Nesta coluna retomarei a análise do mercado de bancos de dados relacionais. Este mercado é disputado, a nível global, por três “players”: IBM, Microsoft e Oracle, com seus produtos DB/2, SQL Server e Oracle. Já no mercado nacional, apenas os dois últimos disputam a liderança de mercado.

Os dados que subsidiam esta coluna são extraídos da edição de julho de 2001 do relatório BRASIL Software, publicado pela nossa empresa. A pesquisa que serviu de base a esta edição consultou 740 empresas, todas elas com equipes próprias de profissionais de desenvolvimento de sistemas e/ou software. Quanenta por cento das empresas são empresas do setor de informática, enquanto as restantes são empresas usuárias de grande e médio porte que mantém equipes próprias de desenvolvimento.

A figura ilustra a evolução, ao longo dos últimos seis anos, do uso dos principais sistemas gerenciadores de bancos de dados. Os pontos das curvas distam quatro meses entre si, o que corresponde ao intervalo entre edições sucessivas do relatório BRASIL Software.

Uma observação simples da figura revela, em primeiro lugar, a transformação de um mercado imaduro, disputado por muitos produtos, em um mercado polarizado por dois produtos. Note que a partir de março de 99 os dois produtos líderes, Oracle e SQL Server, apresentam somados, mais de 50% de participação no mercado. Esta participação conjunta atingiu em julho passado mais de oitenta por cento. Ao longo deste período, a distância entre estes dois produtos e os demais aumentou de forma muito sensível, ao ponto que o terceiro produto abocanha atualmente apenas um oitavo da participação conjunta de ambos.

Outro aspecto interessante na evolução apresentada pela figura, é que a mesma data de março de 1999 representa uma inversão na posição de ambos produtos: antes, a participação do Oracle era maior que a do SQL Server; posterior¬mente a esta data a situação se inverteu. Entre¬tanto, a distância entre eles ficou oscilante até um ano atrás. Desde então, a distância entre ambos não só começou a crescer mais rapidamente, como a participação do Oracle começou a declinar pela primeira vez.

Uma observação mais detalhada dos números revela que o rápido crescimento da diferença entre ambos produtos fundamentou-se, principalmente, no rápido crescimento do uso do SQL Server entre as equipes maiores. Desde o início o SQL Server teve uma participação maior nas equipes menores, fato explicado por fatores como preço e exigência de hardware, enquanto o Oracle sempre apresentou índices maiores nas equipes maiores. Neste último nicho os índices tinham se aproximado anteriormente, mas na última edição o SQL Server assumiu claramente a liderança nesta parcela do mercado.

É claro que o resultado final desta disputa ainda está longe: a inversão na curva do Oracle ainda é pequena, e pode ser invertida novamente. Mas, para que isto aconteça, a Oracle precisa apresentar iniciativas novas, que mudem a visão que o mercado tem de seu produto.

A estratégia de crescimento da receita da Oracle baseou-se nos últimos anos em softwares do tipo ERP. Esta “onda” já deu sinais claros de acomodação. Por isso, a importância de uma estratégia clara para o futuro de seus produtos torna-se crucial neste momento: para que a Oracle volte a ter a maior fatia do mercado, ela precisa mostrar para onde deseja ir com seu banco de dados no futuro. Será que ela tem algum “ás” na manga?

O cenário contrário seria representado pela conti¬nuidade das tendências atuais. Por este caminho, a estrela da Oracle diminuiria de brilho gradativa¬mente, ao longo de uns três ou quatro anos, até retornar ao segundo grupo de produtos.