Iniciamos as últimas quatro semanas com o penta¬campeonato da seleção brasileira de futebol e terminamos (ao momento de escrever estas linhas) com o pentacampeonato de Michael Schumacher na Formula 1. Enquanto isso, o mercado corpo¬rativo sofreu abalos de proporções sísmicas com a revelação de diversas manobras duvidosas (ou falcatruas, se quiser mais direto) para apresentar resultados melhores que os reais por parte de diversas empresas multinacionais. Sabemos que são poucas diante do total, mas a suspeita de que as demais fizeram o mesmo e só faltaria a revelação de seus atos duvidosos levou as bolsas de valores do mundo todo hoje, dia da concordata da WorldCom, a seus patamares mais baixos em três anos. E a cotação do dólar no Brasil em quase três reais com o risco Brasil nas alturas, supostamente influenciado pela incerteza de nosso futuro político (que incerteza é essa, quando os quatro principais candidatos pertencem todos a partidos da chamada esquerda? Os investidores estrangeiros não devem ter entendido porque o candidato do partido ex-comunista – PPS – consegue o apoio de parte importante da direita, uma ala do PFL).

Peço licença ao leitor habitual deste espaço, que já deve estar estranhando, para fazer nestas linhas alguns comentários de ordem esportiva, política e econômica. O cenário acima descrito fez com que o noticiário da área de informática seguisse os mesmos rumos: faturamento e resultados menores que os previstos, para a maioria quase absoluta das empresas.

Se deixarmos nós levar pela emoção, logo entraremos em pânico. E então nosso futuro estará realmente ameaçado, pela nossa incapacidade de anâlise (ou você consegue pensar quando entra em pânico?). Foi exatamente isto que aconteceu com os investidores americanos que acreditaram na “exuberância irracional” (nome criado pelo presidente do Banco Central deles) das bolsas de valores: o noticiário de hoje fala em sete trilhões de dólares perdidos em Wall Street nos últimos três anos, mas isto era dinheiro real?

Para nós brasileiros, resta o consolo, no campo econômico, de termos como negociadores no FMI a vice-diretora gerente (nossos vizinhos e sócios do Mercosul tiveram que se contentar com uma delegação de técnicos do segundo escalão).

E claro, no mundo do futebol, somos os melhores do mundo (embora poucos brasileiros acreditassem nisso há sessenta dias). O candidato governista a presidente afirmou hoje que vai ganhar as eleições fazendo como a seleção brasileira: mantendo a mesma estratégia até a final do campeonato (entenda-se o dia das eleições). Será que é assim que vamos virar o jogo a nosso favor?

Da mesma forma, precisamos lembrar que a prefeita de São Paulo, de partido que faz oposição ao candidato já citado, decretou ponto facultativo na administração pública municipal a partir das treze horas, no dia que a seleção deveria desfilar em São Paulo a partir das nove e meia da noite, mas na realidade apenas sete jogadores chegaram as quatro e meia da madrugada do dia seguinte.

As três da tarde, a prefeita dava entrevista pela rádio CBN (do sistema Globo) dizendo que a festa poderia ser adiada para o domingo seguinte, para que a seleção viesse descansada a São Paulo. Foi informada ao vivo e no ar por um repórter esportivo da emissora que já no dia seguinte iniciava-se a Copa dos Campeões no Nordeste, e portanto a seleção não poderia estar completa no domingo em São Paulo. Ninguém na prefeitura da maior e mais rica cidade do país sabia disto? Apenas como contraponto, gostaria de observar que o pentacampeonato de Schumacher era previsto: todos esperavam por isso, corrida a mais ou corrida a menos. Mas na prefeitura de São Paulo, aparentemente ninguém esperava ver o Brasil pentacampeão.

Falta-nos uma estratégia e um planejamento claro para atingir o futuro. Promessas políticas estão sendo feitas de atacado: crescimento sustentado em patamares elevados, programas sociais importantes já foram citados pelos candidatos. Precisamos cobrar deles que digam através de quais estratégias atingirão estes objetivos, para convencer-nos de que não são irracionais e é possível fazer um planejamento de ações que efetivamente nos levem a atingir os objetivos. Só assim recuperaremos o futuro que todos os brasileiros acreditamos esteja reservado ao nosso país.