Está prestes a ser liberada para sua comercialização a mais nova encarnação do Windows, sob o nome de Windows 2003. Assim, teremos convivendo no mercado sete versões diferentes do mesmo produto: 95, 98, Me, NT, 2000, XP e o novo 2003. Um exemplo semelhante que me ocorre é o domínio da Mercedes-Benz no mercado brasileiro de caminhões, onde convivem inúmeras gerações de produtos diferentes.

A questão não é discutir se esta situação é fruto ou disfarce da posição mercadológica, mas analisar o impacto que a nova versão pode trazer.

As primeiras pesquisas divulgadas indicam um ritmo de adoção mais lento do que o projetado pelos usuários na época do lançamento do Windows 2000. Justificar os custos de mais um upgrade, na “ressaca” dos últimos acontecimentos mundiais não parece fácil.

Mas então, qual é o objetivo da Microsoft (além de amealhar novas receitas com os upgrades que virão)?

Observando as características do Windows 2003, a princípio este novo produto é uma clara evolução do Windows 2000 (por sua vez baseado na herança do NT): a arquitetura básica foi melhorada, é claro, mas não revolucionada.

Algumas das novidades geradas pela Microsoft desde o lançamento do Windows 2000, como o .net Framework, agora são integrantes do sistema operacional. Mas é possível fazer download gratuito do .net Framework e instala-lo em qualquer Windows 2000.

Outra novidade pouco revolucionária é a “nova” preocupação da Microsoft com segurança: todos os recursos que poderiam abrir as “portas” para acessos indesejados, agora não são instalados quando de uma instalação padrão. Assim, não haverá “portas abertas” sem que você não saiba disso.

De um ponto de vista mais técnico, o recurso que mais me chamou a atenção, é a nova implementação do Internet Information Server (IIS). Já na sua sexta versão, o web server da Microsoft finalmente implementa suporte a múltiplas sessões de forma que se uma delas travar, as demais continuam operando. Se isto é um problema na sua empresa, o Windows 2003 é a solução!

Só isso? Não! A maior novidade do Windows 2003 está ainda a caminho, sem data definitiva para “sair do forno”: trata-se da chamada “64-bit edition”. Esta versão destina-se ao processador Itanium, da Intel. Lançado já há alguns anos (e desenvolvida pela Intel em conjunto com a HP, que depois comprou a Compaq – coincidência?), esta CPU ainda não decolou. A Intel já lançou o Itanium 2, alegando agora que a primeira versão era “de laboratório”. É fato que pouquíssimos PCs baseados no Itanium foram comercializados até agora.

Embora existam versões de Linux de 64 bits, elas não permitiram ao Itanium decolar. A situação da CPU lançada a frente do software lembra a época do processador 80386. De seu lançamento até o surgimento de um sistema operacional que explorasse todos seus recursos (o Windows 95), passou quase uma década.

A produtividade das equipes de software pode ser hoje maior que naquela época, mas os sistemas operacionais são também mais ricos em funções: o Windows 2003 64-bit edition pode ressuscitar a sigla “Wintel”.

Se bem sucedidas na sua iniciativa, as duas empresas, já gigantes, Microsoft e Intel vão incomodar ainda mais do que até agora as empresas que fizeram da computação e de servidores “high-end” seu nicho de mercado. Será que estas empresas se dobrarão à dupla?