CapaNesta coluna analisarei a evolução do número total de profissionais de desenvolvimento de software e/ou sistemas em relação ao número total de profissionais de informática nas empresas.

Supomos que o percentual de profissionais de desenvolvimento, em relação ao total de profissionais de informática, indica o grau de comprometimento das empresas com o desenvolvimento: se o índice fosse de 100%, então todos os profissionais de informática da empresa seriam profissionais de desenvolvimento; caso a empresa optasse por usar somente software e sistemas desenvolvidos por terceiros, o índice seria de 0%. A realidade, entretanto, situa-se em um patamar intermediário.

Os dados analisados foram extraídos das últimas treze edições do relatório BRASIL Software, publicadas pela nossa empresa desde 1995 (nas datas indicadas no eixo horizontal), com estatísticas do mercado brasileiro de desenvolvimento de software e/ou sistemas, baseadas em amostras de cerca de 750 empresas. Para serem incluídas na amostra deste relatório, as empresas devem possuir ao menos um profissional de desenvolvimento.

A figura abaixo ilustra a evolução do percentual de desenvolvedores na amostra como um todo, enquanto a tabela detalha os percentuais dentro de cada setor de atividade econômica:

 

Note como, ao longo de 2001, tivemos um ligeiro crescimento no percentual de desenvolvedores, indicando portanto um ligeiro aumento da quantidade de profissionais encontrados na amostra estudada. Ainda assim, o percentual atual encontra-se claramente por debaixo do nível dos índices apurados até a virada do “bug do milênio”. Logo depois dele, detectamos uma queda abrupta no índice, da qual aparentemente estamos iniciando um processo de recuperação lenta e gradual. Entretanto, a inclinação atual da curva indica que é pouco provável que voltemos aos níveis apurados ao longo de 1999.

A análise setorial revela variações abruptas, mas é preciso lembrar que a margem de erro para estes números é maior do que para a média geral da amostra. Ainda assim, algumas tendências são bastante evidentes. A primeira é a forte diminuição no número de profissionais de desenvolvimento que atuam nas empresas de informática, resultado da opção de muitas destas empresas em comercializar, implantar e suportar apenas software estrangeiro.

Entretanto, o ligeiro aumento do percentual de desenvolvedores indica que a demanda por desenvolvimento de software no país continua (ou volta a ser) aquecida, o que é indicado na tabela pelos vários setores onde o número de desenvolvedores tem aumentado.

A continuar esta tendência, corremos o risco de as grandes e médias corporações assumirem o papel das empresas especializadas em desenvolvimento, o que é, aparentemente, um contra-senso. Na teoria, as empresas especializadas são mais produtivas, e ... basta lembrar de todos os argumentos a favor da terceirização.

Estes dados devem soar como um alarme para a chamada “indústria nacional de software”: a rota atual do mercado não lhe é favorável. Cabe a estas empresas virar o jogo, sob pena de o mercado regredir a situação em que se encontrava há cinco anos atrás.