Se você não conhece as três siglas do título desta coluna, aqui vão as versões completas: Internet Data Center, Application Service Provider e Siglas de Três Letras. Quantas destas já foram inventadas pelos homens de marketing! Alguém aí sabe como escrever por extenso xSP?

Independentemente das siglas ou nomes, existe uma idéia importante por detrás de este tipo de empresas, serviços ou iniciativas: com a popularização do acesso de banda larga a Internet, passa a ser possível usar os servidores que compõem a Internet não apenas para administrar o fornecimento de páginas Web para browsers (usando o protocolo http:), mas também para outras funções, tradicional¬mente exercidas por servidores instalados nas redes locais das empresas.

Existem vantagens concretas nesta transferência dos servidores para fora da rede local. Do ponto de vista técnico, estes servidores serão administrados por profissionais especializados somente nesta tarefa, garantindo assim a correta aplicação de todas as técnicas necessárias no mundo moderno (desde a óbiva necessidade de 100% de uptime, rebatizado de 7x24, o velhíssimo, mas muitas vezes esquecido “backup”, passando pela proteção contra vírus, worms e programas troianos, as tentativas de invasão e outras formas de ataque por hackers, chegando até terras menos populares, como o “capacity planning”)

Do ponto de vista econômico, a idéia também faz sentido: toda a infraestrutura que rodeia estes servidores (instalações especiais que garantem a segurança física e o fornecimento ininterrupto de energia até em caso de ”blackout”) e as equipes de profissionais que precisam atuar para que tudo funcione a contente, podem ser compartilhados para muitos servidores, fazendo com que o custo por servidor seja muito menor que se estes recursos fossem aplicados para um número menor de servidores.

Claro, os homens de marketing tentam nós convencer de que não há desvantagens. As mais óbvias são o “reverso da moeda” das vantagens.

Entretanto, gostaria de focar a afirmação que qualquer aplicação cliente-servidor pode ser migrada para este modelo. Na teoria, totalmente de acordo: se o servidor apenas muda de lugar, tudo continua funcionando como “dantes”.

Já na prática... bem, a teoria é outra, dizem muitos. Neste caso, a teoria é válida, mas omite um aspecto crucial na prática: a velocidade de acesso ao servidor. A grande maioria das aplicações cliente-servidor foi criada pressupondo um ambiente de rede local (onde “lento” quer dizer uma velocidade nominal de 10 Mbps): estas aplicações trafegam uma grande quantidade de dados entre o(s) cliente(s) e o servidor. Assim, quando este tipo de aplicação tem sua parte servidora transferida para um servidor na Internet, elas padecem do antigo mal do “prazo de entrega” (nome cunhado para os altíssimos tempos de resposta na era dos mainframes).

Vendeu-se então a idéia que fazer aplicações para a Internet era algo essencialmente diferente do desen¬volvimento de sistemas cliente-servidor (chamados agora de “tradicionais” no marketing), exigindo portanto novos ambientes de desenvolvimento, novas linguagens e novos ambientes de execução. Bilhões foram gastos atrás deste “trem”, digamos “da fantasia”.

De fato, se nossas aplicações cliente-servidor fizerem uso “espartano” da conexão entre o cliente e o servidor, então elas funcionarão realmente com servidores baseados em IDCs. Note que na maioria das aplicalções isto significa ter no cliente mais inteligência do que na maioria das aplicações (e não menos, como é proposto na maioria das vezes pelos defensores dos novos ambientes de desenvolvi¬mento).

Entretanto, é preciso admitir que a disponibilidade de aplicações cliente-servidor com essas caracte¬rísticas é bastante restrita. Pessoalmente, acredito ser esta uma das principais causas da dificuldade enfrentados pelos IDCs, ASPs e xSPs para ampliar sua participação no mercado: a falta de aplicações.

E a falta de aplicações é uma velha doença, que já foi mortal para muitas plataformas de computação (ou TI) no passado; sua abordagem nesta coluna pretende tornar o diagnóstico público, antes que o paciente morra. Esta doença tem cura, desde que diagnosticada a tempo e tratada adequadamente.