguns fabricantes de estações de trabalho e de servidores com preços muito acima daqueles dos PCs adotaram o Opteron em alguns de seus equipamentos (como a Sun, por exemplo).

Quando a Intel lançou sua CPU de 64 bits, batizada de Itanium, ela tinha optado por um conjunto de instruções novo, incompatível com a família Pentium 4 (embora capaz de simulá-la, com algum custo na performance). Este conjunto de instruções foi desenvolvido sob o codinome Merced em conjunto com a HP. O interesse da HP era usar o Itanium como alternativa às CPUs da linha Alpha, que ela havia adquirido alguns anos antes (quando a Digital foi incorporada pela Compaq).

No entanto, a demanda pelo Itanium ficou muito aquém das expectativas. Como resultado, a família Pentium 4 evoluiu muito mais em seus processos de fabricação do que o Itanium (por exemplo, em termos de clock de operação).

É notável, portanto, que há alguns poucos meses a HP tenha anunciado pela primeira vez estar descontinuando alguns modelos de equipamentos baseados no Itanium: se a empresa que ajudou a projetar esta CPU começou a desistir, podemos entender isto como um sinal claro de problemas. Especulações sobre o fim do Itanium foram desmentidas com a alegação de que continua sendo utilizado nas linhas de servidores, onde a capacidade de endereçar mais de 4 gigabytes de memória tornou-se importante para muitas empresas. Entretanto, esta capacidade é comum a todas as CPUs capazes de processar mais de 32 bits por vez, e não uma exclusividade do Itanium.

Ao mesmo tempo, a Intel anunciou há poucos meses estar desenvolvendo uma CPU de 64 bits compatível com o conjunto de instruções do Pentium 4. A Microsoft, tradicional aliada da Intel, acaba de lançar uma versão do Windows que executa no Opteron... Dá a impressão que a AMD, que iniciou fabricando clones baratos das CPUs da série 386 da Intel, hoje dita os rumos...

Não surpreende, portanto, que a Intel tenha saído em busca de novos aliados, que lhe ajudem no processo de manter sua liderança. A aliança da Intel com a Oracle (e maior competidora da Microsoft em banco de dados) em torno do desenvolvimento de servidores com grandes quantidades de CPUs (baseado nas idéias do 'grid computing', e implementadas no Oracle 10g) tem por objetivo criar um novo diferencial de mercado para a Intel (em relação a AMD).

Mas, trata-se apenas de mais uma batalha nesta longa guerra: do lançamento do 386 ao Windows 95 (primeiro sistema operacional que usou todos seus recursos), passaram-se nove anos. Esta nova guerra já leva dez anos; e seu fim ainda não está à vista.

Leia aqui a Parte II da guerra dos 64 bits, publicada em abril de 2004