Recentemente, concluímos na MBI um estudo de mercado analisando em profundidade as empresas de software em toda América Latina. Estimamos a existência de cinco mil empresas na região, das quais quase sessenta por cento estão localizadas no Brasil.

Foram entrevistadas quase setecentas empresas, em dezesseis países diferentes. Abrangemos temas tão variados quanto a escolha de plataformas tecnológicas, as características dos mercados em que as empresas atuam, o tamanho e quantidade dos clientes, a certificação das empresas e produtos, a exportação de software, entre outros.

A quantidade de análises possíveis certamente servirá de base para várias colunas. Entretanto, a conclusão mais importante é que, ao contrário do que os formadores de opinião – tanto fora quanto dentro da região – costumam apregoar, a indústria de software na América Latina não têm um comportamento uniforme através dos vários países. Nossa análise se baseou na comparação do Brasil com o México, a Argentina e os demais países.

Para esta coluna, selecionei as alianças que estas empresas mantêm com os grandes fornecedores multinacionais de tecnologia. Consideramos apenas as alianças formais, isto é, quando a empresa de software possui um acordo assinado com o fornecedor.

O número médio de alianças por empresa varia de 0,7 no Brasil até 1,4 na Argentina. Na região toda, a média está próxima de 1.

Analisando a participação das empresas citadas como aliadas, observamos que, na região como um todo, a Microsoft é a empresa com o maior número de alianças. Em segundo e terceiro lugar estão a Oracle e a IBM, respectivamente, cada uma delas dez por cento atrás da que lhe antecede.

A Novell, que foi a primeira empresa a tecer alianças na região, tem hoje uma participação menor que a Borland, HP, SAP ou Sun.

A HP ocupa a segunda posição no México (empatada com Oracle) e na Argentina, reflexo do esforço recente desta empresa para atuar no mercado de serviços em tecnologia. Entretanto, ela (ainda?) não tem sido bem sucedida na construção de alianças no Brasil.

A IBM ocupa o terceiro lugar no Brasil, nos países menores (agrupados como 'Outros' na figura), e o quarto lugar no México.

A liderança da Microsoft sobre a Oracle (segunda colocada) varia muito: enquanto no Brasil a Oracle detém 86% do número de alianças obtidas pela Microsoft, no México a participação da Oracle equivale a apenas 40% da participação da Microsoft.

Nas próximas colunas continuarei a mostrar outros aspectos onde as empresas brasileiras de software se diferenciam dos demais países da região.