Esta edição de InformationWeek apresenta os resultados do Panorama Corporativo do uso da TI, pesquisa sobre o uso da Tecnologia da Informação pelas empresas dos leitores.

Minha empresa teve a honra de cooperar com a equipe editorial no desenvolvimento da pesquisa. Como os resultados estão sendo publicados como matéria especial nesta edição, gostaria de compartilhar com os leitores alguns comentários sobre o processo de elaboração do estudo.

O principal diferencial deste estudo se baseia no relacionamento existente entre a equipe da IT Mídia, responsável pela InformationWeek, e seu público leitor: é absolutamente incomum encontrar pesquisas nas quais o questionário é distribuído por e-mail, obtendo índices de retorno acima de dez por cento. Ainda mais, se considerarmos que o questionário não é dos mais simples e que não foi oferecida qualquer contra-partida pela participação na pesquisa (como poderia ser o acesso aos resultados de forma privilegiada ou antecipada).

Este alto grau de 'intimidade' entre a revista e seus leitores permite obter informações que de outra forma não seriam reveladas. Obviamente, trata-se de um fruto maduro, cultivado pela InformationWeek desde sua primeira edição.

As empresas participantes são oriundas dos mais diversos setores da economia. Entretanto, perto de oitenta por cento das empresas no país com faturamento anual superior a um bilhão de reais participaram.

Ao todo, perto de 160 empresas devolveram questionários preenchidos por completo. Em conjunto, estas empresas possuem um orçamento de TI superior a cinco bilhões de reais, dos quais pouco mais de um bilhão será destinado a novos projetos em 2005.

Quando números como estes são extrapolados de um questionário de pesquisa, sempre surge a pergunta: como é que vocês chegaram a estes resultados?

A técnica utilizada no questionário do Panorama Corporativo consiste em solicitar aos participantes, no lugar de respostas numéricas absolutas, apenas a faixa de referência na qual se encaixa a situação da empresa deles. Por exemplo, em vez de solicitar o valor do orçamento de TI, pedimos apenas a relação percentual entre este e o faturamento da empresa, agrupados em faixas (até 0,25%, de 0,25% a 0,5%, de 0,5% a 1%, etc.) .

A definição das faixas requer algum conhecimento prévio do mercado sendo estudado, o que foi garantido pelas edições anteriores do Panorama Corporativo.

O ponto interessante e, em geral, desconhecido é que para os fins de extrapolar valores, o uso dos valores médios de cada faixa acaba resultando em previsões melhores que se solicitarmos valores absolutos. A razão disto é que muitas pessoas, ao responderem a um questionário deste tipo, não têm todos os valores a disposição, nem querem perder muito tempo procurando por eles. Assim, se for solicitado um número absoluto, o erro introduzido pelos chutes costuma ser maior do que ao trabalhar com faixas. Em bom português, mais vale o chute das médias que a média dos chutes!