Na coluna anterior, iniciei a apresentação de algumas conclusões de um recente estudo da MBI junto às empresas de software de toda América Latina. A principal conclusão foi que, ao contrário do que os formadores de opinião – tanto fora quanto dentro da região – costumam apregoar, a indústria de software na América Latina não têm um comportamento uniforme através dos vários países. Mostrei como na questão de alianças com os grandes fornecedores multinacionais de tecnologia, havia variações superiores a cem por cento entre os vários países.

Nesta coluna, vou analisar alguns dados referentes à exportação das empresas. Como parte da pesquisa, perguntamos a elas qual o percentual de suas receitas que era oriundo de outros países. Os resultados estão agrupados na figura. A variação entre o menor valor (Brasil) e o maior (para os países menores da região) é de dezesseis vezes! Enquanto no Brasil apenas cinco por cento das empresas de software exportam, enquanto que nos países menores chega a oitenta por cento.

É importante observar que estes valores foram obtidos acumulando todas as empresas que exportam, independentemente do valor que elas obtém com exportação. Por exemplo, dois terços das empresas brasileiras que exportam, obtêm no máximo vinte por cento de suas receitas com as vendas para o exterior.

A discrepância é ainda maior se analisarmos os números referentes às empresas cuja receita é totalmente concentrada na exportação (os valores representados por retângulos em azul claro na figura).

Nos países menores, sessenta por cento das empresas efetuam todas suas vendas para o exterior. Isto pode ser entendido como conseqüência do fato de que os mercados internos não são grandes os suficientes para as pretensões das empresas. Mas, este fato não condiz com a realidade do México e da Argentina, onde cerca de um quarto das empresas vendem exclusivamente para o exterior.

E o Brasil? Bem... neste nosso país, não existe NENHUMA empresa de software (entre as quase quinhentas entrevistadas), que viva exclusivamente da exportação.

Cruzando as informações sobre exportação com o faturamento das empresas, a pesquisa revelou que, em média, as empresas exportadoras são quatro vezes maiores, em vendas, que as empresas que atuam apenas no mercado interno. Por isso, a exportação de software é considerada estratégica em tantos lugares.

A toda exportação, entretanto, corresponde uma importação em outro país. Na próxima coluna analisarei os dados referentes a origem e destino das exportações das empresas latino-americanas de software.