Na época do surgimento dos microprocessadores de quatro e oito bits, na década de setenta, estes eram considerados "brinquedos" pela maioria dos profissionais de informática. Somente com a legitimição da tecnologia pela IBM, ao lançar seu famoso "PC" em 1981, baseado no microporocessador 8088 da Intel (com características de oito e dezesseis bits), é que os microprocessadores estrearam de fato no ambiente corporativo.

Ainda assim, os computadores "grandes" continuaram a ter um ar de superioridade: mainframes, minicomputadores, workstations e outros muitos nomes serviram para rotular equipamentos cujo cérebro não era um microprocessador.

O projeto e a fabricação dos microprocessadores evoluiram muito rapidamente: aos microprocessadores de 16 bits se seguiram os de 32 bits (com a arquitetura 386 da Intel conquistando um quase monopólio, sobre o qual a Microsoft construi o seu próprio com o Windows – daí o nome Wintel), e a estes os de 64 bits. Esta rápida evolução foi a base da evolução dos PCs, hoje na sua maioria baseados nos microprocessadores de classe(s) Pentium da Intel.

As primeiras referências a microprocessadores de 64 bits já têm mais de uma década de idade: na época, a Intel se referia a um projeto chamado Merced, desenvolvido em cooperação com a HP, e que incorporaria na CPU as melhores práticas das CPUs RISC dos computadores "grandes", relegando assim a um segundo plano a polêmica CISC vs. RISC. O resultado deste projeto viria a ser lançado com o nome comercial de Itanium.

Mas, o Itanium original não decolou no mercado. Alguns dizem que pela falta do Windows (que a Microsoft não portou para 64 bits na época, provavelmente pela ênfase da HP em seu HP/UX e da Intel no Linux). Enquanto isso, as máquinas "grandes" continuaram a ser consideradas a "elite" dos computadores.

Em 2002, a Intel lançou o Itanium 2, com muito mais preparo comercial: PCs com esta CPU estiveram disponíveis desde o dia de seu lançamento comercial, e a Intel convenceu a Microsoft em portar o Windows para 64 bits.

Ainda assim, pouquíssimos usuários de computadores "grandes" migraram para microprocessadores de 64 bits. Até que um dia... apareceu a (viva!) concorrência.

A AMD produz microprocessadores que emulam os produtos da Intel desde a época em que a arquitetura 386 era nova. Entretanto, ao lançar seu processador de 64 bits, de nome Opteron, inaugura uma nova fase nesta guerra: sua arquitetura é semelhante, mas não igual à do concorrente. Além disso, performance igual, ou melhor, e preço significativamente menor.

Na minha opinião, nada disso é realmente importante. Mas, a disponibilidade de um microprocessador de 64 bits que não é da Intel, animou projetistas de computadores "grandes" a criar máquinas baseadas no Opteron: tanto a Silicon Graphics (dentro da série de servidores Altix) quanto a Sun Microsystems (dentro da série de servidores Fire) oferecem hoje servidores "grandes" baseados em microprocessadores de 64 bits. E está aí a grande notícia: os microprocessadores acabam de virar gente "grande"!

Na próxima coluna abordarei os possíveis impactos disto sobre o mercado de software. Até lá!

Leia aqui a Parte III da guerra dos 64 bits, publicada em junho de 2005