Na última coluna, descrevi a história do StarOffice, aplicativo desenvolvido originalmente na Alemanha, sem nenhuma pretensão comercial. Quando a Sun Microsystems adquiriu os direitos sobre o código fonte deste software e passou a distribuí-lo gratuitamente, o seu objetivo era atingir a Microsoft no aporte de caixa gerado com a venda dos aplicativos chamados de Microsoft Office, um rio de dinheiro muito caudaloso.

O próprio Office da Microsoft foi originalmente “construído” pelo pessoal de marketing: Excel, Word e PowerPoint eram originalmente aplicativos desenvolvidos e comercializados separadamente. Sua integração como conjunto de aplicativos se deu a partir das versões de 32 bits (para Windows 95); desde então os aplicativos não são mais comercializados de forma individual.

Esta tática de mercado permitiu que a Microsoft ganhasse a liderança de mercado para cada um de seus produtos. Antes do Office, o WordPerfect tinha mais mercado que o Word, o Lotus 1-2-3 tinha mais mercado que o Excel, e o Harvard Graphics tinha mais mercado que o PowerPoint.

A amostra utilizada abrange perto de seiscentas grandes e médias empresas instaladas no país. Durante o ano 2000, o StarOffice apresenta uma pequena “bolha” de crescimento, que pode ser atribuída à curiosidade inicial das empresas com o produto logo após seu lançamento (já que não afetou a posição do Office).

A estratégia da Sun, entretanto, não surtiu o efeito esperado. Para comprovar isto, a figura que ilustra esta coluna exibe a evolução do mercado deste tipo de aplicativos no Brasil durante os últimos anos. Os números foram extraídos de edições sucessivas do relatório BRASIL InfoCorp, publicado pela nossa empresa.

Já em 2001, ocorreu uma pequena queda no uso do Office, e a qual corresponde um crescimento no uso dos concorrentes. É curioso observar como o sentimento anti-Microsoft acabou ajudando a alavancar também as posições dos outros concorrentes (Corel e Lótus).

Finalmente, neste ano de 2002, observa-se um novo crescimento da participação do Microsoft Office (atingindo a invejável e monopolística presença em 98,7% das empresas pesquisadas), acompanhado por uma nova queda dos concorrentes. A maior das quedas detectadas é a do StarOffice.

A soma dos percentuais dos quatro produtos é superior a 100%, porque 8,7% das empresas usam mais de um destes produtos.

Ao comparar o porte das empresas com os índices de utilização destes produtos, observa-se taxas maiores para o Microsoft Office nas empresas maiores (onde chega a 100%!), enquanto o StarOffice atinge seu maior índice nas empresas de porte médio (ainda assim, de apenas 4,5% na última edição do relatório BRASIL InfoCorp, de outubro passado.

Entretanto, os números não deixam lugar a dúvidas de que os planos da Sun em afetar a posição de mercado do Office não se concretizaram, ao menos por enquanto.