50 maiores empresas de software brasileiras faturam US$ 1 bilhão

Analista considera mercado pequeno e aponta caminhos para o crescimento do setor
 

"As empresas brasileiras de software não atentaram para os desafios do mercado e não empregam uma inteligência competitiva em suas operações. Só existe uma saída para o crescimento sustentado deste nicho: usar o modelo de negócios de companhias que deram certo; e dar certo não significa o tamanho do faturamento bruto", avalia Roberto C. Mayer, diretor da MBI e presidente da Assespro-SP.

As declarações baseiam-se em análise realizada pela MBI, em colaboração com a Assespro-SP e o ITS, sobre as empresas brasileiras de software.

Segundo a pesquisa, as 50 maiores empresas brasileiras de software empregam 17,5 mil funcionários, dos quais 65% são desenvolvedores. Cálculos de entidades do setor estimam uma média de R$ 100 mil de receita por ano por profissionais. Com base neste valor, Mayer especula que, juntas, estas companhias produzam uma receita de US$ 1 bilhão por ano.

O estudo mostra que 36% das empresas possuem de 25 a 100 funcionários, e 36% empregam de 110 a 250 pessoas. Outras 18% mantém de 300 a 600 empregados, e apenas 6% delas contam com mais de 750 profissionais. Mayer observa que muitas subsidiárias locais de companhias estrangeiras são maiores que isso. "Considerando que as empresas pesquisadas têm uma média de 22 anos de história, é um mercado pequeno. Faltam estratégias de longo prazo para o crescimento destes negócios", comenta.

Mayer destaca também que as estratégias das empresas brasileiras de software estão pautadas pela demanda de mercado. "Se por um lado isso mostra que estão alertas a seus clientes, por outro denuncia a falta de planos mais consistentes", comenta. Este fato fica comprovado pela pesquisa, que aponta prioridade de alinhamento com tendências de mercado como principal fator para tomada de decisão.

Facilidade de uso e produtividade da equipe, e custo de mão-de-obra disponível também foram apontados pelos pesquisados como fatores para a tomada de decisão. O estudo também avaliou o grau de influência na escolha das plataformas de desenvolvimento abordadas pelas empresas de software, com predominância natural para a presidência/diretoria, seguida pela atuação de arquitetos de software e equipe de desenvolvimento, e baixa participação da equipe comercial.

"É estranhável a pequena influência da área comercial. Isto indica falhas na estratégia", afirma Descartes de Souza Teixeira, diretor executivo do ITS. Para Mayer, da MBI e Assespro-SP, a presença dos arquitetos de software na influência das decisões é uma evolução em relação há alguns anos, quando esta função sequer existia.

Republicado a partir de http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=28877