No ambiente de desenvolvimento a única constante é a mudança: fornecedores de tecnologias como sistemas operacionais, bancos de dados e compiladores vivem de vender upgrades sistematica­mente e, de vez em quando, também novos produtos. 

Como profissionais conscientes preocupamo-nos com a realidade do mercado como um todo ao definir planos para 1997. Será que está na hora de desenvolver aplicativos exclu­sivamente para o Windows 95 e o NT? Esta decisão não pode, nem deve, se basear nas pregações dos “evangelistas” da Microsoft (nem nas de seus concorrentes).

A ausência de dados confiáveis sobre o mercado brasi­leiro nos levou a pesquisar sistematicamente o mercado brasileiro. Desse trabalho resultou, em meados de 1995, o início da publicação do nosso relatório Brasil Software, com estatísticas sobre o mercado brasileiro de desenvolvimento de aplicativos. Nossas previsões para 1997 são baseadas nesses dados.

Voltando à questão dos aplicativos para Windows 32 bits: antes do final de 1997 mais da metade das equipes de desenvolvimento no Brasil estarão usando Windows 95. Os fornecedores de linguagens já migraram seus produtos para 32 bits. Logo, não existe mais nenhuma razão de mercado para não iniciar o desenvolvimento desse tipo de aplicativos. Um sinal adicional nesse sentido é que já detectamos, embora ainda pequena, uma diminuição da base instalada do Windows 16 bits (versão 3.x). 

Outra tendência é a adoção massiva dos bancos de dados relacionais (antes tarde do que nunca!). Ao longo de 1996 a base instalada destes produtos dobrou de tamanho. Ao mesmo tempo, 60% das equipes de desenvolvimento compostas por até cinco profissionais ainda não usam nenhum banco de dados relacional: uma herança clara do predomínio que a linguagem Clipper teve no passado.

Outro fenômeno é a fixação do Delphi (da Borland) como a segunda linguagem de programação mais usada dentre as linguagens específicas para a construção de aplicativos Windows. O Delphi perde apenas para o Visual Basic da Microsoft, embora ainda por uma diferença muito grande. Analisando as taxas de crescimento da base instalada destes produtos verificamos que o Delphi não deve perder seu segundo lugar em 1997. Nem ele ultrapassará o Visual Basic, nem será ultrapassado por outro produto.

Outra tendência é o crescimento da base instalada das linguagens orientadas a objeto (como o próprio Delphi, o Powerbuilder e o SQL Windows). No entanto, são poucas as empresas que constróem suas próprias bibliotecas de classes. A grande maioria limita-se a usar as classes criadas por terceiros. Esta característica do mercado brasileiro parece estar prejudicando a adoção da linguagem Java, cuja base instalada ainda é mínima.

Entre as tendências menos claras, mas que seriam positivas se forem concretizadas em 1997, a mais importante é a crescente diversifi­cação das áreas de aplicação aten­didas pelos aplicativos. No entanto, ainda há muitos ramos de atividade com participação significativa no PIB (como p.ex. comércio exterior, logística e transportes, advocacia e justiça) para os quais a quantidade de aplicativos disponíveis é extremamente limitada.

Outra tendência, importante na busca de produtividade crescente no desenvolvimento, é o aumento no uso de ferramentas (além dos bancos de dados e as linguagens), como por exemplo softwares CASE ou bibliotecas de terceiros. No entanto, 75% das equipes ainda não utilizam nenhuma destas ferramentas.

Por último, esperamos que as software-houses brasileiras incrementem as vendas através de canais indiretos. Em fins de 1996 apenas 13% das software-houses usavam esse canal, enquanto 64% delas vendiam diretamente aos usuários finais. 

Em resumo, 1997 promete ser um ano a ser marcado pelo amadureci­mento no uso das tecnologias já disponíveis.