Nesta coluna, continuo a desenvolver a questão colocada no mês passado: quantas empresas, instaladas no Brasil, formam o mercado corporativo de TI? Onde elas estão?

Do ponto de vista do tamanho das empresas, consideramos apenas empresas com 25 ou mais pessoas ocupadas. De acordo com os dados do Cadastro Central de Empresas da Divisão de Cadastro e Classificação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), existem no país pouco mais de cem mil empresas deste porte.

O próximo passo é determinar a localização geográfica das empresas. Como base desta análise, tomei o Produto Interno Bruto (chamado de PIB, obtido pela soma de todas as riquezas geradas na economia, incluindo todos os salários e outras remunerações obtidas pelas pessoas, as vendas de produtos e serviços realizadas por todas as empresas). A tabela abaixo relaciona o PIB apurado por estado e região do país. Estes dados fazem parte do mesmo estudo citado na coluna passada, publicado pelo IBGE com base nos dados declarados à Receita Federal.

O PIB total do país é ligeiramente superior a um trilhão de reais (o pequeno crescimento da economia nacional em 2001 e 2002 faz com que estes dados ainda sejam muito próximos da realidade atual). Mas a distribuição é absoluta¬mente desigual: enquanto o estado de São Paulo (apelidado de "locomotiva do Brasil") é responsável por um terço das riquezas produzidas no país, outros estados como o Piauí, Alagoas, Sergipe, Acre, Amapá geram cem vezes menos riqueza. Mesmo estados considerados "promissores", como Rondônia, Roraima e Tocantins fazem parte deste mesmo clube.

Entretanto, engana-se profundamente quem concentrar suas ações de marketing quase que exclusivamente em São Paulo: somando o produto bruto dos demais estados do Sudeste, os três estados do Sul, e os nordestinos Bahia e Pernambuco, chegamos a metade do produto bruto nacional.

E pior: se você tomar estes estados e ainda acrescentar São Paulo, ainda assim terá esquecido de um sexto do país.

Esta significativa dispersão geográfica é um grande desafio para qualquer ação, independentemente do produto ou serviço em questão. Não é novidade que de Porto Alegre a Recife há mais de 3.400 km de estrada e uma imensa variação cultural (pense, por exemplo, nos sotaques característicos destes povos).

Produtos de alto conteúdo tecnológico tendem a ser consumidos primeiro nos centros econômicos mais importantes, dispersando-se posteriormente até o ponto de ter uma distribuição semelhante à do PIB. Enquanto televisores e celulares já apresentam uma distribuição próxima à do PIB, o mesmo não ocorre com o mercado de automóveis nem com o de jóias.

É nosso objetivo descobrir em qual estágio se encontra o mercado de informática. Para tanto é preciso levar em conta, além do porte e da distribuição geográfica, também a atividade econômica das empresas. Abordarei as empresas por esta ótica na próxima coluna.